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Audiência sobre tarifaço: tom técnico gera otimismo a participantes

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Audiência sobre tarifaço: tom técnico gera otimismo a participantes

Associações e representantes de empresas brasileiras que participaram da audiência sobre a proposta dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros avaliam as discussões com otimismo.

Elas acreditam que conseguiram transmitir às autoridades norte-americanas como a medida pode prejudicar não apenas o Brasil, mas também empresas e consumidores dos próprios EUA.

Na avaliação de participantes consultados pelo Metrópoles, o debate promovido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) nos últimos dois dias teve um caráter predominantemente técnico, com foco nos impactos econômicos da proposta, em contraste com a audiência realizada em 2025, marcada por um tom mais político.

“As sessões foram muito voltadas para o elemento técnico, com perguntas e respostas calcadas por elementos técnicos, questionando até que ponto o produto brasileiro é essencial para a economia norte-americana ou até que ponto não da para substituir por produtos com origem de outros lugares”, avalia José Pimenta, diretor de Comércio Internacional na BMJ Consultores Associados, que participou da audiência.

A audiência realizada nessa segunda (6/7) e terça-feira (7/7) foi aberta ao empresariado à sociedade civil, e segue o rito da investigação aberta pelo USTR no âmbito da Seção 301 da lei de comércio norte-americana.

Finalizada em junho, a investigação concluiu que o Brasil adota práticas desleais de comércio que oneram os Estados Unidos e propõe novas alíquotas sob a justificativa de equilibrar a balança comercial entre os dois países.

A maior parte das empresas e associações que participaram da audiência — e que se manifestaram através de comentários enviados ao USTR — se posicionaram contra a aplicação das tarifas, alegando que sobretaxar o Brasil gera danos não apenas à economia brasileira, mas à cadeia econômica e ao consumidor norte-americano.


Investigação contra o Brasil

  • Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil em junho e sugeriu que novas tarifas sejam aplicadas a produtos brasileiros importados pelos EUA.
  • A investigação era conduzida pelo USTR e concluiu que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais que prejudicam os Estados Unidos.
  • Neste sentido, o órgão sugeriu a adoção de uma taxa de 25% contra o país com a intenção de equilibrar a balança comercial bilateral.
  • A previsão é que as taxas sejam efetivamente aplicadas no dia 15 julho, período em que se encerra o processo de condução da investigação do USTR.
  • Ao fim das diligências, a proposta sugerida pelo USTR passa pelo período de audiência com consultas à sociedade civil. As tarifas sugeridas pelo órgão também passam pelo aval do presidente Donald Trump antes da efetiva aplicação.

Preocupação com o mercado do EUA

Em relato ao Metrópoles, José Pimenta, que marcou presença na audiência para representar setores da agricultura e da indústria brasileira, conta que os representantes do USTR que conduziram as sessões de forma pragmática e demonstraram preocupação com o impacto das alíquotas no mercado norte-americano.

Ainda segundo o especialista, grande parte dos questionamentos por parte dos funcionários norte-americanos dizia respeito à essencialidade do produto brasileiro para a indústria norte-americana.

“Nessa segunda fase [das investigações comerciais contra o Brasil] os representantes do USTR exploraram muito a essencialidade e o potencial de substituição do produto brasileiro dentro dos Estados Unidos, ressaltando bastante a possibilidade e a viabilidade da produção local. Mas os setores brasileiros foram categóricos nas argumentações e ficou comprovada a essencialidade dos produtos brasileiros e os efeitos para os consumidores norte-americanos”, conta José Pimenta.

A avaliação é compartilhada por Fausto Varela Cançado, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer) e associado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Na visão dele, os setores conseguiram apresentar argumentos consistentes, reforçados pelos depoimentos de empresas e importadores baseados nos Estados Unidos.

Até mesmo empresas norte-americanas se posicionaram contra as tarifas. Gigantes como a Coca-Cola, Tesla e eBay, além da europeia Nestlé, apresentaram ao USTR pedidos para que produtos brasileiros fiquem de fora da nova tarifa, alegando que a medida também causaria prejuízos à economia dos próprios Estados Unidos.

A Tesla, do bilionário Elon Musk, por exemplo, pede que o USTR considere as limitações atuais das cadeias globais de suprimentos e argumentou que diversos componentes utilizados pela indústria americana ainda dependem de fornecedores brasileiros.

A fabricante de veículos elétricos afirma ainda que novas restrições poderiam reduzir a competitividade dos EUA e afetar consumidores.

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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA
Setores da Indústria e comércio do Brasil marcaram presença na audiência para testemunhar contra as tarifas
Metrópoles
Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA
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Brasil voltou a entrar no radar de tarifas dos EUA

Iskandar Zulkarnaen/Getty Images
Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil

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Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA
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Eduardo e Flávio Bolsonaro durante audiência do USTR sobre tarifaço nos EUA

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Setores da Indústria e comércio do Brasil marcaram presença na audiência para testemunhar contra as tarifas
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Setores da Indústria e comércio do Brasil marcaram presença na audiência para testemunhar contra as tarifas

Divulgação

Setores sentem otimismo após audiência

O tom pragmático e analítico das discussões geraram um sentimento de otimismo aos representantes brasileiros que participaram das discussões.

A percepção para os participantes consultados pelo Metrópoles é que pode haver um recuo dos Estados Unidos diante a evidência da essencialidade do mercado brasileiro para os norte-americanos – seja com a revogação das taxas ou o aumento da lista de isenções.

Presidente do Sindifer, Fausto Varela Cançado acredita que o setor do aço representado por ele na audiência pode acabar sendo beneficiado após as discussões desta semana. “Saímos esperançosos de que possa haver uma reversão no quadro e até mesmo que possamos entrar na lista de excessões”, conta ao Metrópoles.

“Nós temos a expectativa e a esperança de que possa reverter esse quadro. Uma coisa que foi muito determinante foi o posicionamento dos importadores americanos, que são os que utilizam o ferro-gusa como matéria-prima. Isso foi muito bom porque demonstrou o impacto que pode ser causado caso a tarifa venha a ser implementada”, conta Cançado.

A avaliação é reforçada ainda por Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), que esteve na audiência representando o setor. Ainda segundo Silva, a audiência foi um ambiente “receptivo” e importante para demonstrar a essencialidade do arroz produzido pelo Brasil para o mercado norte-americano.

“A solicitação de inclusão do arroz brasileiro na lista de exceções é bem fundamentada, considerando os potenciais impactos sobre pequenas e médias empresas americanas que atendem ao nicho de comunidade latina, como toda a cadeia de valor envolvida, de logística, transporte, armazenagem e o potencial aumento de custo para o consumidor americano”, defendeu.

Silva declarou ainda que buscou ressaltar após questionamento do USTR que já existem relações comerciais bem estabelecidas entre importadores americanos e exportadores brasileiros, “que não podem ser substituídas de forma imediata” e que “o arroz produzido nos Estados Unidos não substitui naturalmente o arroz brasileiro, em função da preferência e do perfil dos consumidores atendidos”.

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