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Adere: fábrica de fitas adesivas que nasceu em uma papelaria quer chegar a R$ 1 bi

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Adere: fábrica de fitas adesivas que nasceu em uma papelaria quer chegar a R$ 1 bi

Quando Luís Gonzaga Dias reuniu os cinco filhos para decidir a sucessão familiar no comando da Adere, Luiz Gustavo Dias só não recebeu um voto: o dele próprio. “Todos os meus irmãos apontaram para mim, eu apontei para minha irmã. Acabei sendo voto vencido”, conta o atual CEO da maior fabricante brasileira de fitas adesivas.

A escolha foi uma etapa da sucessão familiar. A preparação para assumir o negócio e a organização das funções da família atravessaram anos.

Luiz Gustavo entrou na empresa como vendedor em 1995 e chegou à presidência em 2012, depois de passar pela gerência e pela diretoria. Hoje, é o único dos cinco irmãos na operação. Os outros quatro integram um conselho que também tem dois membros externos. A história dessa divisão de responsabilidades começa antes da indústria, em uma papelaria de Campinas, no interior paulista.

Como a Adere nasceu em uma papelaria

Foi para trabalhar com a família, no comércio de um tio, que Luís Gonzaga deixou Portugal e veio ao Brasil, aos 18 anos, na década de 1950. Em pouco tempo, passou de funcionário a gerente e, depois, a sócio da papelaria. Entre os produtos que comprava estavam fitas adesivas transparentes, usadas para fechar pacotes em substituição ao barbante.

A oportunidade de mudar de lado no balcão surgiu numa conversa com um vendedor de fitas. Ele conhecia o processo de fabricação e perguntou se Luís Gonzaga tinha interesse em investir em uma fábrica. O comerciante aceitou o desafio, chamou um primo e, posteriormente, um irmão para a sociedade. Em 1967, nasceu a Adere.

“Meu pai montou a fábrica do zero”, resume Luiz Gustavo, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney. A operação começou em um pequeno galpão e, com o crescimento, foi transferida para um prédio de aproximadamente 5 mil metros quadrados. O primeiro produto era uma fita transparente de celofane, semelhante à Durex que o fundador comprava para a papelaria.

O nome da empresa tinha mais de uma explicação. Além da associação com o verbo aderir, Adere é a união do início das palavras ADEsivos e REfletivos – os dois produtos do portfólio inicial. Hoje, seria impossível resumir o catálogo em uma palavra: são mais de mil itens, para setores como papelaria, calçados, construção civil e indústria automotiva.

O reinvestimento se tornou uma prática da família, que mantém a empresa sem sócios ou investidores de fora. Em 2005, a Adere deixou a antiga fábrica de Campinas, que havia crescido com ampliações sucessivas, e passou a operar em uma unidade construída em Sumaré. O novo espaço começou com cerca de 15 mil metros quadrados de construção. Duas ampliações levaram a área a 30 mil metros quadrados.

De vendedor à presidência da Adere

Enquanto a empresa mudava de tamanho, Luiz Gustavo construía seu caminho dentro dela. Na infância, gostava de visitar a fábrica e acompanhar a produção, mesmo sem compreender como tudo funcionava. A escolha dos estudos já tinha a companhia como destino: formou-se em engenharia química, fez uma especialização de um ano na França e cursou MBA em gestão de negócios.

Ao voltar da França, entrou na área comercial. A formação técnica ajudava a entender os produtos, mas as visitas aos clientes exigiam outro aprendizado: conhecer as necessidades de quem usava as fitas. “Comecei como vendedor, que para mim, para você conhecer do negócio, a melhor porta de entrada que tem é vendas, porque você aprende muito com os clientes também, né?”, conta.

A experiência comercial continuou a orientar sua atuação nos cargos seguintes. “Sempre gostei de estar com os clientes, de me relacionar com eles, de entender as necessidades”, afirma. Mesmo na presidência, ainda atende compradores do exterior e cuida das exportações, uma função para a qual a empresa pretende contratar um executivo dedicado.

Como a Adere organizou a sucessão familiar

A sucessão familiar teve a presença do fundador. Segundo Luiz Gustavo, o pai continuou a acompanhar o negócio, mas lhe deu espaço. “Ele estava lá no dia a dia, mas me deixava bem à vontade para tomar as decisões.” Quando precisava, o filho o procurava para pedir orientação.

Aos 94 anos, Luís Gonzaga já não vai à empresa, mas mantém o hábito de ler relatórios e enviar mensagens sobre os resultados. O pai também segue entre as pessoas a quem Luiz Gustavo recorre diante de uma dúvida de negócios, ao lado do presidente do conselho.

A escolha do sucessor foi mais rápida que a definição da governança. Todos os irmãos trabalharam na companhia e, inicialmente, conciliavam funções executivas com assentos no conselho. Pouco antes da pandemia, os quatro deixaram a operação e passaram a se dedicar ao colegiado. “O conselho a gente não acertou de cara, assim”, reconhece o CEO.

Na composição atual, um dos conselheiros externos tem experiência em estratégia e finanças; a outra, em marketing e vendas. O grupo apoia decisões operacionais e estratégicas, com pautas definidas. A família também começou a preparar a terceira geração para atuar como sócia e participar do conselho. As duas filhas de Luiz Gustavo, por enquanto, pensam em outras carreiras.

Crescimento com controle familiar

O crescimento segue sob controle familiar. Trazer investidores ou abrir o capital não está nos planos do momento, segundo o executivo. A Adere tem cerca de 400 funcionários, produz 120 mil quilômetros de fitas por ano e pretende chegar a R$ 1 bilhão de faturamento até 2030. Para financiar a expansão, mantém a preferência pelo reinvestimento que marcou a trajetória do fundador.

“Procure primeiro ter uma empresa rica, depois você pensa em você”, diz Luiz Gustavo, ao reproduzir uma das lições que recebeu do pai.

Para saber mais detalhes sobre a Adere, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer,  Spreaker,  Castbox  e  Amazon Music.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

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