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BH quer trocar concreto por áreas verdes para reduzir alagamentos

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
BH quer trocar concreto por áreas verdes para reduzir alagamentos

Belo Horizonte – A Prefeitura da capital mineira lançou, nesta terça-feira (7/6), o programa BH Cidade Viva – A natureza protegendo o nosso futuro. A iniciativa reúne ações voltadas à adaptação da capital às mudanças climáticas. O projeto prevê a implantação de soluções baseadas na natureza para reduzir alagamentos, amenizar as ilhas de calor e ampliar as áreas verdes da cidade, começando pela região de Venda Nova.

Programa aposta na “desconcretização” da cidade

A principal proposta do BH Cidade Viva é substituir áreas impermeabilizadas por espaços com vegetação, permitindo que a água da chuva infiltre naturalmente no solo e reduzindo a sobrecarga do sistema de drenagem urbana.

Segundo o prefeito Álvaro Damião (União), a cidade foi excessivamente coberta por concreto ao longo dos anos, o que contribui para enchentes durante períodos de chuva intensa.

A estratégia prevê a criação de áreas gramadas, jardins, parques e outras soluções naturais para diminuir o volume de água que chega rapidamente às galerias pluviais.

O lançamento contou com a presença do prefeito Álvaro Damião, representantes da Prefeitura e de instituições internacionais parceiras, entre elas o Cities Finance Facility (CFF), a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e representantes do governo britânico.

Durante a cerimônia, também foram assinados o decreto que institui oficialmente o programa e o Memorando de Entendimento entre a Prefeitura e o CFF. A parceria internacional garantiu mais de R$ 15 milhões para estudos, projetos e modelagens das futuras intervenções.

Primeiras obras serão em Venda Nova

As primeiras intervenções serão executadas na região de Venda Nova, beneficiando diretamente mais de 60 mil moradores.

Entre as ações previstas está a implantação de um parque ciliar agroflorestal com mais de 350 mil metros quadrados às margens de cursos d’água. O espaço será destinado à recuperação ambiental e também permitirá o cultivo de hortas, frutas e outras espécies agroflorestais, gerando renda para moradores da região.

O programa também prevê a criação de aproximadamente 13 quilômetros de rotas verdes, com arborização e espaços mais confortáveis para deslocamentos entre residências, escolas e equipamentos públicos.

Jardim de chuva marca início das intervenções

A primeira entrega do programa será um jardim de chuva na Escola Municipal Professor Moacyr Andrade, em Venda Nova.

Desenvolvida em parceria entre estudantes, pesquisadores e técnicos da Prefeitura, a estrutura foi projetada para captar e infiltrar a água da chuva diretamente no solo, além de funcionar como um filtro natural que melhora a qualidade da água, reduz o escoamento superficial e contribui para o aumento da biodiversidade urbana.

Escolas terão áreas verdes e sistemas para captar água da chuva

Outra frente do programa será a transformação de quatro equipamentos públicos — duas escolas municipais de ensino fundamental, uma escola de educação infantil e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Lagoa.

Os locais terão áreas pavimentadas substituídas por jardins, telhados verdes e sistemas de captação de água da chuva. Ao todo, serão implantados mais de 37 mil metros quadrados de estruturas capazes de armazenar e infiltrar a água no solo, contribuindo para reduzir alagamentos e amenizar as altas temperaturas.

O projeto também contempla a construção de dois campos de futebol hídricos, preparados para absorver parte da água das chuvas.

O espaço também servirá como laboratório a céu aberto para pesquisas sobre qualidade da água, temperatura e recuperação ambiental, com participação do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Santa Luzia e de estudantes do Programa Delfín, que reúne instituições científicas da América Latina.

Projeto será expandido para outras regiões

Além de Venda Nova, a Prefeitura pretende ampliar o BH Cidade Viva para outras regiões da capital. O programa inclui ainda a implantação de corredores ecológicos, recuperação de nascentes, ciclovias, drenagem urbana sustentável, ampliação da arborização e sistemas de captação de águas pluviais em escolas e unidades de saúde.

A proposta também prevê participação da comunidade, de universidades e de instituições parceiras na implantação, manutenção e monitoramento das intervenções, fortalecendo as ações de adaptação climática e planejamento urbano sustentável em Belo Horizonte.

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