Na manhã dessa sexta-feira (26/6), foi divulgado que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia concedido medida preventiva que impede a empresa Sports Media de dificultar a saída de clubes do Futebol Forte União (FFU). Poucas horas depois, às 15h40 do mesmo dia, o CEO da empresa, Bruno Pimenta (foto em destaque), enviou um e-mail aos clubes associados em que insinua proximidade com os conselheiros da autarquia e sugere que a decisão “será revista”. O teor da mensagem causou desconforto entre dirigentes, segundo apurou o Metrópoles.
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No e-mail, ao qual a reportagem teve acesso, Pimenta afirma que a equipe jurídica da companhia “já está em contato com os conselheiros da autarquia” — os mesmos que podem ser chamados a julgar o caso. O executivo vai além e diz que os conselheiros, “assim como” a Sports Media, teriam sido “pegos de surpresa pela decisão”, antes de concluir que acredita que a medida será revertida em breve.
É justamente esse trecho que provocou incômodo. Para interlocutores que tiveram acesso à mensagem, a forma como o CEO descreve o canal com os conselheiros — e atribui a eles uma suposta contrariedade com a decisão — soa como uma insinuação de influência sobre a instância que ainda pode reanalisar o caso.
Ao e-mail, foi anexada uma nota de esclarecimento em que a Sports Media Entertainment (SME) sustenta que a decisão saiu antes do fim do prazo concedido para apresentação de informações e em fase ainda preparatória do procedimento (nº 08700.003201/2026-21).
A empresa classifica a medida como “sem efeitos práticos relevantes” e fruto de “entendimento incorreto sobre os fatos”, e destaca que a própria fundamentação reconheceria que os direitos patrimoniais e as obrigações financeiras dos contratos permanecem íntegros e exigíveis — ponto que preserva o que a companhia adquiriu no acordo de investimento.
O próprio texto da empresa, porém, abre espaço para um novo estranhamento. Se, como afirma a SME, a decisão é “sem efeitos práticos relevantes”, chama atenção a urgência com que a companhia diz trabalhar por sua revisão — tanto na nota quanto no e-mail, em que Pimenta afirma acreditar que a medida “muito em breve” será revertida. A pressa contrasta com a tese de que nada de relevante teria mudado.
O que motivou a decisão
A medida preventiva foi concedida a partir de um pedido do CSA, de Alagoas, que contestava as cláusulas impostas pela Sports Media para a saída de clubes do condomínio do FFU. Na prática, a decisão impede a investidora de criar obstáculos ao desligamento de times que queiram deixar o bloco.
A reação foi imediata: Botafogo, Cruzeiro, Goiás e Operário-PR comunicaram a intenção de sair. Os três primeiros deram prazo de 10 dias e condicionaram qualquer permanência à revisão das cláusulas de saída e a garantias de que poderão se desligar livremente. O Operário foi mais duro e informou que pretende recomprar os direitos de mídia transferidos à empresa.
Não é o primeiro atrito
A menção a um canal direto com autoridades surge num histórico já marcado por queixas sobre a conduta da Sports Media.
Em março, o Amazonas FC denunciou ao presidente da FFU, Alessandro Barcellos, uma suposta campanha de intimidação conduzida por Pimenta para que o clube desistisse de ações judiciais contra a entidade — entre elas, uma que pedia acesso a documentos sobre operações com XP Investimentos e BTG Pactual.
Na ocasião, a SME negou irregularidades e disse manter contatos “estritamente institucionais” com os clubes.
A reportagem do Metrópoles procurou entrar em contato com Bruno Pimenta, mas não teve sucesso. O espaço está à disposição.

