Belo Horizonte – A campanha da ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT) subiu o tom contra a estratégia de candidatura interna como um possível “desastre político” e teme que a medida acabe unificando os partidos de direita em torno de um único candidato.
“A candidatura de Marília ao governo é a volta da polarização, é o sonho da direita e da extrema direita mineira. A estratégia do PT Minas é, para dizer o mínimo, uma temeridade. No limite será um desastre político”, afirmou o coordenador de pré-campanha, José Prata, por meio de nota.
A avaliação é de que a escolha por um nome da sigla possa impulsionar a campanha à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), que já conta com o apoio do pré-candidato a presidência Romeu Zema (Novo) e que é bem quisto pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
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O desejo pela frente ampla, segundo o entendimento da campanha, seria uma forma de despolarizar a questão no estado e evitar que adversários se unam sobre a bandeira de combater o retorno do Partido dos Trabalhadores ao governo de Minas.
A petista alega que, após a última experiência da legenda no cargo ter ido mal, a prioridade deve ser a escolha de um nome de outro partido, formando assim uma frente ampla. A única vez que o PT esteve no cargo foi com o ex-governador Fernando Pimentel (2015-2018), que não chegou a ir ao segundo turno na disputa à reeleição.
Ainda há o temor de que, com o aumento da polarização, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha que se afastar da disputa estadual, para não perder possíveis votos não cristalizados, e acabar sem nome no governo e sem nome no Senado.
A solução apontada é que o palanque mineiro seja montado com um nome da frente ampla para o Palácio Tiradentes e as duas candidaturas ao Senado divididas em Marília Campos e mais um nome de outra legenda.
Confira a nota na íntegra
Numa estratégia eleitoral, quando escalamos o nosso time, temos que prever também a escalação do time adversário. Marília tem estratégia clara: nossa experiência no governo de Minas não foi bem sucedida; e por isso mesmo não devemos ter protagonismo na candidatura a governador. Nosso candidato deve ser de um partido de centro; devemos apostar na constituição de uma frente ampla; e Marília, em cargo legislativo, pré-candidata ao Senado, retoma o diálogo do PT Minas com os mineiros e mineiras. Poderemos ter a primeira senadora do PT Minas e segunda senadora mineira nos 202 anos do Senado Federal.
O PT Minas quer escalar Marília para o governo de Minas. Mas “falta combinar” com os adversários o time deles e a narrativa de campanha. Me parece óbvio: a candidatura de Marília reunifica fortemente a direita mineira, provavelmente em torno da candidatura de Matheus Simões, com forte engajamento de Romeu Zema. A narrativa da direita será óbvia: “esqueçam a Marília prefeita de Contagem, o que está em jogo é o retorno do PT ao governo de Minas Gerais”. A candidatura de Marília ao governo significa a volta radical da polarização, em um estado que está se despolarizando, devido ao estilo prudente e moderado dos mineiros e porque também a polarização inviabiliza um diálogo mais amplo para tirar Minas da falência. Não se pode subestimar Romeu Zema, que deixou o governo de Minas com 60% de aprovação. A candidatura de Marília ao governo é a volta da polarização, é o sonho da direita e da extrema direita mineira. A estratégia do PT Minas é, para dizer o mínimo, uma temeridade. No limite será um desastre político.
E veja somente a encrenca que seria a candidatura de Lula em Minas Gerais. Se a polarização para o governo do Estado se der, como é provável, sobre a experiência do PT no governo de Minas Gerais, Lula, com uma narrativa centrada em um projeto nacional, não pode de forma alguma entrar na polarização do Estado. Ele agiria corretamente se afastando da candidatura da Marília, da polarização estadual, e faria uma “campanha solo” em Minas Gerais em defesa do nosso projeto de defesa nacional da democracia, da soberania nacional e do Estado Social. Não é preciso ser vidente para ver os resultados: O PT perde o governo do Estado; perde a disputa para o Senado, já que quem substituir Marília seria visto como um impostor, e, com toda a confusão, e isso afetaria o desempenho de Lula no Estado.
Por todas essas razões, propomos que o PT adote uma estratégia eleitoral específica para Minas Gerais, com ênfase na despolarização, na construção de uma frente ampla e na defesa forte e afirmativa do governo Lula. Nosso palanque em Minas Gerais deve ser: Lula presidente, um nome da frente ampla para o governo do Estado, Marília senadora na primeira vaga do Senado e um nome da frente ampla para a segunda vaga no Senado.

