O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (7/7) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi “desmentido” pelos Estados Unidos. O pré-candidato à Presidência comentou a resposta enviada pelo Departamento de Estado dos EUA ao Metrópoles sobre o temor manifestado pelo Itamaraty de uma eventual ação militar norte-americana em território brasileiro.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar criticou o Ministério das Relações Exteriores e afirmou que a pasta atua para disseminar desinformação. “É preocupante que o Itamaraty atue como um órgão de desinformação e mentira petista.”
Na sequência, Flávio Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro foi desmentido pela diplomacia norte-americana.
“Vergonhoso que o governo Lula seja desmentido por uma instituição estrangeira séria.”
É preocupante que o Itamaraty atue como um órgão de desinformação e mentira petista.
Vergonhoso que o governo lula seja desmentido por uma instituição estrangeira séria.
Foi necessário o Departamento de Estado dizer o óbvio, para a mentira não virar narrativa de medo na… pic.twitter.com/CqOmA5nYuM
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 8, 2026
O senador também disse que a resposta do Departamento de Estado ao Metrópoles impediu que a hipótese levantada pelo governo brasileiro fosse utilizada como argumento político. “Foi necessário o Departamento de Estado dizer o óbvio, para a mentira não virar narrativa de medo na campanha petista.”
Por fim, Flávio sustentou que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas não representa ameaça ao país.
“A classificação do PCC e do CV como grupos terroristas não gera nenhum risco para o Brasil, exceto para os bandidos brasileiros.”
Resposta dos EUA
Mais cedo, o Metrópoles revelou a reação do governo do presidente Donald Trump às declarações do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
“Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas”, afirmou a diplomacia norte-americana.
O Departamento de Estado também rejeitou qualquer possibilidade de que a designação das facções tenha como objetivo justificar uma intervenção no Brasil e acrescentou que “alegações vagas” de ações militares podem “servir de pretexto para ajudar e incentivar alguns dos grupos mais violentos do mundo”.





Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
Divulgação/Donald TrumoFlávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
Divulgação/Donald TrumoO secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira
Arte/MetrópolesLula e Trump em foto oficial na Casa Branca
Ricardo Stuckert/PRDocumento do Itamaraty
No texto, o chanceler afirma que a decisão unilateral de Washington de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) pode abrir margem para medidas extraterritoriais contra instituições brasileiras, além de representar “o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”.
Segundo o ministro, a classificação também poderia permitir a adoção de medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral contra pessoas físicas, empresas e organizações brasileiras, inclusive aquelas sem vínculos diretos com os Estados Unidos ou com relações indiretas com as facções.
O documento ressalta, contudo, que o governo brasileiro não recebeu comunicação formal de Washington sobre a medida e afirma que a classificação é um ato unilateral dos Estados Unidos, embora o Brasil tenha manifestado oposição à iniciativa.
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Ofensiva contra PCC e CV
A resposta do Departamento de Estado ocorre em meio ao endurecimento da política do governo Trump contra as duas maiores facções criminosas do Brasil.
Na última semana, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou as primeiras sanções decorrentes da nova classificação. As medidas atingiram dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, acusados de integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

