Viajar para outro país exige mais do que passaporte e passagens compradas. Dependendo do destino, o viajante precisa atualizar vacinas, emitir certificados internacionais e receber orientações específicas para reduzir o risco de doenças durante a estadia. Pouca gente sabe, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito direcionado justamente para esse planejamento.
No Distrito Federal, a Sala do Viajante, localizada no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), presta atendimento para quem pretende viajar ao exterior. Em São Paulo, o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e o Ambulatório dos Viajantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) também disponibiliza esse tipo de assistência.
O serviço avalia o destino da viagem, confere a situação vacinal, orienta sobre doenças comuns em cada região e informa quais medidas preventivas devem ser adotadas antes, durante e depois do embarque.
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Atendimento deve ser procurado com antecedência
O planejamento é uma das principais recomendações dos especialistas. No HRAN, a orientação é que o viajante procure atendimento pelo menos 30 dias antes da viagem, já que algumas vacinas precisam de tempo para produzir proteção e, em alguns casos, exigem mais de uma dose.
Segundo o médico generalista Fernando Oliveira de Moraes, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), também é importante verificar as exigências sanitárias do país de destino.
“Além das vacinas, orientamos sobre medicações, risco de raiva, mal da altitude e outras situações que podem ser encontradas durante a viagem”, destaca Fernando.
Já no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a recomendação é procurar o ambulatório pelo menos 15 dias antes do embarque. Para o atendimento específico aos viajantes, é necessário realizar agendamento prévio por telefone.
Vacinas e orientações variam de acordo com o destino
Durante a consulta, os profissionais analisam o cartão de vacinação físico ou os registros disponíveis na plataforma Meu SUS Digital para verificar se a imunização está em dia. Caso haja vacinas disponíveis na rede pública e indicadas para aquele viajante, elas podem ser aplicadas no próprio atendimento.
Além da imunização, a avaliação leva em consideração o perfil da viagem. São discutidos riscos relacionados à malária, doenças transmitidas por mosquitos, água e alimentos contaminados, por exemplo, além de problemas associados à altitude e aos voos de longa duração, como trombose.
Alguns países também exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) para autorizar a entrada de visitantes.
Informação evita problemas durante a viagem
De acordo com os especialistas, um dos erros mais frequentes é deixar para buscar orientação poucos dias antes do embarque ou desconhecer os riscos existentes no destino escolhido.
A médica assistente Amanda Nazareth Lara, do CRIE/Ambulatório dos Viajantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), afirma que a consulta permite individualizar as recomendações para cada pessoa.
“As orientações são adaptadas ao perfil de cada viajante e ao roteiro da viagem, aumentando a proteção contra doenças que poderiam ser evitadas com medidas simples”, explica Amanda.
Esse tipo de atendimento também está disponível em outros estados brasileiros. Hospitais universitários, centros de imunização e ambulatórios especializados em medicina do viajante oferecem consultas gratuitas pelo SUS para orientar quem pretende viajar ao exterior.
Além de atualizar vacinas, o atendimento do SUS ajuda o viajante a compreender quais cuidados devem ser adotados durante a permanência no exterior, reduzindo riscos à saúde e evitando imprevistos que podem comprometer a viagem.

