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Bancões sob pressão no 3T26: Goldman vê piora do crédito e tem Itaú como favorito

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Bancões sob pressão no 3T26: Goldman vê piora do crédito e tem Itaú como favorito

A temporada de resultados dos bancos brasileiros deve reforçar a deterioração do ciclo de crédito, uma das principais preocupações do mercado em 2026.

Em relatório de prévia para o terceiro trimestre, o Goldman Sachs afirma que a inadimplência continua avançando no sistema financeiro e que a combinação de provisões elevadas, crescimento mais lento dos lucros e dúvidas sobre a qualidade dos ativos deve permanecer no centro das atenções dos investidores nos próximos meses.

Segundo o banco, a taxa de inadimplência acima de 90 dias do sistema financeiro saltou de 3% em dezembro de 2024 para 4,6% em junho de 2026. Desse aumento, cerca de 60% refletem deterioração efetiva da qualidade do crédito, enquanto os outros 40% decorrem das mudanças regulatórias introduzidas pela Resolução 4.966. Na avaliação do Goldman, a deterioração não está distribuída igualmente entre os bancos.

Banco do Brasil concentra preocupação

A equipe de analistas mostra que os bancos públicos responderam por aproximadamente 53% do aumento do estoque de inadimplência do sistema financeiro entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, com destaque para o Banco do Brasil (BBAS3) e a Caixa Econômica Federal.

Entre os grandes bancos listados, o Banco do Brasil aparece como o caso mais desafiador. A taxa de inadimplência do banco aumentou 160 pontos-base em um ano, chegando a 5,6% no segundo trimestre de 2026, nível muito acima do observado em Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11).

O Goldman projeta que esse movimento continuará aparecendo nos resultados. Para o terceiro trimestre, o banco estima que as provisões para perdas do Banco do Brasil cheguem a R$ 20,3 bilhões, alta de 10% frente ao trimestre anterior e de 13% na comparação anual. O lucro recorrente deve cair 5% na comparação trimestral, para R$ 3,7 bilhões, enquanto o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) recuaria de 8,4% para 8%.

O banco cita como principais focos de pressão o crédito rural, cartões e os efeitos limitados das medidas adotadas para renegociação de clientes mais estressados.

O Goldman cortou suas projeções de lucro do Banco do Brasil para 2026, 2027 e 2028 e mantém recomendação de venda para o papel. O preço-alvo foi elevado para R$ 19,50, mas continua abaixo dos níveis de mercado considerados no relatório.

Itaú segue como porto seguro

Se o Banco do Brasil representa a principal preocupação, o Itaú continua sendo o nome mais defendido pela equipe do Goldman.

A instituição afirma que o Itaú possui a carteira de crédito de maior qualidade entre os grandes bancos, além da maior rentabilidade e da estrutura de capital mais robusta do setor.

O banco projeta lucro recorrente praticamente estável no terceiro trimestre, em R$ 12,4 bilhões, com retorno sobre patrimônio (ROE) de 23,3%, ainda muito acima dos concorrentes.

Mesmo diante de provisões maiores, o Goldman espera que o Itaú continue entregando o maior nível de criação de valor econômico entre os bancos brasileiros. A instituição calcula que o banco deverá gerar R$ 175 bilhões de valor econômico acumulado entre 2026 e 2031, número superior ao de todos os competidores tradicionais. A recomendação permanece de compra, com preço-alvo de R$ 54 para ITUB4.

Bradesco melhora, mas sofre com provisões

O Goldman espera que o Bradesco continue avançando operacionalmente, mas vê as provisões ainda limitando uma recuperação mais forte dos resultados. A expectativa é de lucro recorrente de R$ 6,9 bilhões no terceiro trimestre, queda de 3% frente ao trimestre anterior. O ROE deve recuar de 16,2% para 15,5%.

Além da deterioração do crédito, o Goldman chama atenção para a elevada participação de ativos fiscais diferidos ligados a provisões de crédito. O indicador chegou a 45% do patrimônio líquido do banco, o maior entre os incumbentes analisados. A recomendação segue neutra, com preço-alvo de R$ 22 para BBDC4.

Santander mostra recuperação, mas limitada

O Goldman prevê uma melhora marginal dos resultados do Santander Brasil no terceiro trimestre. O lucro recorrente deve avançar 7% na comparação trimestral, para R$ 3,2 bilhões, enquanto o ROE subiria de 12,3% para 13%.

Mesmo assim, a casa continua vendo a recuperação como lenta. O custo de risco permanece elevado e a deterioração do crédito corporativo ainda preocupa.

Banco Central já discute novas medidas

A deterioração do crédito também começa a chamar atenção dos reguladores, com o Goldman lembrando que o Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central já discute possíveis medidas macroprudenciais para conter riscos associados ao crédito para famílias, especialmente em cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia. Entre as possibilidades analisadas estão mudanças nos pesos de risco utilizados pelos bancos para essas operações.

A próxima reunião do comitê ocorrerá em novembro, já após o segundo turno das eleições.

Nubank continua entre os preferidos

Além do Itaú, o Goldman continua destacando o Nubank (BDR: ROXO34) como um dos principais nomes para atravessar um ambiente mais difícil de crédito.

Embora o banco digital tenha maior exposição ao crédito sem garantia e aos clientes de menor renda, o Goldman argumenta que a companhia conta com dois amortecedores importantes: a maior rentabilidade do setor e uma posição de capital considerada confortável.

Outro diferencial é a relação empréstimos/depósitos próxima de 90%, bem abaixo do intervalo de 120% a 145% observado nos grandes bancos tradicionais, o que dá espaço para crescer carteira e rentabilidade sem pressionar tanto o balanço.

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