Apesar da forte valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições presidenciais, investidores seguem enxergando potencial adicional de ganhos para Bolsa, câmbio e juros caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno neste domingo (25), de acordo com levantamento realizado pelo Citi com 73 investidores institucionais, divulgada nesta sexta-feira.
Segundo o levantamento, 49,3% dos participantes esperam que o Ibovespa suba mais de 5% no pregão de segunda-feira em caso de vitória de Flávio.
Além disso, cerca de 88% projetam valorização de pelo menos 2% do real frente ao dólar, sendo que 9,6% deles esperam uma alta do dólar de ao menos 5%.

Já 97% acreditam que haverá queda adicional dos juros futuros, sendo que cerca de 68% dos entrevistados esperam queda superior a 50 pontos-base nas taxas do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029, incluindo 12,7% que veem um movimento acima de 100 pontos-base.
Para o Citi, o resultado sugere que os investidores não consideram encerrado o processo de reprecificação dos ativos brasileiros iniciado após o primeiro turno.
“Os investidores continuam vendo espaço para compressão adicional do prêmio de risco do Brasil, indicando que o rali observado após o primeiro turno foi apenas um passo nesse processo, e não seu ponto final”, afirmam os estrategistas liderados por Andre Mazini.

Mercado vê reação mais intensa em caso de vitória de Lula
Enquanto os investidores ainda enxergam ganhos para os ativos em um cenário considerado favorável ao mercado, a percepção é de que a reação negativa seria intensa em caso de vitória do presidente Lula.
De acordo com a pesquisa, 79,5% dos entrevistados esperam uma queda superior a 5% do Ibovespa caso Lula seja reeleito. No câmbio, 63% preveem desvalorização do real acima de 5%, 27,8% projetam queda entre 2% e 5%.

Já no mercado de juros futuros, 67,1% estimam abertura superior a 100 pontos-base na taxa do DI janeiro de 2029 e 14,3% projetando alta das taxas entre 50 pontos-base e 100 pontos-base.

O levantamento aponta que, enquanto o cenário positivo para os ativos está concentrado em movimentos mais moderados, as projeções negativas são significativamente mais extremas, revelando uma clara assimetria nas expectativas dos investidores às vésperas da votação.
Na avaliação do Citi, as respostas da pesquisa reforçam que a trajetória das contas públicas segue sendo o principal determinante para os preços dos ativos domésticos.
Os estrategistas observam que a percepção de uma eventual redução do prêmio de risco fiscal continua sustentando o otimismo com bolsa, juros e câmbio no cenário de vitória de Flávio. Já o temor de deterioração fiscal explica as expectativas mais pessimistas para os mercados em caso de vitória de Lula.
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