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Varejo deve ter 3º trimestre fraco, mas bancos veem oportunidades em ações para 2027

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Varejo deve ter 3º trimestre fraco, mas bancos veem oportunidades em ações para 2027

O varejo brasileiro deve enfrentar mais um trimestre de resultados pressionados, com juros elevados, endividamento das famílias e perda de fôlego do consumo afetando vendas e receitas.

O Bradesco BBI, em relatório assinado pelos analitas Pedro Pinto e Flávia Meireles, prevê resultados fracos no terceiro trimestre de 2026 (3T26) em praticamente toda sua cobertura de consumo e varejo.

Para o banco, o enfraquecimento do consumo deve levar à desaceleração das vendas nas mesmas lojas (SSS) e das receitas na maior parte dos segmentos, com diversos casos apresentando crescimento abaixo da inflação ou até retração na comparação anual.

Os juros elevados e o alto nível de endividamento das famílias continuaram pressionando o consumo, enquanto a Copa do Mundo adicionou impacto negativo ao fluxo de clientes nas lojasdurante o trimestre. Embora a Smartfit deva continuar se beneficiando de sua exposição regional diversificada, varejistas de vestuário e alimentos seguem mais expostas à perda de impulso do consumo.

O Bradesco BBI manteve a Smart Fit (SMFT3) como sua principal preferência no varejo e avalia que a companhia, assim como Alpargatas (ALPA4) e Grupo PetzCobasi (AUAU3), deve apresentar desempenho relativamente melhor do que o restante da cobertura.

Os analistas Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP Investimentos, também esperam mais um trimestre desafiador para os varejistas de vestuário, com um consumidor pressionado, clima volátil e concorrência cross-border pesando sobre as vendas.

Segundo a dupla, as margens brutas devem apresentar maior resiliência do que a receita, enquanto os ganhos de margem em 2027 devem vir cada vez mais da execução, e não de preços.

Diante disso, a XP revisou as estimativas para refletir um segundo semestre de 2026 mais fraco, mas permanece construtiva olhando à frente, uma vez o setor negocia abaixo de seus múltiplos históricos, e um potencial ciclo de flexibilização monetária deve aliviar gradualmente tanto o orçamento das famílias quanto o custo de capital, que avalia como o principal gatilho para um reclassificação.

A XP manteve recomendações de compra para Renner (LREN3, preço-alvo de R$18), C&A (CEAB3, preço-alvo de R$17) e Riachuelo (RIAA3, preço-alvo de R$14).

O BTG Pactual, por sua vez, comenta que a recente valorização das ações do setor foi impulsionada principalmente pela expansão de múltiplos e pela redução das taxas de desconto, sem revisões relevantes de lucro líquido.

Segundo o banco, as próximas etapas de valorização dependerão da queda das despesas financeiras, de revisões positivas dos resultados e, posteriormente, de uma recuperação efetiva do consumo, beneficiando especialmente empresas sensíveis ao cenário doméstico, enquanto companhias com crescimento estrutural permanecem mais protegidas diante de uma desaceleração prolongada.

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