A Americanas informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que não sabe explicar por que a Polícia Federal (PF) usou a cifra de R$ 54 bilhões para definir o valor da fraude contábil constatada na empresa, que deu origem a um dos maiores escândalos corporativos do país. A afirmação da companhia foi feita em comunicado enviado na noite de terça-feira (30/7) em resposta a um ofício da própria CVM.
Leia também
A dúvida sobre a quantia surgiu na quinta-feira (25/6), quando a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a segunda fase da Operação Disclosure, que apura o episódio ocorrido na varejista, cujas primeiras notícias vieram à tona em janeiro de 2023.
Entre os alvos da ação da semana passada, estavam acionistas, conselheiros e credores da Americanas. Na ação, foram cumpridos nove mandatos de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Além da fraude estimada em R$ 54 bilhões, a PF informou que a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro havia determinado o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Quantia menor
No comunicado enviado à CVM, a Americanas confirmou que “entende que os valores relativos aos lançamentos indevidos e às fraudes contábeis detectadas” somam R$ 25,3 bilhões. A nota acrescenta que tal soma “foi previamente divulgada ao mercado em suas demonstrações financeiras auditadas por auditor independente. A companhia não tem conhecimento de desdobramentos da fraude ou de outros fatores que poderiam alterar tais valores”.
A varejista observa no texto que o suposto montante de R$ 54 bilhões teria sido apurado em inquérito da Polícia Federal cujos autos estão sob sigilo. “A Americanas não é investigada e não tem acesso ao referido inquérito”, cita o comunicado. “Dessa forma, não se sabe como o suposto montante teria sido alcançado, quais critérios teriam sido eventualmente adotados, nem a qual escopo se refere.”

