Um guarda civil metropolitano (GCM), um ex-integrante da corporação e outros dois homens foram condenados pela Justiça de São Paulo por integrar uma organização criminosa voltada ao comércio ilegal de armas de fogo e munições que atuava na região da Cracolândia, região central da capital paulista. A decisão foi publicada nesta terça-feira (1º/7). Um quinto réu foi absolvido por insuficiência de provas.
Entre os condenados, estão o guarda civil metropolitano Elias Silvestre da Silva e o ex-GCM Rubens Alexandre Bezerra, apontado pela investigação como um dos principais articuladores do esquema. Também foram condenados Edno Sousa da Silva e Odair José Gonçalves Rodrigues. Segundo a sentença, todos foram responsabilizados pelos crimes de organização criminosa e comércio ilegal de armas de fogo.
As penas variam de 11 anos e 1 mês a 16 anos, 5 meses e 5 dias de prisão, todas em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. Rubens Alexandre Bezerra recebeu a maior condenação, de 16 anos, 5 meses e 5 dias de reclusão. Na sequência aparecem Edno Sousa da Silva, condenado a 15 anos e 9 meses; Odair José Gonçalves Rodrigues, a 14 anos, 11 meses e 22 dias; e Elias Silvestre da Silva, condenado a 11 anos e 1 mês de prisão.
Na mesma decisão, o juiz absolveu Rubens Alexandre Bezerra e Odair José Gonçalves Rodrigues de parte das acusações por entender que não havia provas suficientes para sustentar pontos específicos da denúncia. Já Ednaldo de Almeida Passos foi absolvido de todas as acusações, também por insuficiência de provas.
O magistrado também decretou a perda dos cargos públicos dos condenados que exerciam função pública. Segundo a decisão, as penas superiores a quatro anos e a natureza dos crimes praticados são incompatíveis com o exercício da função pública, conforme prevê o Código Penal.
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GCMs atuava com PCC na Cracolândia
A condenação é resultado da Operação Salus et Dignitas, que aconteceu em agosto de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio das forças de segurança, incluindo GCMs, para desarticular uma organização criminosa que atuava na região da Cracolândia.
Segundo as investigações, o grupo era formado por guardas civis metropolitanos, um ex-integrante da corporação e outros suspeitos, acusados de manter um esquema de extorsão, comércio ilegal de armas e outros crimes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na época, os investigadores apontaram que a organização cobrava dinheiro de comerciantes em troca de proteção contra criminosos e usuários de drogas que circulavam pela região. O grupo também é acusado de atuar no fornecimento de armas, receptação de produtos roubados, lavagem de dinheiro e outros negócios ilícitos que abasteciam financeiramente a estrutura criminosa.
Entre os alvos da operação estava o GCMs metropolitano Rubens Alexandre Bezerra, apontado pelo Ministério Público como um dos principais articuladores do esquema. De acordo com a investigação, ele seria responsável por negociar armas de fogo, equipamentos usados para interceptar comunicações policiais e outros materiais destinados ao crime organizado, além de manter ligação com integrantes do PCC.

