O Ibovespa (IBOV) chega a esta segunda-feira (26) com a região dos 200 mil pontos como principal suporte de curto prazo. A perda desse patamar pode abrir espaço para uma correção até os 189.487 pontos, próxima referência técnica relevante no gráfico diário.
O risco aumentou após a reação dos ativos brasileiros no exterior à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a recuar fortemente nas negociações estendidas, enquanto ADRs de companhias brasileiras também registraram perdas expressivas.
O movimento aumenta a possibilidade de o Ibovespa abrir com gap de baixa e atravessar rapidamente alguns dos suportes que aparecem no gráfico diário. No câmbio, a reação foi inversa: o dólar avançou com força frente ao real no exterior, colocando resistências importantes do dólar futuro no radar.
Uma queda de maior intensidade também mantém no horizonte o risco de circuit breaker. Na B3, o mecanismo interrompe inicialmente as negociações por 30 minutos caso o Ibovespa recue 10% em relação ao fechamento anterior. Novas paralisações podem ocorrer se a perda chegar a 15% e 20%.
Ibovespa pode perder os 200 mil pontos?
O Ibovespa encerrou a sexta-feira (23) aos 205.082 pontos, alta de 0,47%, depois de oscilar entre 203.428 e 205.757 pontos.
Até então, o gráfico diário preservava uma estrutura de alta, com o índice acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, embora em consolidação após renovar a máxima histórica em 209.713 pontos.
A forte pressão observada no exterior, porém, muda o foco para os suportes.
A primeira referência está em 203.050 pontos, região que sustentou o índice durante a lateralização recente. A perda desse nível abre espaço para 199.354 pontos, praticamente coincidente com a marca psicológica dos 200 mil pontos.
Se a pressão vendedora ganhar força e essa faixa também for rompida, o próximo suporte relevante aparece em 189.487 pontos.
Abaixo dele, as referências seguintes estão em 181.560 e 178.000 pontos. Em uma correção mais ampla, aparecem ainda 171.560 e 164.835 pontos.
Diante de uma eventual abertura com forte gap, alguns desses níveis podem ser atravessados rapidamente, sem que necessariamente haja reação compradora consistente em cada suporte.
O IFR (14) encerrou o último pregão em 63,61 pontos, abaixo da região clássica de sobrecompra. Uma queda acentuada do índice tende a provocar rápida deterioração do indicador.

E se o Ibovespa reagir?
No cenário de recuperação, o índice precisaria primeiro retomar eventuais suportes perdidos e voltar a sustentar negociações acima das médias móveis de curto prazo.
A máxima histórica de 209.713 pontos permanece como principal resistência. Acima dela, os próximos objetivos técnicos aparecem em 215.130 e 221.450 pontos, com uma extensão mais longa em direção aos 230 mil pontos.
No curto prazo, contudo, diante da reação registrada no exterior, os suportes ganham maior relevância para a sessão desta segunda-feira.
Dólar futuro pode abrir com forte gap de alta
No câmbio, a reação ao resultado eleitoral aponta para um movimento na direção oposta. O dólar apresentou forte valorização frente ao real nas negociações no exterior, aumentando a possibilidade de uma abertura com gap de alta no contrato futuro brasileiro.
Na sexta-feira, o dólar futuro havia encerrado aos 4.973 pontos, queda de 1,76%, depois de oscilar entre 4.970 e 5.064 pontos. Na semana, acumulou recuo de 2,12%.
Até então, o gráfico diário mostrava o contrato abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos, todas com inclinação descendente.
Uma abertura forte pode alterar rapidamente esse quadro.
As primeiras resistências aparecem em 5.067 e 5.116,5 pontos, seguidas por 5.155 pontos, região próxima à média móvel de 200 períodos.
O rompimento dessas faixas abre espaço para 5.268,5 e 5.383,5 pontos. Acima disso, a próxima referência técnica está em 5.446 pontos.
Como os instrumentos negociados no exterior têm características, vencimentos e condições diferentes dos contratos da B3, os preços não devem ser comparados diretamente. Uma abertura muito distante das referências do gráfico também exigirá a formação de novos suportes e resistências durante o pregão.

E se a alta do dólar perder força?
Caso a pressão compradora não se sustente, os primeiros suportes permanecem entre 4.968,5 e 4.910 pontos, seguidos por 4.842 e 4.798,5 pontos.
Em uma retomada mais ampla da tendência anterior de baixa, as referências seguintes aparecem entre 4.697 e 4.613 pontos.
O IFR (14) encerrou a sexta-feira em 36,80 pontos. Uma valorização forte do contrato poderá modificar rapidamente a leitura do indicador e também a configuração das médias móveis.
Abertura deve definir se movimento é ajuste ou mudança de tendência
A reação no exterior coloca a abertura desta segunda-feira como ponto decisivo para a leitura técnica dos ativos brasileiros.
No Ibovespa, 203 mil e 200 mil pontos são as primeiras regiões a observar. Uma perda consistente da faixa dos 200 mil colocaria 189.487 pontos como próximo suporte relevante.
No dólar futuro, o foco estará na capacidade de superar e sustentar negociações acima das resistências entre 5.067 e 5.155 pontos. Acima delas, entram no radar as regiões de 5.268,5, 5.383,5 e 5.446 pontos.
Mais do que o tamanho do gap inicial, será importante acompanhar se os movimentos se sustentam ao longo da sessão. É essa dinâmica que ajudará a mostrar se a reação ao resultado eleitoral representa uma reprecificação concentrada na abertura ou uma mudança mais ampla na tendência dos ativos.
(Rodrigo Paz é analista técnico)
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