A sensibilidade das empresas ao custo dos empréstimos transformou a aposta na Eneva (ENEV3) na principal vitrine da Acuto Capital para aproveitar uma futura queda nos juros.
Marcus Fadul, fundador da gestora, explicou em entrevista no podcast Stock Pickers, do Infomoney, que uma mudança no quadro político e fiscal do país é o passo decisivo para baixar as taxas de longo prazo e aumentar o valor de mercado de companhias endividadas.
O potencial de valorização das ações da geradora de energia depende diretamente da velocidade dessa queda nos juros e dos cenários eleitorais previstos para os próximos anos. “Se houver uma alternância de poder e de fato essa equação de compressão de custo de capital acontecer, vemos de 70% a 80% de upside”, disse Fadul.
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Impacto dos financiamentos no caixa da Eneva
Ele detalha que a Eneva é uma das principais apostas da carteira da Acuto Capital por conta dos seus projetos futuros e da capacidade de produção conquistada no leilão de reserva realizado em março deste ano. Porém, a necessidade de buscar dinheiro emprestado para construir essas obras faz com que o resultado da empresa dependa muito do nível das taxas de juros cobradas no mercado.
O custo desse financiamento afeta diretamente o lucro e com o tamanho das dívidas da companhia ao longo dos anos. “Se ela tiver que se financiar a 300 pontos-base a mais ou a menos – se for se financiar, na média, a um CDI, vamos usar o CDI, de 14% ou 10% –, muda completamente a trajetória de alavancagem e de lucro da empresa”, exemplificou.
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O movimento dos juros no exterior e as contas públicas brasileiras também influenciam o dinheiro que entra no país. Conforme Fadul, enquanto o Banco Central do Brasil reduz os juros e o Federal Reserve adota uma postura mais dura, a taxa dos títulos públicos dos Estados Unidos com vencimento em 10 anos passou de 5%, chegando a 5,25%. No Brasil, os títulos do governo para o mesmo prazo pagam mais de 14%, mantendo uma diferença de quase nove pontos percentuais entre as duas economias.
Apesar da alta dos juros nos Estados Unidos, a organização das contas do governo brasileiro é o fator mais importante para fazer as taxas caírem por aqui. O gestor da Acuto ressalta que a aprovação de um plano de controle de gastos ligado ao tamanho da dívida pode fazer o endividamento do país começar a cair a partir de 2027 ou 2028.
Ele destaca que esse compromisso fiscal teria força para diminuir a distância entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos para cerca de cinco pontos percentuais, fazendo a taxa brasileira de longo prazo recuar do patamar atual para algo entre 9% e 10%.
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Atratividade do Brasil
A corrida global por investimentos em inteligência artificial tem concentrado os recursos dos grandes investidores no exterior, mas abre espaço para o mercado brasileiro atrair o capital internacional.
Fadul destaca que países focados na produção de matérias-primas e produtos agrícolas viraram uma alternativa importante para proteger o dinheiro e fugir da concentração excessiva em tecnologia e no dólar.
Essa busca por diversificação fora da temática de tecnologia beneficia o mercado acionário local e fortalece o fluxo de capitais para a bolsa doméstica. “Nesses últimos quatro anos, meu único diversificador de portfólio para fora do tema IA que deu dinheiro foram esses”, relatou.
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