Os investidores globais estão cada vez mais otimistas com os ativos latino-americanos, especialmente com o Brasil. É o que mostra a pesquisa do quarto trimestre realizada pelo Bradesco BBI com investidores de mercados emergentes e da América Latina, que aponta uma forte migração para ativos de maior risco, liderada por investidores estrangeiros, além de espaço para novas entradas de recursos na Bolsa brasileira.
Segundo o levantamento, o índice proprietário de “ganância versus medo” do banco atingiu o nível mais elevado do ano, refletindo uma melhora expressiva do sentimento em relação à região.
Embora um posicionamento tão otimista costume ser interpretado como um sinal de alerta, o BBI avalia que a América Latina continua oferecendo suporte por meio de valuations descontados, espaço para rotação em direção a setores mais cíclicos e potencial de novos fluxos locais e internacionais.

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O banco divulgou seus dados nesta quinta-feira (22)
A pesquisa mostra que os investidores estrangeiros são hoje o principal motor do movimento. Eles estão mais comprados em ações brasileiras, mais propensos a aumentar exposição nos próximos três meses, com menor posição em caixa e expectativa de fortalecimento adicional do real. Já os investidores locais seguem otimistas, principalmente com small caps e setores domésticos cíclicos, mas ainda mantêm alocações em Bolsa próximas das mínimas históricas.
Brasil é a principal aposta da região
Entre os mercados latino-americanos, o Brasil aparece como a principal recomendação do banco às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. O relatório destaca que grande parte dos investidores já considera o resultado eleitoral praticamente definido e passou a concentrar sua atenção nos potenciais ajustes fiscais do próximo governo.
Os estrategistas avaliam que um ajuste fiscal equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB é uma hipótese realista e enxergam esse tema como o principal debate para investidores atualmente. Os entrevistados também apontam os títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) e as ações brasileiras como os ativos preferidos para capturar um cenário de melhora macroeconômica.
O BBI mantém visão positiva para o Brasil, destacando que o país combina valuations atrativos, potencial para novas quedas de juros, fluxo estrangeiro positivo e um ambiente global que pode favorecer a rotação para mercados fora das gigantes de tecnologia norte-americanas.
Petrobras ultrapassa Itaú como ação favorita
Um dos destaques do levantamento foi a mudança nas preferências dos investidores para ações brasileiras.
A Petrobras (PETR3; PETR4) ultrapassou o Itaú Unibanco (ITUB4) e se tornou a ação large cap (de grande capitalização) favorita dos investidores consultados pelo BBI. O movimento ocorre em meio à combinação de petróleo em alta, geração de caixa robusta e expectativas relacionadas ao cenário político e fiscal.
Entre os nomes mais citados espontaneamente pelos investidores na categoria de grandes empresas também aparecem Sabesp (SBSP3), Localiza (RENT3) e XP (BDR: XPBR31).
Por outro lado, Nubank (NU; BDR: ROXO34) e Vale (VALE3) figuram entre as ações menos favoritas da amostra.
No universo de small e mid caps, alguns nomes apareceram com frequência entre os preferidos dos gestores.
A pesquisa aponta Ecorodovias (ECOR3), Smart Fit (SMFT3) e Magazine Luiza (MGLU3) entre os papéis mais mencionados espontaneamente pelos participantes como oportunidades fora do grupo das grandes empresas.
O banco observa que os setores domésticos ligados ao consumo e aos ciclos econômicos ganharam popularidade rapidamente nas últimas semanas, mas avalia que o movimento ainda pode ter continuidade. Em contrapartida, telecomunicações, commodities e financeiras aparecem como as principais fontes de recursos para financiar essa rotação setorial.
Chile e Peru ganham espaço; Argentina perde força
Fora do Brasil, a pesquisa mostra mudanças importantes na visão para os demais mercados latino-americanos.
Embora a Argentina continue sendo o mercado menor mais popular entre investidores, o país perdeu espaço para Peru e Chile. O BBI mantém visão cautelosa para os ativos argentinos, citando riscos ligados aos lucros corporativos e ao ambiente político-eleitoral.
Já o Chile surge como uma das melhores relações risco-retorno da região, ao lado do Peru, enquanto a Colômbia segue sendo uma posição menos preferida diante dos desafios de implementação de reformas.
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