Mensagens analisadas pela Polícia Federal reforçam suspeitas sobre a atuação de Valdemar Costa Neto na indicação de emendas. Os diálogos foram citados pelo ministro Flávio Dino, do STF, em decisão que determinou o avanço da investigação e o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL.
Extraídos do celular de uma servidora, os registros trazem frases como “O Valdemar pediu pra trocar” e “emendas do Valdemar”. Mensagens e planilhas também continham siglas como “VCN” ou “Valdemar” para identificar cotas pessoais geridas pelo investigado.
Dino apontou Valdemar como “mandante” do suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. Segundo o ministro, há elementos reunidos pela Polícia Federal que indicam a liderança do político na cooptação de servidores e na destinação irregular de recursos públicos.
“Basicamente, Valdemar Costa Neto contava com autonomia para direcionar recursos de emendas (de comissão, preponderantemente) conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla”, escreveu Dino.
Segundo a decisão, três servidores — Mariângela Fialek (conhecida como “Tuca”), Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto — atuavam como intermediários, organizando planilhas e cadastrando indicações sob orientação do presidente do PL.
A PF afirma que os servidores da Câmara atuaram em conjunto para direcionar pelo menos 21 emendas parlamentares em benefício de Valdemar. Os recursos envolvidos somariam R$ 119,2 milhões.
O Metrópoles entrou em contato com Valdemar Costa Neto, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. A reportagem não localizou Mariângela Fialek, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto.

