As ações do Bradesco (BBDC4) disparavam nesta segunda-feira (5), acompanhando a forte valorização do setor financeiro no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições.
Por volta das 13h20, BBDC4 subia 14,30%, a R$ 21,98, após alcançar R$ 22,10 na máxima. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 8,88%, aos 209.175 pontos, depois de atingir o recorde intradiário de 209.605 pontos.
A alta se espalhava pelos grandes bancos. Banco do Brasil (BBAS3) ganhava 12,23%, Itaú (ITUB4) avançava 11,64% e Itaúsa (ITSA4) subia 11,25%.
O movimento era ainda mais intenso nas empresas ligadas diretamente ao mercado de capitais: XPBR31 avançava 27,75%, BPAC11 subia 26,99% e B3SA3 ganhava 26,89%.
A reação ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que contrariou pesquisas divulgadas antes da votação. Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O desempenho nas urnas e a nova composição do Congresso levaram investidores a rever expectativas para política fiscal e econômica.

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Por que BBDC4 sobe tanto?
Um dos principais canais para explicar a disparada do Bradesco está na forte queda dos juros futuros.
O mercado passou a incorporar expectativas diferentes para a trajetória fiscal e, consequentemente, para os juros de longo prazo. Esse movimento reduz a taxa utilizada para descontar os resultados futuros das empresas e tende a elevar o valor atribuído às ações.
Para os bancos, existe ainda um segundo efeito. Condições financeiras menos apertadas podem aliviar pressões sobre empresas e famílias, favorecer a qualidade das carteiras de crédito e reduzir riscos de inadimplência.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca justamente esse canal. Segundo ele, os bancos são beneficiados pela queda dos juros futuros e por um cenário em que a inadimplência de empresas e pessoas físicas pode se tornar menos pressionada.
Perri também chama atenção para o efeito da curva de juros sobre os valuations: quanto menor a taxa de desconto utilizada pelo mercado, maior tende a ser, mantidas as demais condições, o valor presente dos fluxos de caixa futuros.
Juros e fiscal entram na conta
Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, também relaciona o movimento desta segunda-feira à revisão das expectativas fiscais.
Segundo ele, Bolsa, câmbio e juros estão reagindo simultaneamente à percepção dos investidores sobre possíveis mudanças na condução da política econômica.
A Reuters mostrou que o resultado eleitoral provocou forte reprecificação dos ativos brasileiros, com alta superior a 8% do Ibovespa e valorização do real. A interpretação de parte dos investidores é de que o novo cenário político pode resultar em maior disciplina fiscal, embora as políticas efetivamente adotadas dependam do resultado do segundo turno e das decisões do próximo governo.
A incerteza eleitoral, portanto, continua elevada. O movimento desta segunda-feira reflete sobretudo expectativas incorporadas aos preços, e não mudanças de política econômica já implementadas.
Bradesco também pode receber fluxo estrangeiro
Outro elemento que ajuda a entender o desempenho de BBDC4 é a elevada liquidez das ações dos grandes bancos.
Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destaca que as maiores instituições financeiras brasileiras reúnem escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos.
Na avaliação dele, essas características colocam os bancos entre as principais alternativas para investidores estrangeiros que desejam aumentar rapidamente a exposição ao mercado brasileiro.
A leitura ajuda a explicar por que Bradesco, Itaú e Banco do Brasil sobem mais do que o próprio Ibovespa nesta segunda-feira.
Já XP, BTG Pactual e B3 registram movimentos ainda mais fortes porque possuem exposição mais direta à atividade do mercado de capitais. Uma eventual migração de recursos da renda fixa para ações pode aumentar volumes negociados, distribuição de investimentos e outras receitas relacionadas ao mercado.
BBI vê juros bem abaixo do que curva precificava
Um relatório recente do Bradesco BBI reforça a importância dos juros para a próxima etapa da Bolsa brasileira.
O banco avalia que a economia está desacelerando mais rapidamente do que indicava a curva e projeta a Selic em 11% no fim de 2027, aproximadamente 2,5 pontos percentuais abaixo do que estava precificado pelo mercado no momento da análise.
Na visão do BBI, juros menores beneficiam as ações por duas vias. A primeira é a redução do custo de capital e da taxa de desconto aplicada aos resultados futuros. A segunda é a possibilidade de investidores reduzirem posições em aplicações ligadas ao CDI e aumentarem a exposição a ativos de risco.
O banco ressalva, porém, que a sustentabilidade desse cenário depende da credibilidade fiscal. Sem uma trajetória capaz de estabilizar a dívida, o prêmio dos juros longos pode voltar a subir.
Para BBDC4, essa combinação ajuda a explicar o desempenho desta segunda-feira: queda dos juros, perspectiva de melhores condições para o crédito, reprecificação do valuation e fluxo em direção aos grandes ativos brasileiros.
Alta forte também aumenta volatilidade
A velocidade da valorização exige atenção para oscilações ao longo do pregão.
Bassani afirma que o mercado ainda está digerindo o resultado das urnas e que a volatilidade pode permanecer elevada. A própria reação dos ativos mostra a dimensão do ajuste: além da Bolsa em máxima histórica, o real registrou forte valorização nesta segunda-feira.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e novas pesquisas, declarações dos candidatos e sinalizações sobre política econômica tendem a continuar influenciando juros, câmbio e ações até lá.
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