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Mercado revisa crescimento de 2027 para baixo, por juros altos e incertezas fiscais

Radar Olhar Aguçado(há 42 minutos)
Mercado revisa crescimento de 2027 para baixo, por juros altos e incertezas fiscais

As condições econômicas do Brasil, aliadas às pressões externas, estão levando bancos e instituições financeiras a revisarem os cenários para PIB, inflação e juros. O aumento da desconfiança, a desaceleração do crédito e o endividamento devem elevar a retração da economia, aliado aos conflitos internacionais que encarecem o petróleo e transmitem aumento de preços na cadeia produtiva.

Com um ambiente interno e externo desafiador, a projeção é que o Brasil tenha um crescimento entre 0,3% e 0,5% em 2027. 

Perda de ritmo do PIB e desequilíbrio no mercado de trabalho

A desaceleração da economia brasileira já se reflete nas estimativas para o encerramento de 2026, com projeções de expansão do PIB ajustadas para 1,5% pelo Bradesco e pela XP Investimentos, e para 1,6% pelo Itaú.

Para 2027, o cenário aproxima-se da estagnação: a XP projeta expansão de apenas 0,3%, enquanto o Bradesco estimou 0,4% e o Itaú prevê 0,5%.

Os analistas enfatizam que os efeitos cumulativos e defasados da política monetária restritiva, a perda de dinamismo da produção industrial e dos serviços e o endividamento das famílias estão travando os investimentos privados e o consumo doméstico.

Como desdobramento desse menor ritmo de atividade, o mercado de trabalho deve perder o vigor atual. A taxa de desemprego, hoje em torno de 5,5% a 5,7%, deve seguir uma trajetória de alta ao longo dos próximos trimestres, encerrando 2027 em 6,4% nas estimativas do Bradesco, 6,5% no Itaú e 6,8% na XP.

Inflação: choques múltiplos e custos regulatórios

As estimativas para o IPCA sofreram revisões altistas expressivas em todos os relatórios. Para 2026, a inflação projetada situa-se em 5,2% no Itaú e na XP, e em 5,5% no Bradesco. Para 2027, o cenário inflacionário tornou-se ainda mais distante do centro da meta oficial: as projeções subiram para 5,3% no Bradesco, 5,5% na XP e 6,1% no Itaú.

Essa aceleração é explicada pela convergência de choques de oferta e custos regulatórios

As instituições citam a desvalorização do real, aliada à persistência do petróleo elevado no mercado internacional, o que força o realinhamento de preços nas refinarias e a recomposição de tributos federais (PIS/Cofins) e estaduais (ICMS).

Além disso, em 2027 haverá a entrada em vigor do novo IVA (com a alíquota da CBS em 11,3%) e os custos operacionais associados às mudanças na jornada semanal de trabalho (fim da escala 6×1), o que tendem a encarecer os serviços e os preços.

Outra pressão virá do clima. Eventos climáticos associados ao fenômeno El Niño têm pressionado a produção agrícola de ciclo curto e vão encarecer itens essenciais da cesta básica.

Taxa Selic em alta por tempo prolongado

Diante do descolamento das expectativas de inflação de longo prazo e da elevação dos juros nas economias centrais, o Banco Central interrompeu o ciclo de flexibilização.

O Itaú e a XP Investimentos preveem a manutenção da taxa Selic em 13,75% durante todo o ano de 2027, avaliando que o elevado prêmio de risco e as pressões de custos impedem qualquer alívio monetário no curto prazo.

Já o Bradesco antevê a Selic estável em 13,75% durante o primeiro semestre de 2027, projetando quatro reduções graduais de 0,25 p.p. ao longo do segundo semestre — levando a taxa básica a 12,75% ao final de 2027 — à medida que a abertura do hiato do produto e a desaceleração econômica contenham a transmissão secundária dos preços.

Deterioração fiscal, câmbio e setor externo

A trajetória da dívida pública permanece no foco de preocupação das instituições. As estimativas para o resultado primário apontam para déficits persistentes em 2027 (entre -0,1% e -0,6% do PIB). Consequentemente, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) deve acelerar seu ritmo de crescimento, saltando do patamar de 83,1%–83,6% do PIB em 2026 para 87,9% no Itaú, 88,0% na XP e 88,7% no Bradesco ao final de 2027.

No mercado de câmbio, a incerteza fiscal e as taxas de juros americanas mantidas em patamares elevados sustentam um dólar pressionado, projetado entre R$ 5,50 e R$ 5,60 no encerramento de 2027.

Em contrapartida, o setor externo atua como amortecedor do risco soberano. As cotações favoráveis das exportações agrícolas e petrolíferas devem gerar expressivos superávits comerciais — variando entre US$ 72,8 bilhões e US$ 97,0 bilhões em 2027. Além disso, a entrada de Investimento Direto no País (IDP), estimado entre 3,0% e 4,0% do PIB, continuará cobrindo com margem de segurança os déficits em conta corrente.

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