Chefes de Estado e de governo dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) reúnem-se a partir desta terça-feira (7/7) em Ancara, capital da Turquia, para a cúpula anual da aliança militar.
Com a presença confirmada do presidente dos EUA, Donald Trump, o encontro tem na pauta temas cruciais de segurança global, incluindo o aumento dos investimentos em defesa, os desdobramentos da recente guerra com o Irã, a segurança marítima no Estreito de Ormuz e as diretrizes para o conflito na Ucrânia.
Apesar do caráter de aliança, o evento deve ser marcado por profundas disputas diplomáticas, uma vez que as posições de Trump divergem da maioria dos integrantes em praticamente todas as pautas.
A relação entre a Casa Branca e os aliados europeus, historicamente tensionada pelas críticas anteriores de Trump à organização, deteriorou-se consideravelmente após o conflito com o Irã. Na ocasião, a maioria das nações da aliança recusou-se a enviar reforços ou ceder apoio logístico e bases aéreas para as operações coordenadas por EUA e Israel.
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A resistência europeia em participar de missões militares para patrulhar e reabrir o Estreito de Ormuz gerou forte descontentamento em Washington, que agora busca cobrar maior reciprocidade mútua.
Diante desse cenário, a delegação americana pretende intensificar a pressão pelo cumprimento das metas de gastos militares. Embora o acordo firmado na cúpula anterior estipulasse a elevação do financiamento de defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) de cada nação — divididos entre defesa tradicional e melhorias de infraestrutura —, o embaixador dos EUA na Otan, Matt Whitaker, alertou que muitos membros continuam inadimplentes com o compromisso.
O governo americano sustenta que há um desequilíbrio na aliança e pretende colocar em xeque o tamanho do contingente militar dos EUA estacionado na Europa.
A insatisfação de Washington fomenta discursos drásticos, com Trump mencionando de forma reiterada a possibilidade de retirar os Estados Unidos da Otan, enquanto assessores propõem uma reestruturação profunda do pacto.
Otan 3.0
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, chegou a cunhar o termo “Otan 3.0” para definir o novo modelo idealizado pela Casa Branca, expressão que gerou forte apreensão e questionamentos nas principais capitais europeias.
Tentando mitigar as divisões antes do início da cúpula, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, visitou a Casa Branca para sinalizar uma transição rumo a uma maior responsabilidade fiscal da Europa, preservando o engajamento de Washington.
Nos bastidores da reunião, as atenções também estarão voltadas para o primeiro encontro entre Donald Trump e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, após meses de troca de farpas públicas.
Considerados aliados ideológicos próximos no início do mandato do republicano, o relacionamento ruiu após o governo italiano vetar o uso da base aérea de Sigonella, na Sicília, como suporte logístico para as forças americanas durante as hostilidades contra o Irã. Desde o veto, Trump passou a fazer ataques pessoais, criticando a baixa popularidade de Meloni e afirmando que ela teria implorado por uma foto ao seu lado.
A chefe do governo italiano, por sua vez, reagiu publicamente classificando as investidas do líder americano como “constantes e gratuitas” e pontuando que a excessiva associação inicial ao nome de Trump prejudicou sua aceitação política interna.
Impasse sobre o Irã
No âmbito do debate sobre o Irã, a disparidade de visões permanece nítida: enquanto o governo americano cobra engajamento punitivo, a Europa argumenta que Washington tentou arrastar a aliança para uma guerra desnecessária que desestabilizou a economia global através da alta nos preços do petróleo.
Com o atual restabelecimento do cessar-fogo e a retomada gradual do tráfego marítimo por Ormuz, o bloco europeu foca seus esforços em transformar a trégua em um tratado permanente para evitar novas crises energéticas.
O impasse estende-se à condução da guerra na Ucrânia, que continua sendo um dos testes mais complexos para a coesão da Otan. Um bloco sólido de nações europeias defende veementemente a manutenção do suporte financeiro, político e logístico a Kiev pelo tempo que for necessário.
Em contrapartida, Trump estabeleceu como meta prioritária o encerramento célere das hostilidades e planeja pressionar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a aceitar um plano de termos de paz em uma reunião bilateral agendada à margem da cúpula, dias após acertar uma conversa telefônica ainda sem data com o presidente russo, Vladimir Putin.
Com informações da RFI.

