O Exército de Israel abriu uma investigação após confirmar a autenticidade de uma fotografia que mostra um prisioneiro palestino vendado, seminu e amarrado a uma cama dobrável. Organizações de direitos humanos afirmam que a imagem apresenta indícios de, pelo menos, um crime de guerra e pode também indicar a prática de tortura ou de tratamento cruel, desumano ou degradante contra o detido.
Na imagem, o homem aparece de bruços, usando apenas roupa íntima, com as mãos amarradas para trás e preso à cama por cordas e por um objeto semelhante a um cabo de vassoura encaixado em uma estrutura metálica. A legenda em hebraico publicada junto à fotografia diz apenas: “Bom dia”.
Segundo as Forças Armadas de Israel (IDF, na sigla em inglês), a autenticidade da foto foi confirmada após uma análise interna. Em nota, a instituição afirmou que o episódio “não está alinhado aos valores e regulamentos” das IDF e informou que uma investigação foi aberta para apurar responsabilidades.
Exército israelense chama o ocorrido de “incomum”
- Desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, Israel deteve milhares de palestinos, muitos deles sem acusação formal.
- Organizações internacionais e entidades de direitos humanos denunciam repetidamente casos de espancamentos, humilhações, privação de alimentos, restrição de atendimento médico e impedimento de contato com familiares ou advogados.
- Na noite de quinta-feira (9/7), o Exército israelense voltou a afirmar que continua identificando “casos incomuns” que fogem ao comportamento esperado dos militares e reiterou que medidas disciplinares serão adotadas contra os soldados envolvidos após a conclusão das investigações.
Os militares acrescentaram que os envolvidos serão tratados de acordo com as conclusões da apuração. As autoridades, porém, não informaram a identidade nem a origem do prisioneiro, tampouco revelaram onde a fotografia foi registrada, quantos soldados participaram da ação ou quais unidades estavam envolvidas.





Território da Palestina
Khames Alrefi / Anadol / Getty ImagesCIDADE DE GAZA, GAZA – 27 DE DEZEMBRO: Palestinos deslocados, que vivem em tendas improvisadas, lutam para sobreviver em condições severas enquanto chuvas e fortes tempestades atingem a região de Yarmouk, na Cidade de Gaza, em 27 de dezembro de 2025.
Saeed M. M. T. Jaras/Anadolu via Getty ImagesCidade de Gaza
Khames Alrefi/Anadolu via Getty ImagesIsrael investiga foto de palestino amarrado após denúncia de tortura
Reprodução/Redes Sociais/@tamerqdhA fotografia ganhou repercussão nas redes sociais após ser republicada, por um ativista palestino identificado como Tamer. Segundo ele, a imagem havia sido publicada originalmente por um soldado israelense, que posteriormente apagou a conta.
الجيش الإسرائيلي يعترف بتعذيب جنوده لشاب فلسطيني من قطاع غزة . https://t.co/qn7BE4ZmP6
— Tamer | تامر (@tamerqdh) July 2, 2026
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Especialistas em direitos humanos afirmam que a divulgação da imagem pode configurar crime de guerra, uma vez que o direito internacional humanitário proíbe a exposição pública de prisioneiros em situações humilhantes.
Para Sari Bashi, diretora executiva do Comitê Público Contra a Tortura em Israel, há ainda indícios de outro possível crime. Segundo ela, a forma como o homem foi imobilizado levanta preocupações de que o confinamento tenha sido utilizado como punição.

