O Ibovespa tem nova sessão de forte alta nesta sexta-feira, 9, alinhado à valorização dos índices das bolsas do Ocidente. O avanço nos Estados Unidos reflete, em parte, a queda do petróleo, após a commodity ter subido cerca de 4% ontem. O recuo reduz parte das preocupações com pressões inflacionárias e juros mais elevados no mundo, em especial nos EUA.
Às 11h33 (horário de Brasília) desta sexta, o Ibovespa subia 1,46%, aos 209.238,68 pontos, na máxima, alta de 0,01%, na mínima em 206.237,55 pontos. Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,94%, aos 206.220,24 pontos.
No Brasil, o tema inflação também ganha destaque após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir 0,82%, perto do teto das projeções (0,83%), e divide as atenções com o trade eleitoral. Também fica no foco uma entrevista, no Ministério da Fazenda, pelo governo federal, sobre combustíveis.
Quanto a pesquisas eleitorais, foram divulgadas Datafolha e Atlas/Bloomberg. O primeiro saiu ontem e mostrou que Flávio tem 49% das intenções de votos totais, ante 45% de Lula. Na mesma direção veio a Atlas/Bloomberg. O senador aparece com 51,1%, contra 45,7% do petista.
“Isso mantém a expectativa de continuidade de valorização do real, o que pode atrair mais capital não só para o câmbio mas também para a Bolsa”, afirma o sócio e estrategista da Bravonte Capital e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo Velho.
Em relação ao IPCA, a taxa acumulada em 12 meses ultrapassou o limite superior da banda do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5%, ao ficar em 4,58%. Além disso, a difusão do IPCA atingiu 54,9% em setembro, ante 54,4% em agosto, calcula o economista da Terra Investimentos Homero Guizzo.
Apesar da alta, no geral, maior do que a prevista, Eduardo Velho diz que, de certa, forma, uma taxa mais alta “já estava na conta”, o que mantém apostas de quedas da Selic. “Ainda há chance de novos cortes dos juros e também há espaço para otimismo adicional no mercado devido à eleição”, diz.
Segundo Velho, um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode animar mais o mercado não só pela decisão em si, mas pelos planos do senador, como na área fiscal e possivelmente no Supremo Tribunal Federal (STF). “Isso pode reduz a imprevisibilidade jurídica no País.”
Já para João Debom, sócio da Supernova Investimentos, um IPCA acima do esperado reduz bastante a chance de quedas da Selic em novembro. ” Minha leitura é que as apostas migram de um corte de 0,25 ponto para uma pausa no ciclo.”
A despeito do recuo do petróleo, as ações de Petrobras avançam, assim como as de bancos e de empresas ligadas ao ciclo econômico.
Entre os papéis de primeira linha, Vale (VALE3) era a única a cair (-0,25%), em meio ao recuo de 1,16% do minério de ferro em Dalian e de 0,44% em Singapura. O movimento sugere interesse de investidores, especialmente estrangeiros, tanto que o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) subia 1,50%, em Nova York, principal fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) brasileiro de ações nos EUA.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN (PETR4) avançava 1,73% e PETROBRAS ON (PETR3) subia 2,58%, na contramão do desempenho do petróleo no exterior.
• ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) subia 1,82%, BRADESCO PN (BBDC4) avançava 0,79%, BTG PACTUAL (BPAC11) tinha alta de 2,09%, SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) ganhava 4,57% e BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) avançava 1,53%.
• VALE ON (VALE3) subia 0,27%, em dia de queda do minério de ferro no exterior. O contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian, na China, fechou o pregão diurno com queda de 1,16%, a US$ 101,93 por tonelada métrica, seu menor nível desde 9 de abril de 2025.

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• MRV ON (MRVE3) disparava 10,58%, liderando os ganhos do Ibovespa, após o grupo imobiliário e de construção anunciar que encerrou o terceiro trimestre com geração de caixa de R$ 456 milhões, impulsionada por fatores que incluíram vendas de ativos nos Estados Unidos.
• CURY ON (CURY3) subia 7,21%. A empresa divulgou prévia de resultados de julho a setembro, que mostrou um crescimento de 8,8% na geração de caixa ante o mesmo período do ano passado, para R$ 253,6 milhões.
• TENDA ON (TEND3) subia 5,83%, após divulgação de prévia operacional que mostrou crescimento de 4,4% nas vendas do período, totalizando R$ 1,29 bilhão.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
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