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Como se posicionar em ações de bancos após as eleições? UBS BB aponta preferências

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Como se posicionar em ações de bancos após as eleições? UBS BB aponta preferências

O UBS BB avalia que a manutenção dos juros brasileiros em patamares elevados pode pressionar os resultados dos bancos em 2027 e 2028, com efeitos mais intensos sobre a XP (XPBR31) e mais limitados sobre o BTG Pactual (BPAC11). Em cenário alternativo com taxas de longo prazo entre 15% e 15,3%, o banco estima uma contração dos lucros dos bancos de varejo de um dígito médio em 2027 e de um dígito alto em 2028.

A simulação foi elaborada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu o mercado. Segundo o relatório, os rendimentos dos títulos públicos brasileiros de longo prazo subiram cerca de 230 pontos-base em um único dia, alcançando 15,2% no título prefixado com vencimento em 2037, ante 12,9% anteriormente.

O UBS BB ressalta que ainda há incertezas sobre a dimensão de um eventual ajuste fiscal no país. Nesse ambiente, juros elevados tendem a desacelerar a expansão do crédito, sobretudo para empresas, e a pressionar a qualidade dos ativos e algumas fontes de receita das instituições financeiras.

XP (XPBR31)

A XP deve ser afetada pelo cenário de juros elevados, na avaliação do UBS BB. O banco destaca a exposição da plataforma a investimentos de maior risco e prevê efeitos negativos sobre a captação líquida de recursos, a composição das receitas e a eficiência operacional.

A menor entrada líquida de recursos e as mudanças no perfil dos produtos podem pressionar a taxa de monetização das receitas, conhecida como take rate. Ao mesmo tempo, a redução da alavancagem operacional pode elevar a relação entre despesas e receitas. Com isso, o UBS BB estima que os lucros da XP sejam 17% menores em 2027 e 14% menores em 2028 no cenário alternativo.

BTG Pactual (BPAC11)

Para o BTG Pactual, o impacto negativo deve se concentrar nas áreas de banco de investimento e gestão de ativos e patrimônio. Em contrapartida, a linha de receitas financeiras e outras receitas, que representou 17% da receita total no primeiro semestre de 2026, tende a se beneficiar dos juros elevados.

O UBS BB projeta queda de 5% no lucro do BTG Pactual em 2027 e de 6% em 2028, na comparação com o cenário-base.

Nu (ROXO34)

A perspectiva de novos programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, pode ter impacto positivo no curto prazo sobre a qualidade dos ativos da fintech.

Uma eventual desvalorização do real frente ao dólar, por outro lado, prejudicaria os resultados do banco quando convertidos para a moeda americana.

Vale observar, contudo, que a avaliação atual do Nu, de 13,8 vezes o lucro projetado para 2027, representa um desconto expressivo em relação a pares internacionais, como Wise, Capitec, PayPal e SBI Card, entre outros. Parte desse desconto é explicada pela taxa de desconto mais elevada aplicada às operações brasileiras.

Inter

O papel do Inter agora negocia com prêmio em relação ao Bradesco. O Inter está avaliado a 9,6 vezes o lucro projetado para 2026 e a 1,4 vez o valor patrimonial estimado, ante 7,7 vezes e 1,2 vez, respectivamente, no caso do Bradesco.

Assim, a combinação de avaliação relativamente elevada, sensibilidade significativa a mudanças no custo de capital próprio e impacto potencial de juros mais altos sobre os resultados pode provocar uma correção expressiva das ações no curto prazo.

Bancos tradicionais podem ter lucros menores em 2027 e 2028

Para os grandes bancos brasileiros, o UBS BB projeta crescimento mais lento das carteiras de crédito, especialmente no segmento corporativo. Os juros mais altos devem pesar sobre a capacidade de pagamento das empresas, enquanto o elevado endividamento das famílias continuará pressionando o custo do risco de crédito.

O efeito sobre as margens financeiras, porém, tende a ser limitado, segundo o banco. De um lado, o custo de captação pode subir mais rapidamente do que as taxas cobradas nos empréstimos, pressionando as margens. De outro, os bancos podem compensar parte desse impacto com spreads maiores para refletir o aumento dos riscos de crédito.

As receitas com tarifas também devem permanecer pressionadas, principalmente nas áreas de banco de investimento, gestão de ativos e cartões de crédito. O UBS BB não espera mudanças relevantes na dinâmica das despesas operacionais.

Por outro lado, os juros mais elevados podem reduzir a alíquota efetiva de impostos das instituições financeiras, devido ao aumento do benefício fiscal associado aos juros sobre capital próprio (JCP). O banco estima que cada alta de 100 pontos-base nos juros de longo prazo pode reduzir essa alíquota em 1,5 a 2 pontos percentuais.

Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4)

Bradesco, Itaú e Itaúsa tiveram valorização apenas ligeiramente superior à do Ibovespa durante o movimento de alta associado à expectativa de queda dos juros e à possibilidade de alternância de poder antes do resultado eleitoral. Para o UBS BB, esse desempenho relativamente limitado pode reduzir o espaço para uma correção mais intensa desses papéis em comparação com instituições que tiveram valorização mais expressiva.

No caso do Bradesco, a avaliação descontada das ações também pode limitar uma reprecificação negativa. O papel negocia a 7,7 vezes o lucro projetado para 2026 e a 1,2 vez o valor patrimonial estimado para o mesmo ano.

O Itaú, por sua vez, seria menos afetado por um cenário de juros mais baixos, segundo a análise. Assim, uma reversão das expectativas de queda dos juros também poderia ter impacto relativamente limitado sobre seus resultados.

Ainda assim, a avaliação do Itaú é mais elevada, a 10,4 vezes o lucro projetado para 2026 e 2,4 vezes o valor patrimonial estimado para o mesmo ano. O banco negocia com prêmio, ou em linha, com algumas das principais instituições financeiras da América Latina, como Banorte e Credicorp.

Diante desses múltiplos, o UBS BB considera provável alguma correção das ações do Itaú. A avaliação dos papéis, portanto, pode ser um fator importante para explicar diferenças de desempenho entre os bancos, além dos efeitos do cenário macroeconômico sobre os resultados.

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