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Tesouro Direto: como investir agora, com taxas em vaivém após a eleição

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Tesouro Direto: como investir agora, com taxas em vaivém após a eleição

Depois da maior alta diária da série histórica para os prefixados, registrada na segunda-feira (26), especialistas recomendam ao investidor do Tesouro Direto evitar decisões precipitadas. A orientação é usar o Tesouro Selic para recursos novos, entrar aos poucos nos títulos atrelados à inflação quando o horizonte for longo e manter na carteira os papéis comprados antes da turbulência.

Desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as taxas alternam disparadas e alívios. No primeiro pregão após o segundo turno, as taxas dispararam, antes de devolveram parte do avanço na terça-feira (27), mas a pressão voltou nesta quarta-feira (28). Pouco depois de 12h, o Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,86% para 15,08%, e o Prefixado 2032, de 15,06% para 15,27%. Entre os papéis de inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 avançou de 7,78% para 7,97% no juro real.

O dia tem queda do Ibovespa, que recuava 2,78% ao meio-dia, expectativa pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), às 15h, e notícia do jornal O Globo de que o governo estudaria recriar o IOF sobre LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

Tesouro Selic para o dinheiro novo

Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, desaconselha movimentos bruscos e usa o comportamento do próprio Tesouro Nacional como referência. Na segunda, o órgão cancelou os leilões de prefixados e de títulos atrelados à inflação previstos para a semana e manteve apenas a oferta de papéis ligados à Selic. Na avaliação dele, se nem o emissor quis vender nessas condições, o investidor pessoa física não precisa ter pressa para comprar.

Como considera arriscado, neste momento, qualquer título sujeito à marcação a mercado, Corano aponta o Tesouro Selic como destino para recursos novos. “Com a Selic em 13,75% ao ano, cerca de três vezes a inflação acumulada em 12 meses, o investidor é muito bem remunerado para esperar”, disse na segunda.

Em relatório, o time de renda fixa do Research da XP também diz ver os pós-fixados favorecidos pelo carrego elevado, por garantirem liquidez e flexibilidade para realocações futuras. Mas os analistas enxergam na abertura das taxas oportunidades em prefixados e IPCA+, desde que a alocação seja gradual. A casa recomenda manter uma parcela relevante da carteira em ativos líquidos e diversificar as aplicações.

IPCA+ aos poucos para quem tem horizonte longo

Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, enxerga oportunidade nas taxas reais elevadas. Embora ressalte que a decisão depende do perfil de cada um, ele considera o Tesouro IPCA+ a melhor alternativa para quem tolera volatilidade e tem horizonte longo, dado o risco inflacionário alto.

Num exercício feito por Sá, R$ 100 mil aplicados a IPCA + 6,42%, taxa do IPCA+ 2050 na sexta, chegariam a cerca de R$ 347 mil em poder de compra de hoje em 20 anos, antes do Imposto de Renda. Com IPCA + 7,8%, o montante sobe para R$ 449 mil.

Nenhum dos especialistas, porém, defende concentrar a compra num único dia. Corano sugere dividir o valor em três ou quatro parcelas, ligadas a marcos como a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o anúncio do ministro da Fazenda do novo mandato e a votação do Orçamento de 2027. Sá prefere um primeiro movimento imediato, seguido de vários aportes. “O erro mais caro não é comprar no dia errado, é abandonar a estratégia no meio do caminho e transformar oscilação em prejuízo”, diz.

Na escolha dos vencimentos, a XP prioriza os títulos IPCA+ de prazo intermediário, com vencimentos em 2032 e 2035, que podem oferecer taxas reais mais atrativas depois da abertura recente das curvas sem alongar demais a carteira. Nos prefixados, a preferência recai sobre os papéis de 2029 e 2030, que permitem capturar taxas nominais elevadas com prazos controlados. No Tesouro Direto, os vencimentos disponíveis mais próximos desse perfil são o IPCA+ 2032 e o Prefixado 2029.

Quem já tem títulos longos não deve vender na baixa

Para quem já tinha papéis de prazo longo, o impacto veio pela marcação a mercado. Segundo Corano, quem comprou o IPCA+ 2050 na sexta viu o preço do título cair quase um quarto na abertura de segunda. “Só que essa perda só se concretiza se o investidor vender”, afirma. Sá concorda que o caminho é segurar os papéis, já que, para quem tem objetivo de longo prazo, um ou dois anos de marcação negativa não deveriam mudar a estratégia.

Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, lembra que, na segunda, títulos atrelados à inflação, ações e real perderam valor ao mesmo tempo, e aconselha não agir no calor do momento. “Num dia como hoje, a melhor coisa que você faz é desligar a Bloomberg e o telefone”, disse em entrevista concedida naquele dia.

O que deve definir o rumo das taxas?

Especialistas avaliam que o Copom, marcado para 3 e 4 de novembro, não deve resolver a questão, porque o fiscal é o que move a ponta longa da curva. Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultoria, vê espaço para mudança caso o governo apresente uma surpresa positiva, como um nome forte para a Fazenda ou alguma reforma econômica. “Mas os preços de hoje ainda refletem essa incerteza sobre o fiscal”, ressalvou na segunda.

Na noite daquele dia, Lula reuniu-se com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, para tratar da política fiscal e da composição da equipe, mas não houve anúncio de decisões. Nesta quarta, Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, observa que o mercado segue em busca de sinais mais claros de um ajuste fiscal crível.

Em relatório divulgado logo após o segundo turno, o JPMorgan já previa que a reprecificação inicial tenderia a ser considerável e que as taxas dos títulos públicos em reais poderiam chegar a 15,5% num cenário pessimista.

Resumo para o investidor: como investir no Tesouro Direto após as eleições

TítuloO que dizem os especialistas
Tesouro SelicOpção para dinheiro novo e para atravessar a volatilidade com liquidez, sem risco relevante de marcação a mercado
Tesouro IPCA+Taxas reais elevadas atraem quem tem horizonte longo e tolera oscilações; compra em parcelas, com preferência por prazos intermediários
Tesouro PrefixadoPreferência por vencimentos mais curtos; quem já tem títulos longos não deve vender na baixa

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