O mercado passa por forte queda nesta segunda-feira (26) após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a XP recomenda cautela diante do possível desejo de comprar os ativos. A Bolsa brasileira registrou nesta manhã o primeiro circuit breaker desde março de 2020, com negócios no mercado à vista retomando às 10h38. Às 10h46, o Ibovespa desabava 16,88%, aos 170.431 pontos, enquanto o dólar comercial havia aberto em alta superior a 8%.
Para a XP, o momento é de maior cuidado em alocações em ações e fundos imobiliários, com preferência pela renda fixa pós-fixada e atrelada à inflação.

Tesouro intervém no mercado e recompra até 15 milhões de títulos prefixados
A oferta de compra abrange NTN-F com vencimentos em 2031, 2033 e 2037 e acontece no primeiro pregão após a reeleição de Lula, pouco depois de o Tesouro cancelar os leilões de prefixados e de NTN-B da semana

Ibovespa desaba 17% e vai a 170 mil pontos após vitória de Lula nas eleições
As negociações da bolsa à vista só começaram a partir das 10h38 (horário de Brasília)
O resultado contrariou o que o mercado vinha precificando. Depois do primeiro turno, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), o Ibovespa fechou em alta de 7,7%, e agora os investidores desfazem essas posições.
O circuit breaker suspende os negócios por meia hora quando o Ibovespa cai 10% e por uma hora se, após a retomada, a queda chegar a 15%. Para Rafael Figueiredo, estrategista de ações da XP, o mecanismo serve para “evitar levar esse pânico de mercado ao extremo”. “Esse desmonte ele não acontece da noite pro dia. Essas coisas vão evoluindo ao longo do tempo”, ressalta.
Para Rodrigo Sgavioli, sócio e head de alocação da casa, a variável que mais deve pesar sobre os ativos é a fiscal. Se for mantida a atual condução das contas públicas, os prêmios de risco, que são a remuneração extra cobrada para aplicar no Brasil, tendem a seguir elevados.
Nesse ambiente, ganham espaço os ativos de carrego, cujo retorno vem dos juros acumulados ao longo do tempo, e não da valorização do preço. “A gente vai ter ainda uma predileção por ativos de carrego”, diz. Entram nessa lista os pós-fixados, atrelados à Selic ou ao CDI, e os títulos indexados à inflação, como as NTN-Bs (Tesouro IPCA+).
Os prefixados, na avaliação dele, “não perdem a sua importância”, mas a recomendação é priorizar vencimentos mais curtos, para capturar o ciclo de política monetária.
Bolsa e FIIs pedem atuação tática
A maior cautela fica com ações e FIIs, que dependem de ganho de capital. “A gente vai observar as reações de mercado e como esses ativos eles se acomodam na leitura do que deve ser esse quarto mandato do governo Lula”, aponta Sgavioli.
Figueiredo explica que as small caps, sobretudo as mais pressionadas pelo custo da dívida, subiram com força entre os dois turnos e agora tendem a devolver parte dos ganhos.
Em relatório divulgado antes do primeiro turno, a XP projetava o Ibovespa a 165 mil pontos no fim de 2026 em seu cenário pessimista, o que representa uma queda de 19,5% em relação ao fechamento de sexta-feira. Com o tombo desta segunda, o índice já opera perto desse patamar.
Na Bolsa, a preferência segue por empresas boas geradoras de caixa, pouco alavancadas e com resultados previsíveis, que se destacaram nos últimos três anos. Muitas fazem parte da carteira recomendada de ações da XP.
Sem decisões nos extremos
Os dois especialistas recomendam não agir por impulso. “Gestão de portfólio de longo prazo se faz com serenidade, disciplina”, diz Sgavioli. Figueiredo reforça a necessidade de evitar “comportamento nos extremos de mercado, seja na extrema euforia ou no extremo pânico”.
Sgavioli também defende manter pelo menos 15% do patrimônio em ativos internacionais, para diversificar mercado, moeda e jurisdição. “Você mora no Brasil, um país emergente, suscetível a ciclos e choques aí com muito mais frequência do que economias desenvolvidas”, afirma.
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