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Dólar volta a subir: é um bom momento para investir lá fora?

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Dólar volta a subir: é um bom momento para investir lá fora?

O dólar voltou a subir nesta semana, depois de cair abaixo de R$ 5 com o resultado do primeiro turno, e reabriu uma dúvida comum entre quem adiou investir fora do país. Com os títulos do Tesouro americano (Treasuries) pagando juros perto das máximas em mais de duas décadas, a ideia parece ainda mais atrativa.

A moeda americana subiu quase 2% na semana, para cerca de R$ 5,08, em meio a pesquisas que apontam um segundo turno mais apertado. O movimento mostra como é difícil acertar o melhor momento para comprar dólar. Por isso, especialistas lembram que o dinheiro em dólar serve para proteger e diversificar a carteira, e não para render mais que o CDI.

Para onde vai o dólar

Nas próximas semanas, o câmbio deve continuar reagindo à eleição e às expectativas para as contas públicas. Em relatório divulgado na terça-feira (13), o Goldman Sachs passou a projetar o dólar em R$ 4,70 em três meses. mas condicionou a projeção a um cenário de ajuste fiscal e governabilidade favorável após a eleição, avaliação feita antes de as pesquisas mostrarem uma disputa mais apertada.

Ainda assim, o banco não esperava uma queda contínua da moeda. Para os analistas, os cortes da Selic tendem a reduzir aos poucos a diferença entre os juros pagos no Brasil e lá fora, que hoje ajuda a atrair dólares para o país. Além disso, dezembro costuma ter saída forte de recursos do Brasil, o que pode pressionar o real se as promessas na área fiscal não se confirmarem.

Olhando para um prazo mais longo, a tendência histórica é outra. Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, lembra que o real perdeu, em média, 3,3% do valor por ano frente ao dólar na última década. Segundo ela, a inflação mais alta no Brasil do que nos Estados Unidos e o endividamento maior que o de vizinhos como o México explicam essa desvalorização.

Quanto ter

A XP recomenda manter ao menos 15% do patrimônio em dólar, divididos de forma equilibrada entre renda fixa e ações. Para Valentini, o brasileiro ainda concentra demais o dinheiro em ativos locais. “A exposição global não deve competir com a exposição doméstica, mas vemos muito espaço ainda para o investidor baixar esse viés doméstico e participar do forte crescimento de lucros que tem lá fora”, afirmou a estrategista em entrevista ao InfoMoney no início do mês.

Mesmo quem está mais cauteloso com o cenário internacional mantém dinheiro lá fora. A Verde, de Luis Stuhlberger, avalia em sua carta mensal que o ambiente global ficou mais hostil, mas preservou seus investimentos no exterior e segue com ouro e prata como proteção.

Onde aplicar

Na renda fixa, a preferência é por títulos com vencimento mais curto ou intermediário, que oscilam menos com as preocupações sobre a dívida americana e o preço do petróleo. A BlackRock, maior gestora do mundo, deixou nesta semana de recomendar a venda de Treasuries, posição que mantinha havia seis anos, e passou a indicar os títulos de curto prazo. A JPMorgan Asset prefere papéis com vencimento em cerca de cinco anos.

A Monte Bravo, em carta mensal, vê os Treasuries como a parte mais segura da carteira internacional. A casa também gosta de títulos de empresas com boa nota de crédito, chamadas de grau de investimento, com vencimento entre três e cinco anos. Ainda não recomenda, porém, aumentar muito o prazo dos títulos, já que os mais longos sofrem mais quando os juros sobem. Na mesma linha, a XP prefere emissores de menor risco na renda fixa internacional.

Nas ações, o principal alerta é a concentração em poucas empresas. Segundo Valentini, as dez maiores companhias já respondem por 40% do S&P 500, principal índice da Bolsa americana. Assim, qualquer desconfiança em relação à inteligência artificial (IA) atinge com mais força quem investe apenas no índice. A JPMorgan Asset sugere diversificar na bolsa com bancos de países desenvolvidos, indústrias ligadas à construção de data centers e empresas de energia.

A Monte Bravo indica versões do S&P 500 em que todas as empresas têm o mesmo peso, o que reduz a dependência das gigantes de tecnologia. A BlackRock rebaixou as ações americanas para neutro, citando a volatilidade ligada à IA.

Com ou sem proteção cambial

A Monte Bravo traz um ponto importante para quem vai investir agora. Para a casa, o exterior deve continuar como parte permanente da carteira, mas vale proteger parte da posição contra a variação do dólar, o chamado hedge cambial. “Um cenário eleitoral mais favorável ao ajuste fiscal pode abrir espaço para uma apreciação adicional do real, tornando interessante a utilização de hedge cambial em parte dessas posições”, escreve a casa.

Na prática, o hedge permite ganhar com a valorização do ativo lá fora sem ficar exposto ao sobe e desce do dólar. Se o real se valorizar, o investidor não perde com o câmbio. Se o real se desvalorizar, porém, também deixa de ganhar com a alta do dólar.

Segundo a Monte Bravo, os investimentos no exterior funcionaram ao longo de 2026 como proteção contra os riscos fiscais e políticos do Brasil, e o hedge elimina essa proteção. A carta foi escrita logo após o primeiro turno, quando o mercado via uma eleição mais definida. Desde então, as pesquisas passaram a mostrar empate técnico.

Quando entrar

Diante das incertezas, a orientação é investir aos poucos, sem tentar acertar o melhor momento do câmbio. A oscilação recente do dólar abriu oportunidades de comprar a moeda mais barata, mas ela pode tanto voltar a cair quanto subir, dependendo do resultado das urnas e do debate fiscal.

“A nossa leitura é não tentar extrapolar o que está acontecendo no curto prazo para o plano de longo prazo”, diz Valentini.

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