O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, conversaram por telefone nesta sexta-feira (10/7) sobre a escalada das tensões no Oriente Médio, com foco na situação no Estreito de Ormuz e nos recentes ataques entre Estados Unidos e Irã.
Durante a ligação, os líderes defenderam a retomada do diálogo e da diplomacia para evitar uma ampliação do conflito.
Em publicação nas redes sociais, Sharif afirmou que discutiu com Pezeshkian a evolução da situação regional e destacou a necessidade de preservar os avanços obtidos nos últimos meses.
“Conversei hoje com meu irmão, o presidente Dr. Masoud Pezeshkian do Irã. Discutimos a evolução da situação regional e ressaltamos a importância da moderação, do diálogo e da diplomacia para salvaguardar as conquistas de paz arduamente alcançadas nos últimos meses“, escreveu.
O premiê paquistanês também reafirmou a disposição de Islamabad em continuar atuando como mediador entre as partes.
“Reafirmei a disposição do Paquistão em continuar desempenhando seu papel como mediador honesto e sincero para uma paz regional duradoura. Também concordamos em avançar na agenda de cooperação bilateral acordada durante a recente visita do presidente Pezeshkian a Islamabad”, acrescentou.




O vice-presidente dos EUA, JD Vance, se reúne com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif
Jacquelyn Martin - Pool/Getty ImagesShehbaz Sharif, premiê do Paquistão
Contributor/Getty ImagesPresidente do Irã, Masoud Pezeshkian
Iranian Presidency/Anadolu via Getty ImagesPapel do Paquistão
- Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o Paquistão tem desempenhado papel central nas negociações diplomáticas.
- Islamabad foi responsável por mediar o primeiro cessar-fogo temporário entre as duas potências e também participou das tratativas que resultaram nas tréguas posteriores.
- Sharif chegou a anunciar anteriormente um entendimento preliminar para um cessar-fogo “em todos os lugares”, incluindo outras frentes do conflito, como o Líbano.
- A capital paquistanesa também sediou encontros entre delegações iranianas e norte-americanas durante as negociações.
- O acordo preliminar firmado em 17 de junho previa uma trégua de 60 dias, com validade até meados de agosto, para que Washington e Teerã buscassem uma solução definitiva para o conflito.
- No entanto, os confrontos foram retomados na terça-feira (7/7), levando Trump a declarar oficialmente o fim do cessar-fogo na quarta-feira (9/7).
Nova escalada
A conversa ocorreu em meio ao endurecimento do conflito entre Washington e Teerã. Também nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano concordou em continuar as negociações com o Irã, mas ressaltou que considera encerrado o cessar-fogo firmado entre os dois países.
“A República Islâmica do Irã nos pediu para continuarmos as ‘conversas’. Concordamos em fazê-lo”, escreveu Trump na rede Truth Social. Na mesma publicação, acrescentou que “os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo ACABOU”.
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Os Estados Unidos intensificaram nesta semana os bombardeios contra o Irã após Teerã atacar embarcações no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), ao menos 170 alvos foram atingidos nos ataques recentes.
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohammad Baqer Zolqadr, advertiu que qualquer ataque contra a infraestrutura do país será respondido “na mesma moeda” e indicou que Israel voltará a ser alvo de retaliações.

