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Lula reeleito deve evitar ajuste fiscal, mas dólar não vai a R$ 6, diz gestor

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Lula reeleito deve evitar ajuste fiscal, mas dólar não vai a R$ 6, diz gestor

A eleição presidencial segue muito dividida e, sem convicção sobre como será o próximo governo, a Armor Capital prefere ficar sem apostas direcionais no Brasil e concentrar as posições no exterior, explica Alfredo Menezes, presidente e CIO da gestora. “Vamos esperar até o primeiro turno, aí poderemos definir algumas aplicações de maior prazo aqui”, diz Menezes. “Por enquanto, ficamos no day trade ou em posições long-short [arbitragem com compra de uma ação e venda de outra]”.

Ele traça um cenário negativo para os mercados em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Serão os quatro últimos anos do PT no poder, pois Lula não tem um sucessor, mas não acredito que ele, no quarto mandato, vai fazer algum ajuste fiscal”, acrescenta, mas sem projetar um ambiente de turbulência grave no câmbio: “não acredito em um cenário de dólar a R$ 6”.

Mais à frente, o gestor avalia que o país poderá viver um “clima de dominância fiscal“, como em 2024, quando o dólar disparou e os juros subiram bastante em meio à frustração com o pacote de corte de gastos, anunciado junto com a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

“Acho que essa coisa se repete, o quadro fiscal vai se deteriorar e a inflação deve subir, talvez não no ano que vem, mas em 2028 ou 2029, e quando estiver pegando fogo mesmo o governo fará a lição de casa, como já ocorreu várias vezes nos últimos 40 anos”, diz Menezes. “Já vi várias vezes falarem que Brasil ia quebrar, mas quando a coisa aperta o governo faz a lição de casa”, completa.

O problema, segundo ele, é que o país já tem uma carga tributária alta, o que limita o espaço para aumentar impostos. “Vai ter de ser resolvido pela parte dos gastos”, aponta.

Vendida em petróleo, comprada em IA

No exterior, Menezes acompanha a competição agressiva por recursos, principalmente entre o governo americano e as empresas de tecnologia, que buscam financiamento para os investimentos em inteligência artificial (IA). Segundo ele, essa disputa pressiona juros e crédito nos Estados Unidos e no mundo, inclusive no Japão, que sempre teve taxas bastante baixas.

A dúvida, diz o gestor, é se essa pressão sobre os juros vai durar muito tempo, o que pode provocar uma desaceleração da economia mundial. “Por isso, gostamos de setores que protejam no caso de uma desaceleração da economia e estamos tomados em juros americanos, ou seja, vendidos em Treasury, acreditando que a curva de juros vai ainda mais para cima”, explica.

A Armor também está vendida em petróleo, por avaliar que a demanda cresce bem abaixo da produção com a substituição de combustíveis fósseis por energia limpa, enquanto países como Brasil e Venezuela ampliam a oferta. “Assim que a guerra no Irã terminar os preços devem cair rápido e veremos o barril do petróleo a US$ 60 no ano que vem”, diz. A gestora está ainda comprada em prata, metal cada vez mais usado na indústria de semicondutores e de energia solar.

Na Bolsa americana, a Armor considera que as ações das grandes empresas de tecnologia, as Sete Magníficas, já subiram muito por conta da IA, e que agora devem se beneficiar as empresas usuárias da tecnologia, especialmente do setor financeiro. “Haverá forte ganho de eficiência em serviços não braçais, sejam bancos, seguradoras, empresas de serviços jurídicos ou contabilidade”, ressalta Menezes.

Por isso, a gestora está comprada em bancos americanos, sobretudo os de varejo, que devem ter um ganho marginal maior com tecnologia do que os bancos de investimento.

Menezes também espera que moedas emergentes e o euro sofram com a alta dos juros americanos, que tende a fortalecer o dólar. A maior posição da Armor em câmbio é a venda do peso mexicano, ou seja, uma aposta na desvalorização da moeda, seguida da venda de euro. “O peso mexicano tem uma taxa de juros menor, o que facilita o carregamento da posição, e o país depende muito da economia americana”, explica.

Já o real, na avaliação do gestor, está hoje entre as moedas emergentes mais resilientes, principalmente por causa dos preços do petróleo. “Mas se o conflito no Irã acabar e o petróleo cair, o real sofrerá”, pondera.

No Brasil, as poucas posições da gestora são de arbitragem entre bancos, com compra de ações de instituições que também devem se beneficiar do uso da IA e venda das que devem ter menor ganho de produtividade. “Estamos também tomando bastante cuidado com crédito nos bancos de varejo, evitando os que trabalham com as classes C e D, que devem sofrer mais com inadimplência”, conta. “Fora isso, ficamos mais no giro diário em outros mercados até a eleição e depois vamos decidir o que fazer”, conclui.

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