Goiânia – O menino que nasceu na capital goiana e começou a treinar capoeira como uma distração nas proximidades do bairro em que morava, não imaginava que sua trajetória seria dominada por esse esporte. A luta, que se mistura com a dança e a mandinga brasileira, levou Alexandre Ronan de Sousa, o Mestre Pequinês, de 52 anos, a alçar voos internacionais.
Atualmente, com mais de quatro décadas dedicadas à capoeira, e uma história marcada pela formação de atletas, professores, contramestres e mestres, ele se mudou para Miami, nos Estados Unidos, onde realiza um trabalho pela preservação da cultura brasileira e pela expansão internacional da capoeira.
Entre os projetos está o Elite Capoeira Fight, evento considerado como o UFC da capoeira.
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Amor pela capoeira
De acordo com o Mestre Pequinês, que completa 43 anos na capoeira em 2026, ele começou a vida esportiva lutando judô, aos 9 anos, no entanto, ao passar pela Escola Superior de Educação Física de Goiás (Eseffego), situada no mesmo bairro onde morava, ele ouviu o som de um berimbau e se apaixonou.
“Quando vi uma aula de capoeira, o som do berimbau, as pessoas dando mortal, aqueles movimentos todos, foi amor à primeira vista”, contou.
Segundo ele, os treinos começaram aos 10 anos e, aos 17 ele já era professor em um centro comunitário. “Eu comecei a dar aula e foi uma experiência transformadora. Em 1989 disputei os meus primeiros torneios, fui campeão goiano de capoeira e isso me deu uma outra visão sobre o esporte, eu não queria mais nada da vida, queria a capoeira também como profissão”, ressaltou ele, que anos depois criou o Grupo Internacional Capoeira Nagô.
Com sede em Goiânia, o grupo se expandiu e, atualmente, está presente em 20 países. “Eu sou ‘goiano do pé rachado’, não imaginava sair da minha cidade, mas, quando parei para ver, eu já tinha rodado o mundo com a capoeira. Conheço mais de 50 países, sou chamado para eventos em todos os lugares. O nosso primeiro núcleo fora do Brasil foi em Nova York, no centro do mundo”, disse ele.
Retorno e expansão
Em uma de suas viagens, Mestre Pequinês se apaixonou por Miami, nos Estados Unidos, e disse que foi abraçado pela Flórida. “Cheguei em Miami e a cidade sorriu para mim. Recebi apoio de muitas pessoas que já estavam aqui e eu sorri de volta. Então, aproveitando o glamour desse lugar, pensei em dar algo a mais para a capoeira, tive a ideia de colocar essa nova roupagem no esporte”.
Ao se juntar com os ex-atletas do UFC André Gusmão e Cezar Mutante, o produtor Marcelo Gama, Erlon de Souza, o grupo criou o Elite Capoeira Fight, conhecido como UFC da capoeira. O projeto nasceu com o objetivo de apresentar a capoeira ao mundo como uma modalidade de luta, esporte e performance atlética de alto nível.
De acordo com ele, o evento aproxima a capoeira do universo das artes marciais mistas, valorizando seus aspectos combativos, acrobáticos, técnicos, estratégicos e culturais. Com transmissões on-line, presença nas redes sociais e participação de atletas de diferentes países, o Elite Capoeira Fight fortalece a capoeira como esporte global e amplia sua presença no cenário internacional.
“Nós colocamos a capoeira dentro do maiores estúdios de TV de Miami. Agregamos a luta ao show, a experiência de atletas renomados e uma competição de alto nível que só valoriza o esporte, com atletas do mundo todo. É um produto muito bom, a capoeira merece esse reconhecimento”, afirmou ele.
Nas redes sociais, o perfil do evento já soma quase 23 mil seguidores. Agora, após duas edições nos Estados Unidos, Pequinês já programa uma edição no Brasil, onde também pretende realizar trabalhos sociais. “Quero conseguir devolver para o meu estado de Goiás um pouco do que ganhei, ajudar pessoas a realizarem esse mesmo sonho que realizei”, completou ele.

