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4 de julho: data Mundial (por José Sarney)

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4 de julho: data Mundial (por José Sarney)

Amanhã, dia 4 de julho, os Estados Unidos comemoram 250 anos da declaração de sua Independência. Digo que é uma data significativa da História do Mundo. Não pelo que diz respeito à separação de um país de outro, criando uma nova Nação, mas pela sua Declaração de Independência, na qual foram fixados os conceitos de Direitos Humanos surgidos na Revolução Francesa e tornados objetivos e profundos, de modo a deflagar uma Revolução mundial que consolidou os ideais de liberdade. Não resisto a transcrever o preâmbulo dessa Declaração, aprovado na sessão do II Congresso Continental, em Filadélfia, no dia 2 de julho de 1776:

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos Direitos inalienáveis, entre os quais estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade. Que, para garantir esses direitos, governos são instituídos entre os Homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados. Que, sempre que qualquer Forma de Governo se torne destrutiva desses fins, é o Direito do Povo alterá-la ou aboli-la e instituir um novo Governo, lançando seus fundamentos sobre os princípios e organizando seus poderes das formas que lhes pareça mais adequada para proporcionar sua Segurança e Felicidade.

Essa declaração foi escrita originalmente por Thomas Jefferson, esse homem extraordinário, que tanta contribuição e exemplo deu à política e aos políticos do mundo inteiro durante estes dois séculos e meio. O Presidente Kennedy, quando fazia uma homenagem aos premiados do Nobel, reunindo grandes nomes da cultura, na Casa Branca, em Washington, disse: “Hoje é o dia em que esta Casa recebe a maior quantidade de inteligência do mundo, exceto quando, como Presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson meditava sozinho nesta sala.” Essa era a avaliação da grandeza desse homem.

No dia 28 de junho de 1776, Jefferson submeteu sua proposta de declaração a John Adams e Benjamin Franklin, seus companheiros de comitê de redação. Desde o dia 7 de junho o Congresso discutia a proposta de Richard Henry Lee de que fosse feita uma declaração de que os Estados Unidos da América eram independentes. Aprovada no dia 2 de julho, pelo voto unânime de 12 delegações — Nova York se absteve —, o texto foi aprovado com cortes.

O Congresso retirou um quinto do texto de Jefferson, inclusive um que denunciava o rei pelo tráfico de escravos e pela escravidão. Pelo resto da vida Thomas Jefferson lamentou essa poda e responsabilizava essa decisão por muitos dos problemas futuros dos EUA.

Lembro que no Brasil José Bonifácio também lamentava que a nossa independência não tivesse resolvido o problema indígena e o da escravidão. Ele explicava que o primeiro passo era acabar com a política de enfrentamento que existia e a sangrenta e sistemática matança dos índios. A relativa à escravidão também não era menor, responsável pelo sofrimento e pela constante tortura dos pretos, além da política de considerá-los “coisa”, objeto de propriedade; propunha a emancipação progressiva, uma reforma agrária para lhes dar condições de vida autônoma e sua educação.

José Bonifácio concluía seu pensamento dizendo que “nossa independência não se completou porque não resolveu estes dois problemas”.

Mais sobre a data de 4 de julho, 250 anos da Declaração de Independência americana: sabemos que, a partir dessa data, saiu do continente americano, do Novo Mundo, o país que iria divulgar os ideais de liberdade, dos direitos humanos, como apanágio de todos que desejam viver livres e que abominam todos os autoritarismos e regimes de força.

Por isso lamentamos a presidência atual de Donald Trump, rompendo com a missão messiânica de sua pátria, ao mudar a destinação dos Estados Unidos, seu histórico exemplo de liberdade, de respeito aos direitos humanos e pregar a negação desses princípios que mudaram o mundo e continuarão mudando.
Nossa admiração pelos Estados Unidos, por esses ideais que nos inspirarão permanentemente, se sustenta na esperança de que estas distorções atuais passarão.

Ao finalizar estas linhas não posso deixar de dizer que minha mãe nasceu em 4 de julho de 1911 e amanhã completaria 115 anos — dela permanece uma saudade que não passa e um amor de mil anos.

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