A escolha de ações para se investir exige atenção ao modelo de negócio de cada setor para atravessar o período de juros altos e incertezas econômicas. Para o fundador da AlphaKey, Christian Keleti, os papéis de empresas de varejo, construção civil voltada para a baixa renda, shopping centers e plataformas de investimentos apresentam um cenário mais atrativo do que os bancos tradicionais com forte exposição ao crédito.
Durante entrevista ao podcast Stock Pickers, ele afirma que é necessário aproveitar o momento atual para selecionar companhias que estão mais organizadas e sem grandes dívidas, que conseguiram ganhar espaço no mercado enquanto concorrentes menores enfrentavam dificuldades.
Ao analisar os preços de empresas abertas bem posicionadas que pagam bons dividendos e possuem baixo endividamento, o executivo reforçou o apelo das oportunidades no mercado doméstico. “A assimetria está muito boa. Pode, sim, em um cenário ruim, cair mais 15% ou 20%. Mas, no cenário bom, vai subir 100%, 150% ou 200% em algumas ações”, disse.
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Diferença entre grandes bancos e plataformas de investimento
Conforme o fundador da AlphaKey, a situação das instituições financeiras varia bastante de acordo com o foco das suas operações. Os bancos tradicionais, que concentram grandes volumes de empréstimos para o agronegócio e para clientes com dívidas atrasadas, enfrentam um processo mais demorado para reorganizar suas contas, o que impede uma melhora rápida nos lucros nos próximos meses.
Por outro lado, corretoras e plataformas que atuam na distribuição de investimentos, na gestão de patrimônio e na negociação de ações se beneficiam de forma muito mais rápida quando os juros começam a cair e o movimento de compra e venda na bolsa aumenta.
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Keleti, porém, pondera que a forte valorização recente desses papéis exige cautela e posições mais comedidas no momento. “Hoje, neste setor, estou preferindo um pouco mais essa surpresa dos caras que eventualmente se beneficiam, que são os betas mais altos. Mas a gente está bem seletivo, porque aqui o movimento foi muito agressivo e muito rápido”, afirmou.
Fortalecimento das grandes marcas
Na visão do gestor, o período prolongado de juros elevados pesou para os concorrentes menores ou não listados na bolsa, enquanto as grandes companhias de capital aberto conseguiram se fortalecer e ganhar mercado.
Keleti destaca que setores como o de construção voltada para habitação popular, shopping centers e varejo de vestuário reúnem empresas organizadas, com boa distribuição de dividendos e cujas ações estão sendo negociadas por valores muito abaixo do seu potencial real.
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Ele ressalta que a perspectiva de uma melhora mais firme nos lucros ganha força para os próximos anos à medida que os juros médios caem e o custo do endividamento diminui para as companhias.
O executivo avalia que a ideia de que a bolsa brasileira vai continuar negociando a múltiplos excessivamente baixos reflete apenas o pessimismo acumulado após anos difíceis, e projeta uma reavaliação positiva das empresas caso o ambiente macroeconômico se consolide. “Foi muito estigmatizado porque foram quatro, cinco, seis anos de muita dureza e o pessoal acha que agora é o novo normal. Eu sinceramente acho que se o ambiente melhorar, não será o novo normal”, completou Keleti.
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