A bolsa brasileira abriu a semana em forte alta depois do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula (PT), por 47,03% a 45,16% dos votos válidos. Nos primeiros minutos de pregão, o Ibovespa acelerou 4,88% e ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez na história. Os grandes bancos lideraram o movimento na abertura, com Banco do Brasil subindo 10,88%, Bradesco 10,19% e Itaú 9,23%. O dólar comercial caiu 4,62%, para R$ 4,97, e os juros futuros longos recuaram até 0,9 ponto percentual.
Para quem quer se posicionar até o segundo turno, em 25 de outubro, analistas recomendam empresas que ganham com juros mais baixos e com a retomada da atividade doméstica, e o mercado de capitais aparece como o principal tema.
A expectativa do mercado é de que o resultado das urnas aumente a probabilidade de uma política fiscal mais rígida e, com ela, de juros menores.
| Ação | Quem indica |
|---|---|
| XP (XPBR31) | Bradesco BBI, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley |
| B3 (B3SA3) | Bradesco BBI, Citi, Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan, Morgan Stanley |
| BTG Pactual (BPAC11) | Goldman Sachs, Itaú BBA, JPMorgan; carteiras de Ágora, BB Investimentos e XP |
| Banco do Brasil (BBAS3) | ASA, Bradesco BBI, Morgan Stanley, Nomos; carteira da Terra |
| Petrobras (PETR4) | Bradesco BBI, Citi, Nomos; carteiras de sete casas |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | Goldman Sachs, JPMorgan; carteiras de sete casas |
| Cyrela (CYRE3) | Citi, Itaú BBA, Nomos; carteiras de Ágora, BB Investimentos e Santander |
| Ecorodovias (ECOR3) | ASA, Bradesco BBI, Goldman Sachs, Itaú BBA; carteira de small caps da XP |

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XP (XPBR31)
A plataforma de investimentos é uma das ações mais citadas para o cenário de juros em queda. O Bradesco BBI aumentou a posição na carteira e a aponta como a ação de grande porte mais exposta à volta do investidor local à bolsa. O Morgan Stanley calcula que a XP subiu, historicamente, cerca de 15% para cada ponto percentual de queda nos juros longos e a prefere, junto com o Nubank, para essa aposta. Segundo o banco, a XP é uma das poucas ações do setor financeiro que mantêm sensibilidade própria aos juros mesmo descontado o movimento geral da bolsa.
O Itaú BBA, que incluiu a XP na sua carteira de ações ainda antes do primeiro turno, destaca que a ação negocia abaixo da média histórica, com espaço para expansão de múltiplos e melhora operacional. A XP é negociada na B3 por meio de BDR.
B3 (B3SA3)
A operadora da bolsa tem, para o Itaú BBA, alta correlação com os juros, e seu valuation voltou à média histórica, com espaço para avançar num cenário favorável. JPMorgan e Bradesco BBI a colocam ao lado da XP entre as preferidas para a retomada do mercado de capitais, com mais volume negociado e mais emissões.
Pelo cálculo do Morgan Stanley, a B3 sobe cerca de 13% para cada ponto percentual de queda nos juros longos, em grande parte acompanhando a alta geral da bolsa. A ação já estava entre as mais recomendadas nas carteiras de dividendos de outubro.
BTG Pactual (BPAC11)
O JPMorgan aponta o BTG como seu banco preferido para o cenário pós-eleição, pela capacidade de execução em diferentes cenários. O Morgan Stanley estima alta histórica de cerca de 15% para cada ponto percentual de queda nos juros, e o Itaú BBA inclui a ação entre as favoritas para a queda da Selic, condicionando o potencial às revisões de lucro. O banco aparece nas carteiras de outubro de Ágora, BB Investimentos e XP.
Banco do Brasil (BBAS3)
O banco estatal liderou as altas entre os grandes bancos na abertura. O Bradesco BBI aumentou a posição na carteira, dentro do tema de empresas sob influência do governo, que tendem a se beneficiar de uma mudança na política econômica. O Morgan Stanley estima alta histórica de cerca de 13% para cada ponto percentual de queda nos juros longos, e Nomos e ASA também incluem o BB entre as ações para o cenário de alternância.
Petrobras (PETR4)
Líder do ranking de outubro, com indicações de sete casas, a Petrobras ganha um argumento adicional com o resultado do primeiro turno. O Bradesco BBI aumentou a posição na carteira e elevou o preço-alvo de R$ 52 para R$ 62, citando a possibilidade de venda de ativos, corte de custos e uma alocação de capital mais focada. O banco também espera reajustes de preços dos combustíveis depois da eleição. Citi e Nomos incluem a estatal entre as beneficiadas pela retomada do ciclo doméstico.
Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú divide a liderança do ranking de outubro, mas entra nesta lista com um perfil diferente dos demais. O JPMorgan o mantém como favorito entre os bancos tradicionais, pela diversificação de receitas e pela disciplina na concessão de crédito. Pelo cálculo do Morgan Stanley, no entanto, ele é o menos sensível aos juros entre os grandes bancos, com alta histórica de cerca de 10% por ponto de queda, e o Bradesco BBI reduziu a posição para aumentar o peso de ações mais expostas ao cenário doméstico.
Cyrela (CYRE3)
O Itaú BBA aponta a incorporadora como a principal aposta de qualidade do setor para a queda dos juros, negociada a cerca de uma vez o valor patrimonial. Citi e Nomos também a incluem entre as cíclicas que se beneficiam de juros mais baixos. Diferentemente das construtoras de baixa renda, que perderam espaço nas carteiras com o atraso nos repasses do Minha Casa, Minha Vida, a Cyrela atua nos segmentos de média e alta renda.
Ecorodovias (ECOR3)
A concessionária de rodovias é a forma mais alavancada de ganhar com juros menores, segundo o Itaú BBA, que estima potencial de valorização de cerca de 25% para cada ponto percentual de queda. O Bradesco BBI a incluiu neste mês na carteira, como parte de uma cesta de small caps sensíveis a juros, e calcula que o lucro de 2027 sobe cerca de 20% para cada ponto de queda na Selic. A ação também ganhou peso na carteira de small caps da XP em outubro.
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