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Balenciaga reacende a inovação têxtil com Piccioli na alta-costura

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Balenciaga reacende a inovação têxtil com Piccioli na alta-costura

Foi a partir de uma base técnica bem específica que se construiu a estreia de Pierpaolo Piccioli na alta-costura da Balenciaga. O desfile, realizado na quarta-feira (8/7), na escadaria da Cité Internationale Universitaire de Paris, apresentou um contraste direto com as salas sombrias e geladas de seu antecessor, Demna. As modelos desceram e subiram os degraus em looks de cores saturadas, zibeline encorpado e caimento dramático, com Gigi Hadid fechando o desfile vestindo um capuz esculpido em penas de galo que envolvia rosto, ombros e busto, em referência à criação de Cristóbal Balenciaga, O Repolho Negro.

Vem conferir!

O Repolho Negro, de 1967

O tecido criado pela Balenciaga

Antes de pensar em silhueta, Pierpaolo Piccioli quis entender um tecido. Em outubro de 2025, ao assumir a direção criativa da Balenciaga, o designer começou a estudar tecnicamente o gazar — material inventado em 1958 por Cristóbal Balenciaga em parceria com o tecelão suíço Gustave Zumsteg, da Abraham, justamente porque não existia no mercado nada que “entendesse” seu processo criativo.

A particularidade do gazar está na estrutura: enquanto a maioria dos tecidos tem urdume e trama simples, o gazar tem ambos duplos, o que confere corpo à peça e, paradoxalmente, a deixa mais leve. É um tecido capaz de ganhar volume tridimensional sem pesar. Foi com ele que Cristóbal Balenciaga criou o icônico vestido de noiva de 1967, impossível de reproduzir em um tecido mais maleável.

O Costume Institute do Metropolitan Museum of Art abriu, em 23 de março de 1986, sua primeira exposição dedicada ao estilista Cristóbal Balenciaga

Piccioli levou esse raciocínio ao pé da letra. Batizou sua versão de Neo Gazar, adicionando uma trama de lamiset (seda e lã) que suaviza o material sem comprometer seu volume original. O gazar não foi um easter egg pontual: o tecido permeia o trabalho de Pierpaolo na Balenciaga desde sua estreia em prêt-à-porter, em outubro de 2025, até a alta-costura apresentada na quarta-feira (8/7), reafirmando o compromisso da maison com a inovação têxtil.

Design faz referência a um vestido criado em 1961

Continuidade da inovação têxtil

Assim como Cristóbal inovou nas silhuetas e nos tecidos, a Balenciaga dá continuidade a esse legado ao apostar na Amsilk — seda biossintética criada por biofermentação de precisão a partir do genoma da aranha (sem utilizar nenhum aracnídeo real), 100% proteica, biodegradável e livre de microplásticos. O material estreou comercialmente em janeiro de 2026, na coleção prêt-à-porter, em uma camisa branca e em um vestido-camisa preto, e voltou a aparecer na estreia de Pierpaolo na Semana de Alta-Costura.

Ou seja: enquanto resgata o tecido mais icônico do fundador da maison, Piccioli também introduz na casa uma das apostas mais avançadas da biotecnologia têxtil atual, tecendo tradição e inovação em uma mesma coleção.

Assinaturas de Pierpaolo, como a cartela saturada e a modelagem de luxo são mescladas com perfeição ao streetwear de Demna e à arquitetura inovadora de Cristóbal. A junção aparece nas camisetas de costas abauladas, nas regatas sobre saias balonê, nos vestidos trapézio e nos casacos de mangas extrabufantes. Assim, o diretor criativo equilibra herança e contemporaneidade com naturalidade.

Balenciaga reacende a inovação têxtil com Piccioli na alta-costura - destaque galeria
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Balenciaga Alta-Costura outono/inverno 2026
Conjuntos e plumagens
Silhuetas inovadoras são destaques da marca
Referências ao streetwear de Demna
Metrópoles
Tons elétricos foram protagonistas
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Tons elétricos foram protagonistas

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Balenciaga Alta-Costura outono/inverno 2026
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Balenciaga Alta-Costura outono/inverno 2026

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Conjuntos e plumagens
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Conjuntos e plumagens

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Silhuetas inovadoras são destaques da marca
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Silhuetas inovadoras são destaques da marca

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Referências ao streetwear de Demna
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Referências ao streetwear de Demna

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Qualidade técnica

O desfile apresentou uma precisão irretocável e um sentimento artesanal que remontam ao próprio fundador da casa. Cristóbal era filho de um pescador, aprendeu a costurar aos 11 anos, ajudando a mãe costureira, e foi ela quem lhe deu a base técnica que, décadas depois, faria Coco Chanel dizer que “só Balenciaga é costureiro no verdadeiro sentido da palavra: capaz de cortar, montar e costurar um vestido inteiro sozinho”. Christian Dior ia além, chamando-o de “o maestro” da alta-costura, com os demais reduzidos a meros músicos.

Cristóbal Balenciaga costurava desde a infância

Foi esse mesmo rigor que Piccioli afirmou buscar nos arquivos da casa. “Cristóbal é quem inventou a moda como a entendemos hoje”, destacou o designer, que se debruçou sobre o legado do fundador antes de assinar sua própria versão da alta-costura da Balenciaga, retomando não apenas o gazar, mas também a obsessão de Cristóbal pelo corpo como ponto de partida de toda silhueta.

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Casaco de lã com estampa de faixa de pedestre (zebra-crossing) da Balenciaga
Balenciaga inovou a silhueta feminina
Vestido de aproximadamente 1951
Vestido de gazar de 1961
Metrópoles
Modelo usando vestido e capa da Balenciaga em 1955
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Modelo usando vestido e capa da Balenciaga em 1955

Terry Fincher/Keystone/Getty Images
Casaco de lã com estampa de faixa de pedestre (zebra-crossing) da Balenciaga
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Casaco de lã com estampa de faixa de pedestre (zebra-crossing) da Balenciaga

PA Images via Getty Images
Balenciaga inovou a silhueta feminina
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Balenciaga inovou a silhueta feminina

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Vestido de aproximadamente 1951
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Vestido de aproximadamente 1951

Bill Brandt/Getty Images
Vestido de gazar de 1961
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Vestido de gazar de 1961

Chicago History Museum/Getty Images

Essa não é a primeira vez que a Balenciaga tenta se reconectar com sua origem couture. Cristóbal fechou o ateliê em 1968, recusando-se a sacrificar qualidade artesanal diante da ascensão do prêt-à-porter. A casa só voltaria à alta-costura 53 anos depois, em 2021, pelas mãos de Demna. A estreia de Piccioli é, portanto, apenas o segundo capítulo dessa retomada.

Balenciaga Alta-Costura outono/inverno 2026
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