O economista André Lara Resende negou ter sido convidado para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a notícia sobre um possível encontro foi divulgada para prejudicar integrantes do governo que apoiaram sua proposta de mudança na política monetária.
Em entrevista à BBC News Brasil, Lara Resende disse que não conversou com Lula nem tem qualquer compromisso previsto para discutir o assunto. Segundo ele, a repercussão de um artigo publicado em setembro, no qual defende uma nova forma de coordenar as políticas fiscal e monetária, foi alimentada por disputas políticas.
“Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado”, afirmou.
O economista também descartou interesse em assumir um cargo no quarto mandato do petista. Para ele, a especulação sobre sua aproximação com o Planalto teria como objetivo atingir pessoas que demonstraram simpatia por suas ideias.
A declaração ocorre em meio à discussão sobre os rumos da economia após a reeleição de Lula. O governo enfrenta pressão para apresentar medidas de ajuste fiscal, enquanto integrantes do PT questionam o custo dos juros elevados para a dívida pública.
Proposta ganhou força após manifestação de Gleisi
Um dos formuladores do Plano Real, Lara Resende publicou em setembro um artigo defendendo a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), órgão que estabeleceria diretrizes de longo prazo para a coordenação das políticas econômica e monetária.
O texto ganhou projeção depois que a deputada Gleisi Hoffmann (PT) o compartilhou nas redes sociais, em 28 de outubro, defendendo sua importância para o debate fiscal.
A manifestação provocou especulações sobre uma possível mudança de orientação econômica no próximo governo, especialmente diante das críticas de Lula à manutenção de juros elevados.
Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo o ciclo de cortes iniciado quando a taxa estava em 15%.
O que Lara Resende propõe para os juros?
A principal sugestão do economista é estabelecer um mecanismo institucional que coordene as expectativas sobre a trajetória das contas públicas e da taxa básica de juros.
Em seu artigo, ele apresentou como referência uma redução gradual da Selic para aproximadamente 7,5% ao ano, ao longo de 12 meses.
O número provocou críticas de economistas e investidores, que interpretaram a proposta como uma tentativa de limitar a atuação do Banco Central.
À BBC, Lara Resende afirmou que o percentual é indicativo e que qualquer redução dependeria das condições econômicas observadas durante a implementação do novo modelo.
A criação do conselho também dependeria de aprovação do Congresso. A proposta não foi apresentada formalmente pelo governo.
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