A 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (9/7), para apurar indícios de atuação coordenada em redes sociais voltada, em tese, a comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central e a intimidar jornalistas, teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O alvo principal foi o publicitário Thiago Miranda. Fundador da agência Mithi, ele intermediou a execução de levantamentos contra os desafetos da organização criminosa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Dentro das suspeitas e de novas informações publicizadas por meio de reportagens do portal Fatos Online, a Polícia Federal defendeu a necessidade da realização das medidas de busca e apreensão. A PGR foi a favor.
No entender do Ministério Público Federal, “os elementos de informação até então colhidos são consistentes quanto à materialidade e à autoria delitiva”. Além disso, “[o] quadro fático-probatório indica a necessidade, a utilidade e a pertinência de que o investigado seja alvo de busca e apreensão e busca pessoal, na medida em que há fortes elementos que apontam sua participação na organização criminosa”, afirmou em parecer.
A PGR requereu, ainda, que fosse realizada a “preservação imediata dos dados vinculados ao investigado, inclusive aqueles armazenados em serviços de computação em nuvem”. Também entendeu pertinente a concessão de expressa autorização para acesso forense às contas e aos ambientes virtuais associados a Thiago Miranda.
Intimidação
As investigações da PF apuram, ainda, a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Os fatos investigados podem configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
Ação contra CEO do Itaú
A Polícia Federal (PF) afirmou ainda que o empresário Daniel Vorcaro pediu um levantamento a Thiago Miranda sobre o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, após dizer que o executivo lhe “causava muito problema”.
As informações constam de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou, nesta quinta-feira (9/7), busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda.
A PF localizou mensagens que mostram Miranda produzindo um relatório confidencial com dados pessoais e patrimoniais do CEO do Itaú e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy.
Em um dos diálogos, Vorcaro envia uma mensagem ao publicitário: “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema”, escreveu o banqueiro.
Logo em seguida, Vorcaro prossegue: “Me ajuda nisso?”. Na sequência, Miranda responde: “Deixa comigo”.
Segundo a PF, Miranda informou a Vorcaro que estaria com tudo pronto sobre o CEO do Itaú, mas que gostaria de divulgar as informações “por outro veículo”.
“Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, disse o publicitário.
Leia também
De acordo com a PF, o material reunido por Miranda inclui informações pessoais e patrimoniais do executivo do Itaú e de sua esposa. Os investigadores afirmam ter encontrado um documento intitulado “Família Maluhy: Relatório sobre Execução Fiscal – Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy”, que circulava na agência MiThi, ligada ao publicitário.
Segundo a PF, o arquivo era identificado como contendo “informações confidenciais” e integra o que os investigadores classificam como uma “devassa” encomendada por Vorcaro, preso preventivamente na Papudinha.

