Quase metade dos casos de demência pode estar relacionada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida. Apesar da boa notícia, apenas informar a população sobre os riscos não tem sido suficiente para reduzir o problema. A conclusão é de uma revisão sistemática publicada em 30 de junho na revista científica The Lancet Healthy Longevity.
O trabalho reuniu evidências sobre campanhas e programas de prevenção da demência realizados em oito países para entender quais estratégias realmente ajudam as pessoas a adotar hábitos mais saudáveis.
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Os pesquisadores concluíram que grandes campanhas de conscientização conseguem ampliar o conhecimento da população, mas costumam provocar poucas mudanças de comportamento.
Segundo os autores, até 45% dos casos de demência estão ligados a fatores modificáveis, como estilo de vida, condições de saúde e aspectos do ambiente em que a pessoa vive.
Isso não significa que todos esses casos possam ser evitados, mas indica que reduzir fatores de risco pode diminuir a ocorrência da doença na população. De acordo com os cientistas, existe uma diferença importante entre conhecer os fatores de risco e conseguir mudar a rotina.
O que é demência?
- Demência é um conjunto de sinais e sintomas, incluindo esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes.
- Atualmente, o SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde.
- Um diagnóstico precoce permite ações terapêuticas que podem retardar sintomas, aliviar a carga familiar e melhorar a qualidade de vida.
- Dados do Ministério da Saúde mostram que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos ou retardados.
Apoio prático faz diferença
O estudo constatou que programas mais participativos costumam apresentar melhores resultados do que ações baseadas apenas na divulgação de informações. Entre as estratégias consideradas mais eficazes estão:
- Programas on-line com orientações práticas para melhorar a saúde do cérebro;
- Avaliações individualizadas de risco;
- Iniciativas desenvolvidas dentro das comunidades, conduzidas por profissionais de saúde, educadores ou líderes locais.
Para a professora Blossom Stephan, pesquisadora da Curtin University e coautora do estudo, muitas pessoas ainda acreditam que a demência faz parte do envelhecimento, o que dificulta a adoção de medidas preventivas.
“Há ainda uma crença generalizada de que a demência é uma parte inevitável do envelhecimento, o que não é verdade”, afirma em comunicado à imprensa.
Ela acrescenta que obstáculos como falta de tempo, custo e motivação também dificultam mudanças de estilo de vida. Os autores defendem que futuras políticas públicas combinem campanhas de conscientização com acompanhamento contínuo e estratégias adaptadas à realidade de cada comunidade.
A conclusão da revisão é que prevenir a demência depende mais do que informação. Para transformar conhecimento em ação, é necessário oferecer apoio prático, orientações e programas que ajudem as pessoas a manter hábitos saudáveis ao longo do tempo.

