As eleições de 2026 podem provocar uma reação forte na Bolsa já após o primeiro turno, mas a euforia pode vir acompanhada de armadilhas. Com a volatilidade embutida nos preços das opções, acertar a direção do mercado pode não ser suficiente para garantir lucro.
Essa é a avaliação do trader, CEO da Economatica e Gestor do fundo TC Cosmos, Pedro Albuquerque, que participou do Trade Show, no canal GainCast. Ele apresenta seus cenários para a disputa e analisa como a distância entre os candidatos pode influenciar a Bolsa e a volatilidade.
Primeiro turno como gatilho
Para Albuquerque, a distância entre os candidatos no primeiro turno pode antecipar a reação dos investidores ao provável desfecho eleitoral. Na hipótese de uma vitória de Flávio, sua expectativa é de valorização inicial da Bolsa. “Vai para cima num primeiro momento, sem dúvida”, afirma.
Nesse contexto, Albuquerque considera que uma distância pequena entre Lula e Flávio no primeiro turno reforçaria as chances de vitória de Flávio na etapa seguinte. Um empate também seria favorável à sua tese. “Dois pontos atrás do Lula é ótimo para ele. Empatado, então aí é difícil de segurar”, explica.
Por isso, esperar a confirmação nas urnas pode mudar as condições de entrada para quem pretende capturar apenas a reação imediata dos preços. Entretanto, o próprio trader associa essa antecipação à necessidade de limitar a exposição. “Então se é curto prazo, eu iria antes. E sem arriscar muito também”, comenta.
Ainda assim, sua leitura sobre a disputa não representa certeza sobre o resultado. Ao apontar Flávio como favorito, Albuquerque reconhece que acontecimentos próximos à votação podem alterar o cenário e influenciar as expectativas do mercado. “Vocês vão estar acompanhando, tudo pode acontecer, mas eu acho que o Flávio é favorito”, ressalta.
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Volatilidade pode virar armadilha
Além da direção da Bolsa, Albuquerque chama atenção para o preço das opções antes da votação. Com a incerteza eleitoral, ganhar dinheiro pode exigir movimentos maiores dos ativos. “O mercado está pagando muito nas opções, a volatilidade implícita sobe e aí você precisa ter uma oscilação muito significativa para você ganhar dinheiro”, explica.
Nesse ambiente, ele trata as opções como instrumentos que exigem uma janela adequada e atenção às condições de mercado. A proximidade das urnas oferece oportunidades, mas não elimina a complexidade de avaliar esses contratos. “Opção é super difícil, não dá para operar todo o vencimento”, adverte.
Já na hipótese de um desempenho de Flávio considerado muito favorável no primeiro turno, Albuquerque espera uma alta expressiva da volatilidade. Assim, o cenário que poderia impulsionar a Bolsa também mudaria uma variável importante para as opções. “A Vol vai explodir. Então tem que prestar atenção nessas coisas”, alerta.
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Small caps e juros
Dentro dessa leitura eleitoral, Albuquerque identifica nas small caps uma oportunidade condicionada a um resultado favorável a Flávio. A tese passa pela perspectiva de mudanças na política econômica e seus efeitos sobre o custo do dinheiro. “Se der, Flávio, a expectativa de juros vai cair na largada”, afirma.
Com isso, as empresas menores poderiam reagir à revisão das expectativas dos investidores. No entanto, ele acompanha a aposta de uma ressalva explícita sobre a intensidade das oscilações desses papéis. “Então o trade está em small caps, na minha visão, com risco maior. Risco de small é bem maior”, enfatiza.
Por outro lado, a liquidez pode dificultar a saída quando a percepção sobre o cenário muda. Ao abordar as ações menores e o mercado doméstico, o trader ressalta que uma deterioração das expectativas pode provocar vendas rápidas. “Você tem que ser muito rápido e a porta é pequena”, adverte.
Assim, o horizonte da posição também precisa entrar na análise. Albuquerque diferencia a tentativa de capturar a reação eleitoral de uma aposta na capacidade do próximo governo de entregar resultados por um período mais longo. “Você está olhando os próximos dois meses, você pode até perder dinheiro”, pondera.
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Ressaca depois da euforia
Mesmo no cenário de valorização que projeta para uma vitória de Flávio, Albuquerque vê motivos para cautela após a reação inicial. Os desafios econômicos continuariam exigindo decisões capazes de alterar as expectativas dos investidores. “A maior oportunidade está aqui, mas a gente tem que prestar atenção com a ressaca depois”, alerta.
Entre esses desafios, ele menciona a necessidade de ajustes nos combustíveis e o acompanhamento das medidas econômicas do próximo governo. Por isso, uma reação positiva às urnas não encerraria a avaliação sobre a trajetória dos ativos. “Então são vários componentes que a gente vai ter que analisar dia a dia”, destaca.
Já em um cenário favorável a Lula, sua preocupação recai sobre o risco de uma reação negativa da Bolsa, associado à avaliação que faz dos gastos públicos antes da votação. “Se não tivesse esses fatos, a bolsa ia cair um pouco, mas agora ela pode cair muito com o resultado do primeiro turno”, argumenta.
Apesar disso, Albuquerque admite rever sua leitura caso haja uma mudança relevante na condução econômica. Para o trader, acompanhar as decisões posteriores à eleição continua sendo necessário, mesmo quando o resultado contraria sua expectativa sobre a disputa.
“E a nossa função aqui não é torcer, eu tenho que analisar o que ele vai fazer”, sustenta.
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