O Bitcoin (BTC) cai nesta quinta-feira (15) e testa a região de US$ 80 mil, menor nível em mais de três semanas, pressionado pela inflação ao consumidor americana acima do esperado e por uma onda de vendas em ações de tecnologia na Ásia, que levou a Bolsa da Coreia do Sul a recuar 7,5%.
Por volta das 10h40 (horário de Brasília), a criptomoeda era negociada a US$ 80,3 mil, com queda de cerca de 2,4% em 24 horas, depois de tocar a mínima de US$ 80,1 mil. O Ether (ETH) recuava mais de 4%, para perto de US$ 2.340.

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O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos subiu 0,6% em setembro, em linha com o esperado, e acumulou alta de 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% previstos. O núcleo, que exclui alimentos e energia, acelerou para 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses, ante projeções de 0,2% e 2,5%. A gasolina puxou a maior parte do avanço mensal, mas as pressões foram amplas.
Com o dado, a probabilidade de nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) já em outubro saltou na quarta-feira (14) de cerca de 22% para a faixa de 35%, de acordo com o banco. “Inflação persistente e juros mais altos por mais tempo reduzem a liquidez e elevam o custo de capital, ambiente desfavorável para ativos de risco, incluindo criptoativos”, afirmaram os analistas do BTG em relatório.
As vendas no varejo, divulgadas nesta quinta, reforçaram o quadro, com alta de 0,8% em setembro, bem acima da previsão de 0,3%. Em nota, a QCP Capital resume o dilema do mercado. “O dado acima do esperado força novas altas de juros ou o estresse de crédito leva a uma recalibragem da política monetária?”, questiona a casa.
A pressão veio também da Ásia. A Kospi, principal índice da Bolsa sul-coreana, fechou em queda de 7,5%, no menor nível desde abril, puxada por SK Hynix e Samsung Electronics, em meio ao desmonte de posições ligadas à inteligência artificial (IA). Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq recuavam mais de 1% pela manhã.
A queda foi acelerada pelo fechamento forçado de posições alavancadas. As liquidações no mercado cripto se aproximam de US$ 1 bilhão em 24 horas, com cerca de 90% em apostas na alta, segundo a CoinGlass.
A demanda institucional também recuou. Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos EUA tiveram saídas de US$ 261,5 milhões no dia da divulgação do CPI, segundo a SoSoValue. Com a queda, o preço ficou abaixo do custo médio de quem comprou pelos fundos, estimado pela Glassnode em cerca de US$ 81,5 mil.
Níveis no radar
O movimento confirma o cenário de risco traçado pela Bitfinex antes do CPI. “Um CPI bem acima das expectativas colocaria em risco os US$ 81.300 antes que os fluxos tivessem tempo de se recuperar”, afirmou a exchange em relatório.
Segundo a Bitfinex, a permanência abaixo desse patamar por mais de uma sessão, com saídas nos ETFs, coloca no radar a chamada média verdadeira de mercado, perto de US$ 77,4 mil. Antes disso, US$ 80 mil concentra o maior bloco de ordens de compra na Binance, segundo a Glassnode.
Apesar da queda, grandes investidores continuam acumulando. As reservas das chamadas baleias fora de corretoras chegaram a 3,03 milhões de BTC, o maior nível desde novembro de 2025, segundo a CryptoQuant. As tesourarias corporativas também ampliaram posições nesta semana, com compras de 250 BTC pela Strategy e de 6.133 BTC pela Strive.
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