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Varejistas tombam após eleição, mas Goldman Sachs vê oportunidades em quatro ações

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Varejistas tombam após eleição, mas Goldman Sachs vê oportunidades em quatro ações

As ações do varejo brasileiro sofreram forte correção após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas o Goldman Sachs avalia que a queda abriu oportunidades seletivas no setor. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o banco destaca que os papéis sob sua cobertura acumulam queda média de 33% desde o segundo turno das eleições, desempenho bem inferior ao recuo de 14% do Ibovespa no mesmo período.

Para os analistas, o movimento levou diversas empresas a negociar com múltiplos significativamente abaixo dos observados nos últimos dois anos, mesmo em um ambiente de juros reais elevados. Atualmente, o setor negocia a uma mediana de 7,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, contra 10,9 vezes registrados em períodos anteriores com taxas reais entre 7% e 8%.

Diante desse cenário, o banco mantém recomendação de compra para Mercado Livre (BDR: MELI34), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Smart Fit (SMFT3), empresas que, na visão dos analistas, combinam crescimento estrutural, resiliência operacional e valuation atrativo.

O banco tem preço-alvo de US$ 2.230 para as ações do Mercado Livre negociadas na Nasdaq, o preço-alvo para RADL3 é de R$ 26, o de ASAI3 é R$ 13,50 e o de Smart Fit é R$ 38.

O destaque é o Mercado Livre, que o Goldman considera o melhor posicionado para capturar o avanço do comércio eletrônico na América Latina graças à sua escala, rede logística e ecossistema financeiro. O banco projeta crescimento médio anual de 45% do lucro por ação entre 2027 e 2029 e vê uma inflexão relevante nos resultados a partir do próximo ano.

Entre as empresas domésticas, os analistas destacam a RD Saúde, dona da Raia Drogasil, pela demanda considerada pouco sensível ao ciclo econômico, ganho consistente de participação de mercado e exposição a tendências estruturais, como o envelhecimento da população. A ação negocia a cerca de 14,7 vezes o lucro estimado para 2027.

Já o Assaí, embora esteja entre as empresas mais sensíveis aos juros devido ao maior nível de alavancagem, pode ser beneficiado pela aceleração da inflação de alimentos, que tende a impulsionar as vendas do atacarejo e a reposição de estoques por clientes corporativos. Segundo o Goldman, o papel negocia a 8,6 vezes o lucro esperado para 2027, abaixo da média histórica próxima de 11 vezes.

No caso da Smart Fit, o banco destaca a maior previsibilidade dos resultados, sustentada pela expansão da rede, maturação das academias e diversificação geográfica. Mesmo após a deterioração do cenário macroeconômico, a projeção de lucro para 2027 permanece acima daquela prevista quando a cobertura da empresa foi iniciada em 2024.

Juros seguem sendo principal risco

O Goldman ressalta que suas estimativas consideram uma Selic média de 12,7% em 2027, com queda gradual ao longo dos próximos anos. Um ciclo mais lento de afrouxamento monetário, porém, poderia pressionar principalmente as empresas mais alavancadas da cobertura, como Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí.

Apesar das incertezas de curto prazo, os analistas argumentam que a forte desvalorização recente já incorporou boa parte dos riscos macroeconômicos e políticos, criando oportunidades para investidores dispostos a privilegiar empresas com fundamentos mais sólidos e capacidade de crescimento mesmo em um ambiente de juros elevados.

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