Os trabalhos de busca por pessoas atingidas pelos terremotos na Venezuela continuam após quase três semanas da tragédia, mas as esperanças de encontrar sobreviventes tornaram-se cada vez menores. Nos últimos 10 dias, o número de pessoas resgatadas com vida segue o mesmo desde 2 de julho, enquanto o de mortes só aumenta.
No balanço mais recente divulgado por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela que também acumula a função de porta-voz dos números da tragédia, o número de pessoas resgatadas com vida segue em 6.462. Já o número de mortes subiu para 4.333 mil nesse sábado (11/7).
A quantidade de sobreviventes resgatados diminuiu rapidamente logo nos primeiros dias após os terremotos. Nas primeiras jornadas de busca, equipes conseguiram retirar milhares de pessoas com vida dos escombros. Com o passar do tempo, porém, o total de resgates com vida praticamente deixou de avançar.
O número se manteve o mesmo entre 30 de junho e 2 de julho, quando o agente de segurança Hernán Alberto Gil Flores foi retirado de escombros após ficar soterrado durante oito dias em La Guaira.
Veja o momento do resgate
Passadas mais de duas semanas dos terremotos, o governo de Delcy Rodríguez ainda não divulgou um balanço oficial do número de pessoas desaparecidas. Resgatistas, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a imprensa trabalham com dados disponíveis em um site criado para registrar sumiços após os tremores.
Leia também
Segundo os últimos dados Desaparecidos Terremotos Venezuela, mais de 29 mil pessoas continuam com paradeiros desconhecidos até agora.
Os números da tragédia até o momento
- 4.333 mil mortos
- 16.740 mil feridos
- 6.462 mil resgatados
- 17.907 mil pessoas sem casa
- 856 edifícios afetados
- 190 instalações totalmente colapsadas
- 31.193 mil pacientes atendidos após os tremores
- US$ 37 bilhões (cerca de R$ 191 bilhões) em prejuízos estruturais estimados pela ONU
Ao Metrópoles, o chefe da missão brasileira que atuou em buscas na Venezuela Armin Braun, disse que o cenário no estado de La Guaira, o mais afetado pelos terremotos e onde especialistas do Brasil atuaram, é de destruição total. Isso, somado ao passar dos dias, tornou “muito remotas” as possibilidades de encontrar novos sobreviventes.







Pessoas observam prédios incendiados após um terremoto de magnitude 7,2 atingir a Venezuela
Jesus Vargas/Getty ImagesVenezuela: resgatistas mantêm contato com homem soterrado há 8 dias
rsb.lisboa/ reproduçãoEstimativas da sociedade civil apontam cerca de 30 mil desaparecidos na Venezuela
Cem Tekkesinoglu/Anadolu via Getty ImagesMais de 800 prédios sofreram danos
Cem Tekkesinoglu/Anadolu via Getty ImagesCaracas e La Guaira foram os locais mais afetados pelos tremores
Jesus Vargas/Getty ImagesTerremoto na Venezuela deixou mais de 1.900 mortos
Javier Campos/NurPhoto via Getty ImagesTerremotos na Venezuela completam 2 semanas
Edilzon Gamez/Getty ImagesEm meios a escombros, venezuelanos buscam familiares por conta própria
Javier Campos/picture alliance via Getty ImagesDe acordo com o bombeiro, que atualmente ocupa a direção do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) da Defesa Civil, resgatistas têm enfrentado dificuldades de chegar até as vítimas por conta do padrão das construções na região.
“As construções onde atuamos eram muito robustas”, explica Braun. “As equipes de busca enfrentaram dificuldades para progredir e adentrar nos em edifícios destruídos, já que o risco de novos desabamentos nos obrigava a utilizar apenas maquinário leve nos trabalhos, que muitas vezes aconteciam a cerca de 10 metros abaixo dos escombros”.
Braun revela que a equipe brasileira, composta por 82 especialistas em busca e resgate, realizaram 90 intervenções na Venezuela na tentativa de encontrar sobreviventes. A duração dos trabalhos iam de 3 até 50 horas, a depender das condições do local. As buscas resultaram no resgate de 23 corpos. Até o momento registros indicam que equipes internacionais resgataram 14 pessoas vivas desde o fim de junho.
Ainda assim, o chefe da missão do Brasil na Venezuela disse ser possível que ainda existam sobreviventes debaixo dos escombros.
“Isso depende de algumas condições, como por exemplo não estarem machucados e terem acesso a insumos, como água e alimentos”, explica Braun.

