Agentes da Polícia Federal que cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do publicitário Thiago Miranda nesta quinta-feira, 10/7, se apresentaram como entregadores do Mercado Livre para tentar surpreender o alvo.
A coluna apurou que, ao chegar à residência, disseram que tinham uma encomenda de alto valor e que ela só poderia ser entregue a Miranda na tentativa de surpreende-lo e evitar que destruísse provas.
Já no interior da residência, os policiais se depararam com uma adega com garrafas de alto valor. Chegaram a cogitar apreender as bebidas, mas isso não estava no escopo do mandado.
Miranda portava um celular, porém o aparelho estava desligado no momento da operação, o que gerou desconfiança de vazamento da abordagem. Policiais ainda tentaram acessar o aparelho por meio do Face ID, mas, como o celular estava desligado, o primeiro desbloqueio exigia a senha, que não foi fornecida.
Na casa do publicitário, a PF recolheu um contrato para produção de um “documentário ou obra de ficção” sobre o Banco Master e a vida de Daniel Vorcaro. O documento continha a autorização do banqueiro para a realização do projeto, que seria executado por Thiago Miranda.
No contrato, Vorcaro se compromete a conceder dar depoimentos para o projeto e utiliza a utilização de sua imagem.
Quem é Thiago Miranda
O publicitário foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero que investiga suposta atuação coordenada em redes sociais destinada a comprometer a credibilidade do Banco Central do Brasil.
Segundo a PF, as investigações também apuram a existência de uma possível organização criminosa suspeita de intimidar jornalistas, monitorar ilegalmente pessoas ligadas a autoridades públicas, obter informações sigilosas de forma indevida e adotar medidas para interferir em investigações criminais. Ele também intermediou repasses para o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio atingiu o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), que tratou diretamente dos valores com Vorcaro.
Na decisão em que autorizou a busca e apreensão, o ministro do Supremo André Mendonça menciona que a PF afirma que Vorcaro pediu um levantamento sobre o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, após dizer que o executivo lhe “causava muito problema”.
De acordo com a corporação, os fatos apurados podem configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outras infrações relacionadas à violação de dados e de dispositivos informáticos.

