A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou, nesta segunda-feira (13/7), após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender por 90 dias as visitas dele ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e determinar que a defesa apresente explicações sobre a divulgação de uma carta escrita pelo ex-chefe do Executivo.
“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, diz a nota, assinada pelo senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio.
Na manifestação, publicada no canal de comunicação da pré-campanha de Flávio, Marinho diz que a decisão de Moraes “reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual”. “Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição”, diz trecho.
O líder da oposição também compara a situação com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, durante o período em que esteve preso, recebeu visitas, divulgou cartas, concedeu entrevistas e participou do debate político por meio de manifestações públicas. “Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei”, afirma.
“Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.”
Moraes suspende visita de Flávio a Bolsonaro e dá 48h para explicar carta
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta segunda-feira (13/7), as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o Jair Bolsonaro (PL), por 90 dias e deu 48 horas para que a defesa explique a divulgação de uma carta escrita pelo ex-presidente.
Na decisão, Moraes lembra que, ao conceder prisão domiciliar temporária para Bolsonaro, em 24 de março de 2026, determinou, entre outras medidas, a proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Em março deste ano, ele passou a cumprir a pena em prisão domiciliar.
Leia a íntegra da carta escrita por Bolsonaro:
“Brasília, 11 de julho de 2026.
Carta aos brasileiros
Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento.
Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade.
Um afetuoso abraço a todos, na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade.
Jair Bolsonaro”
Flávio Bolsonaro é “reincidente”, diz Moraes
Na decisão, Moraes diz que Flávio Bolsonaro se utilizou do direito de visitar Bolsonaro para obter uma carta escrita por ele “com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais”.
“Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de FLÁVIO NANTES BOLSONARO desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita, permitindo, nos termos do §1º do artigo 41 da Lei de Execuções Penais, sua imediata suspensão”, diz trecho.
O magistrado destaca ainda que Flávio é “reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais, pois, em 3/8/2025, juntamente com seu pai JAIR MESSIAS BOLSONARO, desrespeitaram a mesma medida cautelar de ‘proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros’, produzindo dolosa e conscientemente material pré-fabricado para seus partidários políticos”, diz a decisão.

