A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26) no Brasil começa sob um pano de fundo de desaceleração econômica, juros ainda elevados e um mercado que já precificou grande parte das expectativas após o primeiro turno das eleições.
Na avaliação de especialistas consultados pelo InfoMoney, os investidores olharão as sinalizações para 2027 além dos lucros reportados entre julho e setembro, em um momento em que os ativos brasileiros passaram por forte reprecificação nas últimas semanas.
Também para a equipe de estratégia do Santander, os resultados do 3º trimestre de 2026 podem ter um peso diferente do habitual. “Acreditamos que os resultados, na média, podem ser fracos; contudo, os investidores parecem dispostos a ignorar essa fraqueza cíclica, pois estão cada vez mais focados em um cenário macroeconômico potencialmente mais favorável e em taxas de juros mais baixas no Brasil a partir de 2027”, afirmam os estrategistas.
Na avaliação do banco, a distinção deve ser clara: resultados abaixo do esperado por fatores macroeconômicos devem ser potencialmente perdoados, enquanto resultados abaixo do esperado por questões específicas da empresa devem ser penalizados.
“Entendemos que uma demanda fraca, decorrente de taxas de juros elevadas, pode ser desconsiderada [na reação do mercado aos resultados]. Já perdas de participação de mercado, concorrência mais acirrada, falhas na execução ou uma deterioração estrutural das margens, não. Isso torna o Brasil uma combinação interessante: diversificação global (fugindo da concentração em IA), possibilidade de compressão do prêmio de risco doméstico, investidores com posições reduzidas (estilo long-only) e um mercado cada vez mais disposto a olhar além do ponto mais baixo do ciclo”, avalia.
O banco também acredita que os números consolidados podem superestimar a qualidade do 3º trimestre de 2026 uma vez que, ao excluir o setor de petróleo e o efeito de uma base de comparação mais favorável, resta pouco impulso operacional.
Para o universo de empresas que o banco cobre no Brasil, a projeção é de um crescimento médio anual (ano contra ano) de 6,7% na receita líquida, 12,1% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e 8,3% no lucro líquido no 3º trimestre de 2026.
Grande parte desse crescimento, no entanto, provém do setor de Petróleo, Gás e Petroquímica – para o qual prevê um aumento de 17,6% na receita e de 46,9% no Ebitda -, impulsionado pela alta nos preços do petróleo Brent e por interrupções no fornecimento decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. Em reais, esse setor responde por um montante superior ao incremento total do Ebitda agregado de todas as empresas sob a sua cobertura.
Excluindo o setor de commodities, a expectativa é de que as empresas domésticas apresentem um crescimento de Ebitda de apenas 3,2%. A mediana das empresas sob sua cobertura — sem considerar o setor financeiro — deve registrar um crescimento de receita praticamente em linha com a inflação; isso significa que cerca de metade delas deve apresentar retração em termos reais.
No que diz respeito a empresas específicas, os estrategistas esperam que Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), Multiplan (MULT3), Nubank (NU), Smart Fit (SMFT3) e Vibra (VBBR3) possam ser os destaques positivos do terceiro trimestre de 2026. Por outro lado, preveem que CSN Mineração (CMIN3), Grupo Mateus (GMAT3), Grupo SBF (SBFG3), Marcopolo (POMO4) e Porto Seguro (PSSA3) podem figurar entre os destaques negativos desta temporada de resultados.
Na mesma linha, a leitura do Bradesco BBI reforça a avaliação de que a temporada será marcada por forte dispersão entre setores e empresas. Segundo o banco, o lucro das companhias que compõem o MSCI Brazil deve crescer cerca de 30% na comparação anual no terceiro trimestre, ou 15% excluindo os setores de energia e materiais básicos. Cerca de dois terços das empresas devem reportar crescimento de lucro.
