Indiciada pela Polícia Civil por homicídio qualificado e fraude processual após a morte da estudante Maria Eduarda, de 21 anos, durante um salto de rope jump na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, a CEO Evelyne dos Santos Gonçalves escreveu uma carta na qual nega ser responsável pela organização do evento e afirma que sua atuação se limitava à divulgação e ao atendimento dos participantes.
Na carta, Evelyne diz que trabalhava como freelancer havia cerca de oito meses e que não participava das decisões relacionadas à realização dos eventos.
“A minha participação era somente nas atividades que eu era chamada para trabalhar. Eu não tinha poder de decisão sobre a realização dos eventos, não fazia contratações, não realizava pagamentos, não coordenava funcionários e nem participava das decisões sobre montagem, manutenção, funcionamento dos equipamentos ou questões de segurança”, escreveu.
Evelyne afirma também que toda a organização, o planejamento e as decisões relacionadas aos eventos eram de responsabilidade de Luís Felipe Feliciano Egoroff. Segundo ela, era ele quem coordenava as equipes, definia a estrutura necessária para a realização dos saltos e tomava as decisões sobre o funcionamento das atividades.
Ainda na carta, segundo Evelyn, os pagamentos feitos pelos participantes eram direcionados diretamente a Luís Felipe, por meio da maquininha de cartão, do Pix e do WhatsApp cadastrados em nome dele. Ela acrescenta que não tinha acesso aos valores arrecadados nem participava da gestão do dinheiro.






Jovem que morreu em salto de rope jump
Instagram/ReproduçãoMaria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Reprodução/Redes sociaisMaria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Reprodução/Redes sociaisMaria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Reprodução/Redes sociaisMaria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e sofreu politraumatismo. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Reprodução/Redes sociaisContradições
As alegações apresentadas por Evelyne na carta, no entanto, são diferentes das conclusões da Polícia Civil. No relatório final do inquérito, que fundamentou o indiciamento por homicídio qualificado e fraude processual, a delegada Andréa Levy afirma que há elementos que apontam para uma atuação mais ampla da investigada na organização dos eventos.
Segundo a investigação, Evelyne integrava o núcleo responsável pela realização das atividades e participava da definição de aspectos logísticos, da administração dos participantes, da divulgação dos saltos e da manutenção da estrutura operacional necessária para a execução do evento.
Indiciamento
Evelyne dos Santos Gonçalves, presa sete dias após a morte da jovem Maria Eduarda foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio qualificado e fraude processual.
Leia também
A mulher se apresentava como CEO do grupo “Entre Cordas”, responsável pelo evento de rope jump. Ela é acusada de obstrução de elementos considerados relevantes para o trabalho da polícia. A delegada responsável pelo caso, Andréa Levy, destacou haver “elementos que demonstram que Evelyne integrava o núcleo organizacional responsável pela realização da atividade, participando da definição de aspectos logísticos do evento, administração dos participantes, divulgação da atividade e manutenção da estrutura operacional necessária para sua execução”.
O indiciamento de Evelyne se dá no âmbito da nova investigação aberta para entender a conduta dela e de outros dois presos no caso, João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins. Os homens não foram indiciados, e a polícia pediu a revogação da prisão deles. Já Evelyne teve o pedido de conversão da prisão temporária para preventiva encaminhado à Justiça.
O inquérito foi enviado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) nessa quarta-feira (1º/7).
Conforme publicado pelo Metrópoles, Evelyne dos Santos detalhou, em depoimento à polícia, o dia da tragédia. Ela contou não ter visto o momento do salto, mas ouviu o barulho da queda e percebeu a reação de espanto do público e dos instrutores. Veja:

