Muitos tutores recorrem à chamada “vacina anti-cio” para evitar a reprodução de cadelas e gatas, mas desconhecem os perigos graves e ocultos que envolvem esse método. A injeção não é uma vacina real, e sim uma carga de progesterona de longa duração que bloqueia os sinais físicos do ciclo reprodutivo e age de forma agressiva no organismo. A facilidade financeira e a falta de informação sobre os riscos faz com que o produto seja usado de forma indiscriminada há anos no Brasil.
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De acordo com a professora Valeska Rodrigues, o acesso facilitado em pet shops e agropecuárias agravou a situação, permitindo a aplicação por atendentes ou até pelos tutores. O uso errado do hormônio, principalmente quando o animal já está gestante ou demonstra sinais de cio, pode trazer complicações fatais, pois impede o trabalho de parto correto, matando os filhotes no útero.
Atualmente, a medicina veterinária apoia novas legislações, como a recém-sancionada em Florianópolis (SC), que restringe o comércio direto de balcão sem prescrição médica.
Trata-se de um passo fundamental para o bem-estar animal, levando os tutores a buscarem orientação profissional antes de medicarem os animais de estimação.

A desinformação sobre a “vacina” e seus riscos
O nome do produto confunde os tutores de animais. Valeska Rodrigues esclarece que chamar o medicamento de vacina é um termo totalmente equivocado, já que a vacina é usada para desenvolver a imunidade contra doenças infecciosas.
A especialista explica que o nome se popularizou apenas pelo formato injetável, tratando-se na verdade de uma injeção hormonal baseada em progesterona, uma molécula de longa duração que imita a gestação e bloqueia o sangramento e o inchaço da vulva.
Infecções, tumores e a rotina grave nos consultórios
Na rotina clínica, as complicações são frequentes, incluindo infecção uterina com acúmulo de pus, morte fetal e tumores mamários.
A veterinária pontua que as gatas sofrem, também, com a hiperplasia mamária, caracterizada pelo “crescimento exagerado, doloroso e inflamatório do tecido mamário devido à extrema sensibilidade do tecido à progesterona”. Há inclusive casos raros em consultório de machos que desenvolveram a condição porque foram medicados por tutores que pensavam que eles eram fêmeas.

O volume de animais que chegam em estado grave ou necessitando de cirurgia de emergência devido aos efeitos dessa injeção é preocupante e a especialista ressalta que a grande maioria desses casos ocorre por pura falta de informação. O atendimento de cadelas com tumores de mama e gatas sofrendo com dores intensas nas mamas é frequente nos hospitais veterinários.
Restrições de venda e a segurança definitiva da castração
A indicação médica, em detrimento da “vacina hormonal”, é a castração cirúrgica. O resultado da cirurgia preventiva em um animal jovem e saudável é infinitamente superior e mais seguro do que operar emergencialmente um pet idoso e debilitado por infecções.
A castração oferece prevenção contra o câncer de mama se for realizada antes do terceiro cio do animal.
Para os tutores que enfrentam dificuldades financeiras, a recomendação é buscar campanhas gratuitas ou de baixo custo promovidas pelo governo, ONGs e centros de controle de zoonoses.
A professora do curso de medicina veterinária da Unifran conclui com um alerta para os tutores: “Procure sempre um veterinário quando tiver dúvidas. Nunca medique seu amigo de quatro patas por conta própria ou por indicação de leigos.”