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O resultado agregado, porém, esconde diferenças importantes. O BBI destaca que a Petrobras (PETR3;PETR4) sozinha deve responder por aproximadamente 16 pontos percentuais do crescimento dos lucros do índice, impulsionada pelos preços mais elevados do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) deve retirar cerca de 1 ponto percentual desse crescimento.
Segundo os estrategistas, isso torna a seleção de ações mais importante do que a análise do número consolidado da temporada. O histórico recente reforça essa leitura: o mercado brasileiro superou as expectativas em apenas oito das últimas 16 temporadas de resultados.
Bancos continuam lucrativos, mas crédito preocupa
Segundo Pedro Galdi, analista da AGF, um dos principais pontos de atenção será a qualidade do crédito no sistema financeiro. Embora não espere mudanças relevantes em margem financeira ou receitas de serviços dos bancos, ele destaca que o mercado observará com atenção a evolução das provisões para devedores duvidosos (PDDs), especialmente diante do aumento dos pedidos de recuperação judicial e dos efeitos da recuperação extrajudicial da Casas Bahia (BHIA3) sobre instituições como Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4).
Galdi ressalta que o Itaú Unibanco (ITUB4) continua apresentando a melhor combinação de indicadores e qualidade de resultados entre os grandes bancos, mas não descarta impactos também sobre suas provisões.
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, os grandes bancos ainda devem apresentar resultados robustos, mas a atenção estará concentrada em quanto capital estão reservando para potenciais calotes. “O mais importante não estará no lucro do período, e sim no que as empresas disserem sobre 2027”, afirma.
Para ele, a evolução das provisões dos bancos será uma das principais métricas observadas pelo mercado ao longo desta temporada.
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Já Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, também vê maior resiliência no sistema financeiro, mas destaca diferenças entre os grandes bancos. Segundo ele, o Itaú tende novamente a apresentar os números mais sólidos do setor, enquanto o Bradesco seguirá sendo avaliado pela evolução da rentabilidade e pelo comportamento do custo de crédito.
Na visão da XP Investimentos, o terceiro trimestre deve mostrar uma divergência ainda maior entre os grandes bancos brasileiros. O Itaú deve continuar liderando em rentabilidade, apoiado em crescimento disciplinado da carteira, margem financeira resiliente e controle de custos. O Bradesco deve exibir nova melhora operacional, embora provisões mais elevadas e a diluição de capital mantenham o ROE praticamente estável em 16,2%. Já Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) devem continuar sob maior pressão.
A avaliação da equipe de estrategistas do Santander também aponta para uma temporada seletiva no setor, com os resultados dos bancos sustentados principalmente por instituições capazes de preservar margens e controlar a qualidade dos ativos. O Santander projeta crescimento de 19,4% do lucro agregado do setor financeiro na comparação anual, mas vê grande dispersão entre os nomes cobertos.
O banco estima lucro de aproximadamente R$ 12,5 bilhões para o Itaú, alta de 5,3% na comparação anual, reforçando sua posição como referência de rentabilidade do sistema financeiro. Para o Bradesco, a projeção é de lucro de cerca de R$ 7,1 bilhões, alta de 15%, refletindo a continuidade da recuperação operacional. Já o Banco do Brasil deve seguir como o elo mais frágil entre os incumbentes, pressionado pela deterioração da carteira de crédito e pelo aumento das provisões.
O Santander também destaca os bancos digitais entre os potenciais destaques da temporada. O Nubank (NU; BDR: ROXO34) deve reportar lucro próximo de R$ 6,3 bilhões, crescimento de mais de 80% ano contra ano, impulsionado pela expansão do crédito e pela manutenção de margens elevadas. Apesar disso, algumas casas continuam demonstrando cautela em relação às perspectivas para 2027.
Entre as empresas ligadas ao mercado de capitais, a expectativa continua favorável para XP (BDR: XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3). O Santander projeta lucro de aproximadamente R$ 5,2 bilhões para o BTG, crescimento anual de 15%, e vê a XP mantendo uma das melhores combinações entre crescimento e potencial de revisões positivas no setor.
De forma geral, tanto o Santander quanto a equipe de research da XP avaliam que o mercado estará mais disposto a relevar impactos conjunturais da economia do que sinais de deterioração estrutural dos negócios. Assim, empresas que apresentarem controle de custos, expansão de margens e boa qualidade de ativos tendem a ser premiadas, enquanto aquelas que revelarem problemas específicos de execução podem ser penalizadas mesmo em um ambiente de queda gradual dos juros.
A visão do BBI também reforça a expectativa de um setor financeiro ainda bastante heterogêneo. Segundo o banco, os lucros do segmento financeiro devem crescer cerca de 25% na comparação anual, puxados principalmente por bancos digitais e empresas de mercado de capitais. O destaque positivo fica para o Nubank, com expectativa de avanço de aproximadamente 41% nos lucros, enquanto Itaú e Banco do Brasil devem registrar crescimentos mais modestos, de 17% e 6%, respectivamente.
Energia e saneamento mantêm perfil defensivo
Entre os setores considerados mais resilientes, energia elétrica e saneamento voltam a ocupar lugar de destaque. Galdi avalia que as empresas de energia devem continuar reportando crescimento saudável de receita e Ebitda, sustentadas pela demanda firme por eletricidade e pela expansão da infraestrutura do setor.
O principal ponto de atenção, segundo ele, está no aumento das despesas financeiras, já que praticamente todas as companhias seguem executando programas relevantes de investimento e utilizam mais capital de terceiros para financiar seus projetos.
Embora isso pressione o lucro líquido no curto prazo, a expectativa do analista é que os projetos comecem a contribuir de forma mais relevante para os resultados já no início de 2027.
No saneamento, a leitura é semelhante, com Galdi não esperando mudanças significativas na lucratividade de empresas como Copasa (CSMG3), Sanepar (SAPR4) e Sabesp (SBSP3), mas observa que a continuidade dos investimentos pode resultar em algum aumento de endividamento.
Seguradoras continuam beneficiadas pelos juros
No segmento de seguros, a manutenção da Selic em níveis elevados ajuda o resultado financeiro das companhias. Galdi aponta que os efeitos da crise do agronegócio e de um ambiente de crédito mais restritivo ainda devem aparecer em algumas linhas de negócios, mas as seguradoras continuam demonstrando capacidade de diversificar receitas.
Ao mesmo tempo, a rentabilidade das aplicações financeiras permanece elevada, beneficiando os resultados de tesouraria.
Um ponto específico citado pelo analista é o impacto potencial da greve dos bancários sobre a Caixa Seguridade (CXSE3).
Para o Bradesco BBI, a temporada deve trazer um quadro misto, com crescimento ainda fraco dos prêmios, aumento das despesas com sinistros em algumas linhas e pressão sobre a rentabilidade operacional. Ainda assim, o banco vê expansão sequencial dos lucros de BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade, enquanto Porto Seguro (PSSA3) tende a apresentar um dos trimestres mais pressionados do setor.
Vivo e TIM seguem entre os destaques em telecom
Para o setor de telecomunicações, Galdi espera continuidade do crescimento de receita da Vivo (VIVT3) e da TIM (TIMS3), impulsionado pelo avanço tecnológico, pela demanda por dados e serviços digitais e pelo uso crescente de inteligência artificial para redução de custos.
No caso da TIM, o mercado acompanhará possíveis efeitos da migração de clientes pré-pagos e da portabilidade numérica.
A XP também vê a Vivo como o destaque do trimestre, com manutenção do forte crescimento das receitas móveis, enquanto a TIM deve compensar tendências mais fracas em mobilidade com expansão dos serviços fixos e da margem operacional.
O Bradesco BBI reforça que as tendências operacionais devem reforçar uma desaceleração contínua como o cenário mais provável, embora aliviem as preocupações com uma forte deterioração generalizada.
“A Vivo e a TIM devem apresentar uma modesta desaceleração na receita de serviços em base anual, para 6,2% e 5,4%, respectivamente. Ainda assim, uma ligeira expansão das margens deve sustentar um crescimento saudável do Ebitda de 8,3% para a Vivo e 6,1% para a TIM”, avalia o banco, que enxerga que a competição no mercado móvel segue intensa, com portabilidade bruta em níveis elevados e dinâmicas de preços agressivas por parte dos concorrentes.
Petrobras em destaque em petróleo e gás
Entre as empresas ligadas a commodities, o consenso dos analistas aponta para uma exceção importante: Petrobras (PETR3; PETR4). Segundo André Matos, a companhia deve apresentar um dos resultados mais sólidos da temporada, beneficiada pela produção crescente dos campos do pré-sal, especialmente em Búzios.
A discussão, porém, não ficará restrita aos números operacionais. O mercado também acompanhará eventuais indicações sobre dividendos extraordinários e a política de distribuição de caixa da estatal.
Para o setor de petróleo e gás em geral, os estrategistas do Santander esperam um 3T26 forte em todo o universo de cobertura dos setores de energia e química no Brasil, impulsionado, principalmente, pelos preços elevados do petróleo Brent e por interrupções no fornecimento global decorrentes de conflitos geopolíticos. No segmento de óleo e gás o banco projeta resultados sólidos, especialmente por parte da Petrobras e da PRIO (PRIO3).
Na distribuição de combustíveis, o Santander prevê margens ainda robustas, favorecidas por uma dinâmica de oferta mais restrita e um ambiente competitivo mais favorável no Brasil — embora possam ficar abaixo dos patamares recentes, refletindo, em grande medida, uma maior concorrência com combustíveis importados. Por outro lado, no setor petroquímico, espera resultados mais fracos na comparação sequencial, pressionados por custos mais elevados de matérias-primas, margens (spreads) petroquímicas comprimidas e a concorrência de produtos importados.
Vale e mineração devem enfrentar mais dificuldades
Na outra ponta, os analistas esperam maior pressão sobre empresas ligadas à mineração. Segundo Matos, o minério de ferro mais fraco deve impactar os resultados da Vale (VALE3) e de outras empresas do setor.
O Itaú BBA projeta que, entre materiais básicos, a temporada deve ter como principais destaques a Suzano (SUZB3) e Irani (RANI3), com maiores avanços do resultado operacional (Ebitda) ante o trimestre anterior. A Suzano deve crescer 8%, com maiores volumes de celulose e menores custos de caixa, e a Irani 12%, por melhor sazonalidade e menores despesas administrativas e comerciais (SG&A).
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A Aura (BDR: AURA33) deve mostrar melhora de 9% do Ebitda em base trimestral, apoiada por uma recuperação de 15% nos volumes, mantendo a empresa no caminho para cumprir seu guidance de produção de 2026. Já as empresas ligadas ao minério de ferro – CSN Mineração (CMIN3), CSN (CSNA3) e Vale – devem apresentar resultados mais fracos, afetadas por preços realizados mais baixos, maiores despesas com frete e volumes mais fracos.
Varejo mais fraco
O varejo, por sua vez, continua enfrentando dificuldades. Araújo afirma que empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí (ASAI3) devem sentir os efeitos da desaceleração do consumo e de um ambiente de crédito ainda caro.
Para o Bradesco BBI, o enfraquecimento do consumo deve levar à desaceleração das vendas nas mesmas lojas (SSS) e das receitas na maior parte dos segmentos, com diversos casos apresentando crescimento abaixo da inflação ou até retração na comparação anual.
Os juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias continuaram pressionando o consumo, enquanto a Copa do Mundo adicionou impacto negativo ao fluxo de clientes nas lojas durante o trimestre. Embora a Smart Fit (SMFT3) deva continuar se beneficiando de sua exposição regional diversificada, varejistas de vestuário e alimentos seguem mais expostas à perda de impulso do consumo.
O Bradesco BBI manteve a Smart Fit como sua principal preferência no varejo e avalia que a companhia, assim como Alpargatas (ALPA4) e Grupo PetzCobasi (AUAU3), deve apresentar desempenho relativamente melhor do que o restante da cobertura.
Os analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP Investimentos, também esperam mais um trimestre desafiador para os varejistas de vestuário, com um consumidor pressionado, clima volátil e concorrência cross-border pesando sobre as vendas. Segundo a dupla, as margens brutas devem apresentar maior resiliência do que a receita, enquanto os ganhos de margem em 2027 devem vir cada vez mais da execução, e não de preços.
Saúde com melhora da sinistralidade
No segmento de saúde, a XP espera mais um trimestre forte, com as operadoras continuando a se beneficiar da melhora da sinistralidade, refletindo tanto uma sazonalidade favorável quanto um sólido momento operacional. Entre os prestadores de serviços, o segmento de diagnósticos permanece como o principal destaque, liderado pelo forte crescimento do Fleury (FLRY3), enquanto as operações hospitalares da Rede D’Or (RDOR3) devem apresentar resultados resilientes, apesar dos níveis mais baixos de ocupação.
As adições líquidas de beneficiários devem permanecer como o principal vetor de expansão da receita, com SulAmérica, da Rede D’Or (RDOR3) e BradSaúde (SAUD3) devendo adicionar vidas sequencialmente, enquanto o crescimento do ticket médio permanece moderado, em aproximadamente 3% (anualmente). O Fleury continua sendo o principal destaque entre os prestadores de serviços de saúde, com crescimento de receita de 13,4%, sendo 9% orgânico.
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Já as operadoras hospitalares devem continuar apresentando um sólido crescimento de receita, sustentado por tickets médios mais elevados, com a Mater Dei (MATD3) registrando uma melhora mais expressiva da margem Ebitda. No segmento farmacêutico, projeta resultados mistos, com a melhora do desempenho operacional da Blau (BLAU3) contrastando com a pressão sobre o desempenho do portfólio atual da Hypera (HYPE3). Em diagnósticos, a Dasa (DASA3) deve apresentar expansão da margem Ebitda e forte geração de caixa. Por fim, a Qualicorp (QUAL3) deve registrar níveis controlados de churn (taxas de cancelamento).
O mercado olha para caixa e desalavancagem
Apesar das diferenças entre setores, as análises convergem também na avaliação de que a geração de caixa será mais importante do que o crescimento da receita. Segundo Araújo, a Bolsa já antecipou uma parte relevante da expectativa de queda futura dos juros. Com isso, resultados apenas bons podem não ser suficientes para impulsionar as ações.
O diferencial estará nas empresas capazes de expandir margens, reduzir endividamento, gerar caixa de forma consistente e oferecer visibilidade para 2027. Na avaliação de Matos, o mercado tende a premiar companhias com caixa forte, dívida controlada e menor dependência de juros mais baixos para crescer.
Por isso, a temporada do terceiro trimestre pode acabar funcionando menos como um retrato dos últimos meses e mais como um primeiro teste das empresas para o novo cenário que os investidores começam a construir para 2027.
Já o Bradesco BBI acredita que, à medida que a temporada avance, a atenção do mercado deve migrar das commodities para setores domésticos mais sensíveis aos juros. A instituição argumenta que o próximo ciclo de crescimento dos lucros deve vir justamente de empresas expostas à economia brasileira, em um ambiente de queda de juros e retorno gradual dos fluxos locais para a Bolsa.
Por isso, o banco mantém o Brasil como sua principal aposta na América Latina e segue favorecendo ações ligadas ao mercado de capitais, estatais em recuperação e empresas sensíveis aos juros. O BBI destaca que aproximadamente três quartos das ações brasileiras tendem a se beneficiar de um cenário de taxas menores, enquanto a curva de juros ainda permanece cerca de 150 pontos-base acima de sua projeção de Selic de 11% para o fim de 2027.
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