A TAG Investimentos ampliou a aposta em juros e Bolsa após o primeiro turno deixar Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT), mas avisa que o favorito ainda precisa ganhar a confiança do mercado na área fiscal. “Flávio tem que provar ao mercado que o seu fiscalismo não é da boca para fora”, escreve a gestora em carta mensal divulgada na terça-feira (6).
O modelo da gestora parte de um estudo feito antes do primeiro turno, com 400 mil simulações por cenário, e dá a Flávio 92% de chance de vencer em 25 de outubro, acima dos cerca de 84% que os mercados de previsão indicam. Mas a casa lembra que “favoritismo não é mandato”, e que, antes do pleito, não via disposição para ajuste fiscal em nenhum dos dois candidatos.

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Ressalta ainda que o vencedor, seja quem for, herdará juros de dois dígitos, emendas parlamentares de cerca de R$ 50 bilhões por ano e um Congresso em que nenhuma votação avança sem o centrão. Também herdará o custo do pacote de benefícios promovido pelo atual governo, incluindo o reajuste de R$ 22 bilhões do Bolsa Família.
Ainda assim, a gestora mantém posição muito favorável em ativos atrelados à inflação e aumenta o prazo médio)da carteira de títulos IPCA. A TAG também pretende elevar a exposição ao pré-fixado e aumentar a posição em Bolsa brasileira. A gestora avalia que, com a economia mais fraca e uma crise de crédito em curso, “tudo que o Banco Central quer é um presidente fiscalista para chamar de seu e reduzir juros”.
A gestora estima que a probabilidade de o país adotar um caminho econômico saudável sobe de perto de zero, com Lula, para pouco acima de 50%, talvez perto de 60%, com a vitória de Flávio. “O Brasil era um paciente na UTI, com os médicos já pensando em chamar a família”, diz a carta, que agora vê o paciente a caminho do quarto, ainda debilitado e com uma longa recuperação pela frente.
Sobre a euforia vista nos mercados até aqui, a casa julga só uma “parte pequena” da alta aconteceu, e o restante depende do que o favorito disser sobre economia nas próximas semanas. “A depender da janela internacional (sim, o mundo está subindo juros), podemos ter aqui um rally de alguns meses, até que o governo comece, daí em diante só com entregas”, afirma o texto.
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