O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação preliminar sobre ação publicitária da montadora de veículos GWM Brasil realizada durante a etapa da Liga Mundial de Surfe (WSL) em Saquarema (RJ). Segundo a Procuradoria, em junho, “veículos automotores circularam pela faixa de areia e vegetação de restinga da Praia de Itaúna” (foto), de acordo com despacho obtido pelo Metrópoles.
A investigação teve como ponto de partida uma publicação de moradores em rede social, exibindo vídeos de veículos trafegando pela área durante o evento esportivo numa ação publicitária. No despacho, o procurador da República Leandro Mitidieri Figueiredo afirma que a atividade teria alcançado áreas do Parque Estadual da Costa do Sol (PECS), unidade de conservação ambiental.
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O MPF pediu explicações à GWM Brasil, à Liga Mundial de Surfe (WSL), ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Prefeitura de Saquarema (RJ). Eles terão de informar quem autorizou a ação, se houve licença do poder público e quais medidas ambientais serão adotadas para reparar, mitigar ou compensar eventuais impactos.
Ferrugem na areia no ano anterior
No mesmo procedimento, o MPF também cobrou explicações da WSL sobre uma estrutura metálica enferrujada encontrada na faixa de areia de Itaúna e atribuída ao evento realizado em 2025. A entidade deverá informar se o material já foi retirado e quais providências adotou para evitar que outros equipamentos permaneçam na praia após as competições.
O despacho é datado da segunda-feira (6/7). O prazo para a empresas, a liga, o órgão ambiental e a prefeitura responderem é de 15 dias, contados apenas quando receberem a notificação do MPF.
A Prefeitura de Saquarema disse ao Metrópoles que não foi notificada ainda mas que “vai averiguar os fatos e tomar as medidas cabíveis, caso necessário”. O órgão disse que atua junto com a Liga Mundial de Surfe para cuidar do meio ambiente, como a triagem e o descarte adequado do lixo gerado durante a etapa do campeonato na cidade. “As ações desenvolvidas pela WSL e pela Prefeitura de Saquarema durante o evento são prova desse cuidado”, afirmou a prefeitura em nota.
O Inea, o órgão estadual do meio ambiente, não respondeu a nenhuma pergunta do Metrópoles. Limitou-se a dizer que foi notificado pela Procuradoria e que vai explicar a situação ao Ministério Público.
A reportagem procurou a GWM e a liga também. Os esclarecimentos serão publicados se forem recebidos.

