O real se valorizou já 10,19% quando comparado ao dólar PTAX em 2026. É o terceiro maior avanço da moeda brasileira desde 2010, de acordo com levantamento da Consultoria Elos Ayta, com dados até 7 de outubro. Em anos completos, apenas 2016 e
Mesmo com o ano ainda em andamento, o ganho já supera o registrado em todos os anos completos desde 2010, com exceção de 2016, quando a valorização foi de 19,81%, e 2025, com 12,54%. Na série iniciada em 1999, o resultado parcial de 2026 ocupa a sétima posição.
Desde a adoção do regime de câmbio flutuante, em janeiro de 1999, o real registrou mais anos de desvalorização do que de valorização frente ao dólar. Até 7 de outubro de 2026, foram 16 anos de perda de valor e 12 anos de ganho. Considerando apenas os anos completos entre 1999 e 2025, o saldo é de 16 períodos de desvalorização contra 11 de apreciação.
Depois de encerrar 2024 com desvalorização de 21,82% ante o dólar, o real avançou 12,54% em 2025 e manteve a trajetória de apreciação em 2026. Mesmo assim, a taxa PTAX de R$ 4,99 por dólar em 7 de outubro deste ano segue acima dos R$ 4,84 observados no fim de 2023, indicando que os ganhos recentes ainda não foram suficientes para compensar integralmente a perda registrada em 2024.
A série histórica também mostra movimentos prolongados em ambas as direções. Entre 2003 e 2007, a moeda brasileira acumulou cinco anos consecutivos de valorização. Já entre 2011 e 2015, o real atravessou um ciclo de cinco anos seguidos de desvalorização. Esses períodos mostram como tendências cambiais podem se estender por vários exercícios e influenciar decisões de preços, custos e investimentos.
As mudanças de direção costumam ser igualmente expressivas. A maior desvalorização anual da série ocorreu em 2002, quando o real perdeu 34,33% de seu valor frente ao dólar, seguida por uma recuperação de 22,29% em 2003.
No sentido oposto, o maior avanço foi registrado em 2009, com valorização de 34,22%, após a queda de 24,21% observada em 2008. Esses movimentos ajudam a contextualizar momentos de transição política e choques externos, sem que a oscilação cambial possa ser atribuída exclusivamente ao governo de ocasião.
Efeito de câmbio
Para as empresas, os efeitos da variação do câmbio dependem da estrutura de receitas e despesas. Um real mais forte tende a reduzir o custo de produtos, insumos e equipamentos importados, mas também diminui a receita em reais de exportações mantidos os mesmos preços e volumes em dólar.
Já a desvalorização da moeda brasileira favorece exportadores com custos predominantemente domésticos, ao mesmo tempo que encarece importações e compromissos financeiros denominados em moeda estrangeira.
O impacto, no entanto, varia de acordo com as características de cada negócio. Empresas exportadoras que dependem de componentes importados, por exemplo, podem ver parte dos ganhos cambiais ser neutralizada pelo aumento dos custos. Além disso, instrumentos de hedge, perfil de endividamento e o calendário de pagamentos e recebimentos também influenciam os resultados.
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