Em um mês dominado pela eleição presidencial, a renda fixa premiou justamente o investimento que menos depende do humor do mercado. Os títulos que vinham dando os maiores ganhos ao investidor nos meses anteriores terminaram outubro no vermelho. O primeiro lugar ficou com uma aplicação bem mais previsível.
O IMA-S, índice da Anbima que acompanha os títulos públicos pós-fixados, atrelados à Selic, rendeu 1,03% em outubro, o melhor resultado entre os principais índices de renda fixa. Na outra ponta, o IRF-M, que reúne os títulos prefixados do Tesouro, caiu 1,52%. O IMA-B, índice dos títulos do Tesouro IPCA+, recuou 1,03%.
A diferença entre o primeiro e o último colocado foi de 2,55 pontos percentuais. O quadro é o oposto do de setembro, quando o IMA-B liderou, com alta de 3,15%, e o IRF-M ficou em terceiro, com 2,09%. Com o resultado de outubro, o IMA-S passou também a liderar no acumulado do ano, com 11,77%. Logo atrás vêm as debêntures atreladas ao DI (11,66%) e as debêntures IPCA sem benefício fiscal (11,31%).
| Ativo | Índice | Outubro (%) | No ano (%) |
| Títulos públicos pós-fixados | IMA-S | 1,03 | 11,77 |
| Debêntures atreladas ao DI | IDA – DI | 0,67 | 11,66 |
| Debêntures | IDA – Geral | 0,15 | 7,91 |
| Debêntures IPCA não incentivadas | IDA – IPCA ex-Infraestrutura | 0,10 | 11,31 |
| Títulos públicos | IMA – Geral | 0,06 | 10,18 |
| Debêntures atreladas ao IPCA | IDA – IPCA | -0,32 | 4,04 |
| Debêntures incentivadas | IDA – IPCA Infraestrutura | -0,33 | 3,82 |
| Títulos públicos de inflação | IMA-B | -1,03 | 8,98 |
| Títulos públicos prefixados | IRF-M | -1,52 | 7,63 |
O que derrubou prefixados e IPCA+
Os títulos prefixados e atrelados à inflação perdem valor quando as taxas de juros negociadas no mercado sobem. Nesse caso, o preço dos papéis que já estão em carteira se ajusta para baixo, e quanto mais longo o título, maior o efeito.
Foi o que aconteceu na reta final do mês. Entre o primeiro e o segundo turno, investidores haviam apostado na queda dos juros longos, à espera de uma mudança na condução das contas públicas. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desfez essa aposta. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, as taxas dos contratos de DI chegaram a avançar mais de 300 pontos-base (cada 100 pontos-base equivalem a 1 ponto percentual).
Nas contas de Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Investimentos, a probabilidade de um ajuste fiscal caiu de até 70% para algo entre 20% e 30% com o resultado das urnas. A primeira reação do mercado, disse ele em entrevista ao InfoMoney, foi precificar a continuidade, com uma leve piora adicional das contas públicas.
Nas debêntures, o desempenho também se dividiu entre os indexadores. As atreladas ao DI renderam 0,67%, abaixo do IMA-S. Já as incentivadas, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, caíram 0,33%, segundo o IDA-IPCA Infraestrutura. No ano, a distância entre as debêntures IPCA sem e com benefício fiscal chega a 7,49 pontos percentuais.
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