O brasileiro sancionado pelos Estados Unidos é suspeito de lavar US$ 30 milhões em valores ilícitos, usando criptomoedas para enviar os valores de volta ao Brasil em nome do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo da sanção, faz parte de um grupo de pessoas e empresas brasileiras que tiveram sanção anunciada nesta quarta-feira (1/7) pelo Departamento de Tesouro dos EUA –trata-se da primeira punição após o governo Donald Trump denominar o PCC como organização terrorista.
De acordo com o governo norte-americano, a rede de lavagem de dinheiro do PCC funciona na Flórida e em São Paulo. A ação cita que, em janeiro, o FBI prendeu seis integrantes do grupo sediado na Flórida, que foram denunciados por lavagem de dinheiro no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida.







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ReproduçãoA ação anunciada nesta quarta pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) tem como alvo o núcleo paulista, liderado por Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
O comunicado dos EUA afirma ainda que Shimada também esteve envolvido em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Em janeiro de 2025, ele chegou a ficar brevemente em prisão domiciliar no Brasil porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda. (Victory Trading), teria sido utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube brasileiro de futebol em um esquema de fraude publicitária, diz a ação.
A Victory Trading, empresa sancionada pelo Departamento do Tesouro dos EUA por elo com o PCC, é alvo da investigação sobre o escândalo da Vai de Bet, firma que patrocinou o Corinthians, e teria usado o vínculo com o clube para lavar dinheiro.
Japa e Lara Croft
De acordo com documentos da Justiça dos Estados Unidos, Shimada seria conhecido como Japa e Stella como Prima e Lara Croft, uma referência à protagonista do jogo de videogame Tomb Raider. O documento afirma que eles teriam facilitado a movimentação e a lavagem de recursos ilícitos, inclusive para fornecedores de drogas como Manuel Garcia-Urrea, também conhecido como Manny e M, do México.
Os documentos afirmam que eles teriam trabalhado em estreita colaboração com facilitadores baseados nos Estados Unidos, como Ygor Fokin Saviolli, também conhecido como YG e Boa Sorte, em um esquema para depositar dinheiro de origem ilícita — incluindo recursos provenientes do tráfico de drogas — em diversos bancos espalhados pelos Estados Unidos. O objetivo era de ocultar sua origem e devolver esses lucros, entre outros destinatários, aos fornecedores das drogas.
Além disso, eles teriam atuado em conjunto com facilitadores e transportadores de dinheiro na ocultação dos US$ 30 milhões em locais como Miami (Flórida), Rochester (Nova York), Chicago (Illinois), Cleveland (Ohio), Atlanta (Geórgia), Minneapolis (Minnesota), Los Angeles (Califórnia), Denver (Colorado), Seattle (Washington), Houston (Texas), Kansas City (Kansas) e Pensacola (Flórida).
Facções terroristas
Em 5 de junho, o governo Donald Trump classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
O enquadramento, assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, altera consideravelmente o “status jurídico” das duas facções criminosas perante a comunidade internacional.
Ao serem oficialmente designadas como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), as duas organizações brasileiras deixam de ser tratadas pela inteligência americana apenas como gangues criminosas locais ou cartéis de narcotráfico.
Essa mudança confere ao governo dos EUA poder de persecução global muito mais agressivo, permitindo a mobilização de agências de segurança nacional para rastrear, sufocar e neutralizar as redes operacionais de ambos os grupos fora do território brasileiro.
Além de viabilizar o cerco financeiro, a designação ativa rigoroso dispositivo penal contra qualquer indivíduo ou empresa que preste apoio às facções.
O enquadramento na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA (INA) impõe severas restrições de mobilidade e imigração para lideranças e membros cadastrados de ambas as facções.
Qualquer cidadão estrangeiro comprovadamente vinculado ao PCC ou ao CV tem seu visto americano cancelado e torna-se legalmente inadmissível nos Estados Unidos, com ritos de deportação imediata, caso já se encontre em território americano.

