Mohamed Hamdan Dagalo, líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), foi sentenciado a pena de morte por enforcamento no Sudão por crimes cometidos na região de Darfur, no oeste do país. A decisão foi tomada pelo Tribunal Antiterrorismo e Crimes contra o Estado, localizado em Porto Sudão, no domingo (12/7).
O chefe das RSF é acusado de assassinar Khamis Abbakar, que atuou como governador de Darfur entre 2021 e 2023, quando foi sequestrado e morto.
Além de Dagalo, outros 15 membros das Forças de Apoio Rápido (RSF) foram condenados a penas de morte.
“Os crimes cometidos são crimes contra a humanidade, que estão entre os crimes mais graves puníveis pela lei penal sudanesa e pelo direito internacional. Esses crimes foram cometidos como parte de um ataque generalizado e sistemático contra a população civil, e de acordo com um plano criminoso sistemático com o objetivo de exterminar um grupo étnico específico. Mulheres, crianças, idosos e pacientes dentro de hospitais foram mortos”, disse um trecho da sentença.
Dagalo é personagem central da guerra esquecida no Sudão, que se estende desde 2023 e deslocou mais de 12 milhões de sudaneses de suas casas somente no último ano.
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Crises
O país africano enfrenta uma crise humanitária desde 2019, quando o ex-ditador do país, Omar al-Bashir, foi deposto após 3 décadas no poder.
Com sua queda, uma coalizão civil-militar foi criada para governar o Sudão de forma interina, mas acabou dissolvida em 2021 após um golpe.
Em 2021 o Sudão passou a ser administrado por um conselho liderado pelo chefe do exército regular do país que já fazia parte da coalizão civil-militar, general Abdel Fattah al-Burhan, em conjunto com as Forças de Apoio Rápido (RSF) de Mohamed Hamdan Dagalo.
Cerca de dois anos depois, as Forças Armadas Sudanesas (SAF) de al-Burhan, e as RSF de Dagalo, entraram em rota de colisão devido a divergências políticas sobre o futuro do país.
Desde então, as SAF e as RSF disputam o controle do país com combates sangrentos. Os dois lados são acusado por organismos internacionais de cometerem crimes de guerra.
No último ano, o governo dos Estados Unidos chegou a iniciar os trabalhos de mediação para um acordo entre os lados envolvidos na guerra. Até o momento, no entanto, o pacto não avançou.

